Novembro 29 2006

Como não há algum tempo referi, estava a acabar de ler O Silmarillion; estava porque já o acabei de ler ontem à noite. Achei a última história tão “deliciosa” que não me contive até a acabar de ler. Esta, Dos Anéis do Poder e da Terceira Era, relata exactamente isso, a origens dos Anéis do poder e o fim da Terceira Era, o que acaba por se traduzir numa introdução e num pequeno resumo à trilogia O Senhor dos Anéis. Gostei de conhecer uma pouco mais da história de Gandalf e do contesto em que este começa a fazer parte da história. Confesso que me agitei quando li um diálogo entre Gandalf e Elrond, um dos primeiros a abrir o filme A Irmandade do Anel, pois “senti” a ligação com o filme e a trilogia, para além de achar as palavras de Gandalf sapientíssimas.

Fazendo a minha sinopse do livro, posso dizer (sem querer ser repetitivo) que nele nos é narrada a história de Arda desde a sua origem (ou até antes dela) até à passagem para a 4ª Era, a mesma que nos é retratada em O Senhor dos Anéis. A descrição de todos os factos é um sopro de genial realismo que nos transporta para a acção e nos faz crer, tal como crianças, que tudo aquilo é verdadeiro.

Nada escapa ao autor e por isso é-nos possível visualizar um mundo completo e profundo, repleto de magia em cada rio, a transpirar paz em cada estrela, com uma alma em cada floresta, mas também com grandes demónios em cada sombra. Neste mundo o tempo não pára, e quanto mais perfeitos os seres se vão tornando mais próximos ficam da imperfeição e destruição.

Tudo é imensamente intenso na história, seja um amor ou uma maldição, uma guerra ou um laço de sangue, e não há tempo que pague estas marcas, pois o próprio mundo muda e adapta-se com a ira dos deuses ou a força das guerras.

É uma história completa mas que pede, no entanto, para ser continuada nas seguintes obras do autor. Foi o primeiro livro de Tolkien que li, no entanto é já um dos que mais me tocou, não pelo sentimentalismo que tem, mas pela força e profundidade das palavras.

Mais uma vez recomendo a leitura deste livro, não só aos amantes do fantástico ou já leitores de Tolkien, mas a todos quantos estejam interessados a ser marcados por este mundo, pois tal como dizia um certo crítico “a leitura encontra-se dividida em duas partes: a daqueles que já leram O Senhor dos Anéis e aquelas que o vão ler”, mas podemos considerar que esta máxima se estende a outras obras do “mestre” como O Silmarillion.

Um livro fantástico!

O Silmarillion - J.R.R. Tolkien

P.S.: Vou começar hoje a ler O Feiticeiro e a Sombra, que sendo uma obra que pouco conheço será uma total surpresa.

Até breve e Boas Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 18:13

Novembro 27 2006

Estamos a chegar a Dezembro, o mês do Natal, ou melhor, o mês das férias. Não sei se é só comigo, mas já sinto uma grande necessidade de ter férias, passar um tempo sem compromissos, sem horários, enfim, livre!

Mesmo assim, continuo a ler, pois se não o fizesse, aí sim, estaria “cansado”, porque afinal, a leitura é um momento de descontracção.

Tal como há pouco tempo referi, estou a acabar de ler O Silmarillion e decidi retomar a minha “crónica diária” sobre a história. Na verdade já acabei de ler O Silmarillion propriamente dito, e já li também a 4ª história, Akallabêth.

Reparei, agora que li, que afinal existe uma continuação, apesar de não linear, entre A História dos Silmarils e Akallabêth, a história que relata a história de Númenor, a ilha dos grande reis, desde a sua ascensão à sua queda (literalmente), mas talvez o nome com que mais tarde ficou conhecida esclareça mais que tudo o resto: Atalantë.

A escrita de Tolkien é repleta de simbolismo e não é difícil encontrar várias “lições” em cada capítulo. No que toca à vida humana é quase uma manual que lá se encontra, nomeadamente sobre a morte, “a dádiva” como diz Tolkien. Não sei se a morte é uma dádiva, mas depois de ler esta história, obviamente ficcionada, acerca de Elfos e deuses, seres imortais, interrogo-me acerca disto, pois nem sempre a vida eterna é uma graça ou um dom, pois por vezes pode ser um tormento, digo eu.

