Novembro 17 2013

Doris Lessing, escritora britânica galardoada com o Prémio Nobel da Literatura em 2007, morreu aos 94 anos.

Odeio quando o tempo os leva sem que a sua obra eu tenha lido.

Entre os mais de 50 romances destacam-se The Grass is Singing (1950) e The Golden Notebook (1962), bem como a série de ficção-científica Canopus in Argos: Archives.

 

Na imprensa:

Autora de mais de 50 romances e com uma obra diversificada, Lessing foi descrita pela Academia Sueca, que lhe atribuiu o Prémio Nobel da Literatura em 2007, como "uma épica da experiência feminina que, com cepticismo, fogo e poder visionário, sujeitou uma civilização ao escrutínio". Público

Tributes pour in for Nobel prize-winning author of over 50 novels including The Golden Notebook. The Guardian

"I've won all the prizes in Europe, every bloody one, so I'm delighted to win them all. It's a royal flush," she said from her front step. The Guardian

 

Imagem: Eamonn McCabe para o The Guardian

Publicado por Fábio J. às 17:59

Maio 27 2013

"Mia Couto é o vencedor da 25.ª edição do prémio, que distingue um autor da literatura portuguesa. O anúncio do vencedor foi feito hoje, no Rio de Janeiro, onde o júri se reuniu." Expresso.pt

"O vencedor do prémio literário mais importante da criação literária da língua portuguesa é o biólogo e escritor moçambicano autor de livros como Raiz de Orvalho, Terra Sonâmbula e A Confissão da Leoa. É o segundo autor de Moçambique a ser distinguido, depois de José Craveirinha em 1991". Público.pt

Depois de ter lido e gostado de A Varanda do Frangipani, esta é mais uma razão para ler outras obras do autor.

Publicado por Fábio J. às 22:20

Janeiro 01 2013

"– Há uma data na varanda desta sala – disse Germana – lembra a época em que a casa se reconstruiu. Um incêndio, por alturas de 1870, reduziu a cinzas toda a estrutura primitiva. Mas a quinta é exactamente a mesma com a mesma vessada, o mesmo montado, aforados à Coroa há mais de dois séculos e que têm permanecido na sucessão directa da mesma família de lavradores."

Primeiro parágrafo de A Sibila, de Agustina Bessa-Luís. Guimarães Editores, 2009

Publicado por Fábio J. às 23:40

Novembro 12 2012

"O Sr. Reis, proprietário da Quinta do Infantado, trancara os galinheiros por aquela noite, mas estava tão bêbedo que se esqueceu de fechar as portinholas. Com o halo de luz da lanterna a dançar de um lado para o outro, cruzou o pátio aos tropeções, atirou com as botas diante da porta das traseiras, bebeu uma última cerveja do tonel que se encontrava na copa, e, em passo incerto, subiu para o quarto, onde a Sr.ª Reis ressonava já."

Primeiro parágrafo de A Quinta dos Animais, de George Orwell. Tradução de Paulo Faria, Antígona, 2008

Publicado por Fábio J. às 21:52

Agosto 30 2012

Originalmente publicado no blog "Correio do Fantástico", em 5 de Abril de 2009, como parte do projecto "Grandes Pormenores".

O primeiro volume publicado em português, Elric – Principe dos Dragões, está repleto de elementos criativos dignos de destaque. Um deles é o Barco Que Navega Sobre a Terra e Sobre o Mar, uma embarcação mágica usada por Elric e os seus homens para se deslocarem até Dhoz-Kam e daí resgatarem Cymoril, amada daquele.

Na ânsia de salvar Cymoril, Elric enviou as suas barcas de guerra douradas, os seus homens e os seus dragões à sua procura, mas não obteve qualquer pista. Desesperado, decide invocar o deus Arioch, Senhor do Caos, que revela-lhe o local para onde Cymoril foi levada e que o aconselha a usar o Barco Que Navega Sobre a Terra e Sobre o Mar. Trata-se duma embarcação lendária, usada por um antigo herói de Melniboné. Elric decide, então, invocar Straasha, o deus do Mar. Este conhece o barco pois pertence-lhe, mas pertence também ao seu irmão Grome, deus da Terra. Straasha compreende a angústia do rei albino a cede-lhe o barco. Aconselha Elric a esperar, pois o barco iria até ele. E assim foi…

Na amanhã seguinte, Elric viu algo emergir da floresta “em tons de branco, azul e negro”. Era o seu barco à vela, descrito na seguinte passagem:

A embarcação era alta esquia e delicada. (…) Apesar da construção em madeira, esta não se encontrava pintada, embora exibisse um brilho natural que oscilava entre tons de azul, negro, verde e vermelho esfumado. O aparelho era cor de alga, e os veios nas tábuas polidas do convés faziam lembrar as raízes de uma árvore. As velas pairavam cheias dos três mastros afilados, brancas e leves como nuvens num dia ameno de verão. A embarcação era tudo quanto de belo se podia encontrar na natureza; (…) Numa palavra, toda a embarcação irradiava harmonia”.

O modo como a embarcação se deslocava é, talvez, o mais interessante. No mar, era mais rápida do que qualquer outro barco, em terra…

A embarcação sulcou gentilmente a terra, qual superfície dum rio, e o chão por baixo da quilha ondulou como se transformado por momentos em água. (…) passado o navio, o chão logo tornava ao seu estado sólido normal.

O navio seguia a grande velocidade por declives rochosos e montes cobertos de tojo; abriu caminho através de florestas e cursou imponente pelos prados. Movia-se como um falcão a baixa altitude, que permanece junto ao solo mas se desloca a uma velocidade e precisão incríveis enquanto persegue a vítima, mudando de direcção com um bater de asas imperceptível.

O barco não tinha âncora, e sem maré em terra a única forma de o fazer mover era dizer-lhe que os tripulantes estavam prontos para zarpar. Inicialmente, a condução foi complicada pois, dada a indicação para iniciar o movimento, o barco foi em direcção à muralha da cidade, mas…

Elric foi rapidamente até ao centro da popa onde se encontrava uma enorme alavanca horizontal ligado e a um mecanismo de cremalheira que por sua vez estava ligado a um eixo. Quase de certeza que era o leme. Elric segurou a alavanca como quem segura um remo e forçou-a a um ou dois encaixes. O navio respondeu de imediato…

Pela peculiaridade e criatividade intrínseca, achei este barco um grande pormenor, digno de destaque. A viagem de Elric e, em especial, o Barco Que Navega Sobre a Terra e Sobre o Mar são elementos fundamentais nesta obra de Moorcock, conduzindo o leitor para um mundo surreal e atraente.

Hoje em dia, existem viaturas híbridas que se deslocam em terra e em água, mas a tecnologia ainda não foi capaz de ofuscar este grande pormenor da literatura fantástica.

Fontes: Livro Segundo: Cap. 4, 5, 6 e 7, Elric – Príncipe dos Dragões, de Michael Moorcock, Saída de Emergência, 2005

Publicado por Fábio J. às 15:49

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