Adorei o que li até agora e espero que a última historia seja, no mínimo, tão boa como foram estas, que apesar de diferentes, marcaram pela excelência e imaginação. Realmente Tolkien é o “pai” do Fantástico. Quando acabar de ler todo o livro voltarei a falar dele, por agora, fico por aqui.

Fazendo agora um aparte: tenho visto imensas coisas sobre o filme Eragon, a estrear no próximo dia 17, e estou curiosíssimo. Sinceramente não estou a esperar muito do filme, mas quero ver o que vai sair dali.

Boa semana e Boas leituras (para relaxar)!!!

Publicado por Fábio J. às 19:01

Novembro 22 2006

Mais uma vez, o livro que escolho para expor e comentar chega a meio da semana. Acho que a esta altura já posso considerar normal, e provavelmente vai passar a ser sempre assim.

Não sabia mesmo que livro escolher, mas depois vi os best-sellers da semana dum site e houve um que sobressaiu entre os outros devido às questões que me levantou na mente. Trata-se de A Vida Nova de Orhan Pamuk, o escritor turco que conquistou o Prémio Nobel da Literatura deste ano, como já aqui foi referido.

Este romance, um dos mais lidos na Turquia, é uma parábola sobre o amor, a literatura e a identidade. Seguindo a narrativa vamos ao encontro de Osman, um jovem estudante universitário. Obcecado com um livro mágico que trata da natureza perigosa do amor e da personalidade abandona a casa, a família e os estudos. A bela Janan irá tornar-se a sua companheira na busca pelo significado dos segredos mais obscuros do livro. Começa assim uma odisseia pelo coração da Turquia, onde o perigo se esconde a cada esquina e onde o amor não é um refúgio, tudo por causa dum livro. Considerada uma obra-prima da literatura universal, pelo menos agora...

O que me chamou a atenção foi a rapidez com que um autor pouco conhecido passou a estrela mundial, e como as suas obras, de clássicos pouco falados passaram a verdadeiros pontos de referência para os leitores actuais. O mesmo se passou com José Saramago, “O Nobel”, como gostam de dizer muitos portugueses.

É lógico que estamos a falar duma das maiores distinções literárias (e de outras áreas, claro) do mundo, e que não existe melhor publicidade do que o reconhecimento científico e formal dum trabalho, mas acho que é um pouco demais esta corrida pelo “Nobel”. Parece que a única coisa que importa não é a história, mas sim o prémio do autor. Não escondo que também já estive para comprar “um Saramago” só para saber como é, e que depois de ler sobre este autor me ocorreu ler também uma das suas obras, mas há que ter controle...

Seja como for, só depois de ler posso criticar dignamente, portanto, quem quiser arriscar neste autor vá em frente, e se já o leram digam alguma coisa...

Até breve e Boas (e premiadas) Leituras!!!

A Vida Nova - Orhan Pamuk

Publicado por Fábio J. às 19:39
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Novembro 20 2006

Não tenho actualizado o blog com muita frequência, no entanto, como seria de esperar, os meus momentos dedicados às leituras continuam a dar-me um grande prazer e conforto, então com este tempo frio...

Como já aqui mostrei, o livro que me tem acompanhado nestes últimos tempos é O Silmarillion, do inconfundível Tolkien. Não posso esconder que as primeiras leituras foram um choque, pois grande é a diferença entre a simples (mas sublime) escrita de Paolini e a profunda e complexa (mas não confusa) escrita de Tolkien. São formas de utilizar as palavras e de narrar completamente diferentes, mas acho que as razões saltam à vista...

Este livro que agora me acompanha é composto por 5 histórias, as duas primeiras que servem de introdução (por assim dizer) à terceira, e outras duas que não estão directamente ligadas às outras. São elas Ainulindalë, Valaquenta, Quenta Silmarillion, Akallabêth e Dos Anéis do Poder e da Terceira Era, respectivamente. A maior de todas, também denominada como A História dos Silmarils, é a terceira e a que ando a ler.

Posso, então, falar um pouco das duas primeiras histórias (tentando não fazer spoiler), que se revelaram uma verdadeira surpresa. Nunca, em todo o meu percurso ou pesquisa literária, encontrei uma narração que retratasse, duma forma tão exaustiva e completa a origem de tudo, e quando digo tudo refiro-me a mesmo tudo. Desde um nada até um local habitável, Tolkien narra-nos duma forma mítica e profunda todos os acontecimentos que formaram Arda e os seus transformadores. Todos os passos são contados com uma beleza e simbolismo marcantes, um assombroso mundo de poder e força que me deixou deslumbrado.

Desde o princípio nota-se a grande utilização de sinónimos ou cognomes por Tolkien e não é invulgar encontrar personagens com quatro ou cinco designações, sendo que o autor usa cada uma como bem entende. Isto obriga-me a utilizar um glossário que se encontra no final do livro que faz parte dum conjunto de apêndices, com um total de 50 páginas, onde é possível encontrar desde árvores genealógicas, notas de pronunciação ou um mapa.

Já na história que agora leio, as descobertas foram ainda maiores. Também pela primeira vez li a origem das raças que hoje habitam em tantos livros de fantasia. Sejam os Anões, os Elfos ou mesmo os Homens, todos têm uma origem encantadora e diferente. Foi uma boa maneira de começar uma história tão arrebatadora, pois hoje, mais do que nunca, compreendo as atitudes destas diferentes raças descritas em tantos livros.

Descobri também um lado novo nos Elfos, um lado que desconhecia de todas as histórias que até agora conheço, mas isso é assunto para outro post.

Em breve voltarei para escrever mais um pouco sobre esta história, mas por enquanto posso apenas dizer que estou a adorar. Como estou um pouco doente acabo por aqui, mas volto em breve.

Boa Semana e Boas leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 18:46

Novembro 17 2006

Hoje escrevo sobre algo que vem demonstrar o crescimento do Fantástico em Portugal. Refiro-me ao Fórum Fantástico 2006, um conjunto de palestras, debates, lançamentos, sessões de autógrafos, entre outras iniciativas que englobam as várias vertentes do género Fantástico, nomeadamente na literatura.

Desde ontem, dia 16, e até Domingo dia 19, que as obras deste tema, os seus autores e a sua influência têm sido debatidas, dando a conhecer ao público em geral o trabalho de criadores e académicos nacionais e estrangeiros na área do Fantástico, tentando ainda incentivar e enriquecer o estudo e o debate sobre o Fantástico em Portugal.

Este acontecimento, a decorrer na Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro, em Lisboa, e no auditório IPJ no Parque das Nações, são a prova de que este género está bem presente no nosso país e que é para durar.

Não são apenas os Elfos e Anões de Tolkien (considerado o “pai” de género) que fazem parte deste mundo. Hoje, graças à imaginação de muitos outros criadores, é possível viajar por vários mundos, todos eles diferente, mas ao mesmo tempo, capazes de nos fazer esquecer que existe um mundo para além desse.

É importante perceber que este género, considerado por muitos infantil e demasiado ficcionado, está neste momento a tornar-se num género de eleição para miúdos e graúdos, o que só demonstra o quão capaz e interessante é. Veja-se o exemplo de Harry Potter ou da Trilogia da Herança, ou dos filmes de O Senhor dos Anéis, de As Crónicas de Nárnia ou até de Os Piratas das Caraíbas, todas histórias ligadas a este mundo e que têm feito sucesso em tudo o mundo, em todas as gerações e no entanto, todas diferentes.

Eu não escondo que é o meu género por eleição, e embora goste de vários outros temas, este tem sempre aquele sabor especial, pois é o que mais longe me leva, o que me mostra mundos mais diferentes, e assim, mais interessantes.

Quem tiver oportunidade pode usar um pouco do tempo do seu fim-de-semana e participar neste invento, quem não tiver pode sempre continuar (ou começar) a deliciar-se com este tema.

Bom fim-de-semana e Boas (e fantásticas) Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 18:47

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