Janeiro 31 2007

Já não apareço por cá há algum tempo, mas acreditem que não é por falta de tema. É sim por cansaço e falta de tempo. Ninguém tem uma vida fácil, a verdade é essa, mas não fiquem a pensar que me que estou a queixar. Quanto a leituras? Vou bem obrigado, até porque Anders 2 está a revelar-se uma surpresa (positiva), mas não vou referir muito esta obra para não ter de voltar atrás com a palavra, como no antecessor.

Hoje trago até ao blog um autor que me chamou a atenção de tanto aparecer nas montras. Para além das boas críticas, o nome também ajuda: Haruki Murakami, um escritor e tradutor japonês.

Este escritor de ficção centra-se em narrativas do quotidiano da sociedade japonesa juntamente com verdadeira fantasia mítica. Não faltam as descrições pormenorizadas e as personagens enigmáticas. Este livro não é excepção.

Considerada a “obra-prima do maior escritor de culto da actualidade”, Crónica do Pássaro de Corda conta-nos a história de Toru Okada, um jovem japonês. Vivendo na mais banal normalidade, Toru vê a sua vida mudar drasticamente graças a um telefonema anónimo que acaba por lhe trazer problemas: começam a aparecer personagens cada vez mais estranhas em seu redor e o real acaba por se transformar em algo fantasmagórico e surreal.

Todo o seu mundo ganha uma componente mágica, os sonhos invadem a realidade e, pouco a pouco, Toru a sentir necessidade de por um ponto final em todos os problemas e conflitos que carregou, e negou, durante toda a sua vida.

Este livro conta com uma galeria de personagens tão surpreendentes como profundamente autênticas e, quase por magia, o mundo quotidiano do Japão moderno aparece-nos como algo estranhamente familiar.

Considerada “uma experiência difícil de esquecer” pelo El Pais, este livro foi já premiado e é descrito como a obra-prima de Murakami, um ficcionista do momento.

Talvez seja um estilo diferente do habitual e, como tal, merece ser tido em atenção pelos apreciadores do género...

Até breve e Boas Leituras!

Crónica do Pássaro de Corda de Haruki Murakami

Publicado por Fábio J. às 19:03

Janeiro 24 2007

Estes dias têm sido bastante ocupados e qualquer momento de descontracção tem de ser bem utilizado. Hoje tive “feriado” e aproveitei, juntamente com grande parte da minha turma, para “ir dar um volta” pela cidade. Não chegamos a ir a nenhum lugar concreto, se é que me entendem, mas entre lojas de animais e centros comerciais passamos, como é lógico, por diversas livrarias. Não pude deixar de reparar que, como já aqui foi referido, a grande maioria dos livros apresentavam títulos sobre o Graal, Maria Madalena, Cristo, Templários, com muito pouca diversidade.

Esta “crise” de falta de originalidade, por mais debatida que seja, chama-me sempre a atenção. Quem ocupou a minha atenção neste últimos tempos foi também O Mistério da Atlântida, que acabei no passado Domingo. Esta história de ficção, de David Gibbins, é mais do que um simples romance e bastante mais do que literatura histórica. Verdadeiros factos político-sociais podem ser encontrados, mas toda a história é bastante manipulada pela imaginação.

Graças a uma descoberta arqueológica no Egipto, a outra no fundo Mar Egeu e a mais algumas no Mar Negro, várias peças pedidas são finalmente encaixadas, formando um puzzle, acima de tudo, bastante surpreendente. Numa destas descobertas, Jack Howard, um arqueólogo subaquático, acaba por descobrir um disco especial e misterioso que lhe abrirá as portas da Atlântida.

Recheada de coincidências, esta história apresenta uma teoria (ficcionada, logicamente) sobre a criação, localização, fim e influência desta grande civilização-mãe. Os factos bíblicos e científicos não faltam e a forma grandiosa como esta civilização nos é descrita dá-nos vontade de a tornar real para a puder observar de perto.

Com uma mistura de todas as grandes civilizações, a Atlântida é nos apresentada como a página que faltava na história dos primórdios da Humanidade, página essa que mudaria mentalidades. Sendo narrada com acções terroristas e acontecimentos geológicos como pano de fundo, esta história apresenta momentos aborrecidos, devido, sobretudo, à grande quantidade de termos técnicos, e momentos de bastante interesse e empolgação.

Gostei, e se alguns o classificam como “uma espécie de Código Da Vinci nas profundezas do oceano”, eu diria antes que é uma história bastante criativa e problematizadora, mestra em pormenores e suspense.

Para quem gosta de questionar o passado!

O Mistério da Atlântida de David Gibbins

Até Breve e Boas Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 19:20

Janeiro 20 2007

O facto de ter bastantes coisas para fazer e do tempo ser pouco, atendendo ainda à preguiça de fim-de-semana, faz com que publicar algo no blog se torne complicado. O facto de mal conseguir arranjar tempo para ler também não ajuda. Mas cá estou eu...

Esta semana vários livros interessantes foram lançados, pelo menos assim me pareceu, e fiquei tentado em destacar aqui um deles, Idiotas – Cinco Contos de Fadas, pois pareceu-me ter uma premissa bastante interessante: “Imagine que uma fada lhe concede um desejo. Vai conseguir pensar no tal desejo?”

De Jakob Arjouni, um romancista alemão já premiado, chega-nos este inteligente e crítico livro, a sua primeira obra traduzida em português, fruto duma cooperação que tenta ligar a Alemanha e a cultura lusa.

Imaginem que uma fada vos dá a oportunidade de realizar um desejo. Essa fada, que não é uma fada comum mas uma funcionária administrativa, alerta-vos para que não podem escolher nada relacionado com a Imortalidade, a Saúde, o Dinheiro ou o Amor e que os desejos nem sempre resultam da forma que esperamos, pois como em todas as outras coisas na vida, a satisfação de um desejo tem sempre, pelo menos, duas faces.

Será que, assim, seríamos capazes de arriscar pedir algo que tanto queremos, mesmo sabendo que corremos riscos? Ou optaremos por resistir à tentação e jogar pelo seguro?

Nesta obra encontramos cinco contos de fadas modernos sobre pessoas que vivem mais nas suas fantasias da vida do que na própria realidade, que preferem viver melancolicamente com as limitações do que aceitarem a oportunidade de crescer, pessoas que escolhem baixar a cabeça em vez de encarar o seu verdadeiro retrato, um retrato de pessoas... como nós.

Ironia e melancolia marcam este livro no qual o autor descreve sem rodeios uma sociedade de homens e mulheres que teima viver destinada ao fracasso imposto pelos agentes limitadores do nosso mundo.

É um livro diferente, sem dúvida, mas ai é que reside o interesse.

Eu não sei o que desejaria, nem se desejaria, mas talvez valesse a pena correr o risco. Mas o melhor é ficar à espera que uma fada me bata à porta e me ofereça a concretização dum desejo...

Idiotas - Cinco Contos de Fadas de Jakob Arjouni

Até Breve e Boas (e diferentes) Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 19:49

Janeiro 15 2007

Segunda-feira tem sido o meu dia de eleição para fazer textos errantes para este blog, textos sem uma grande linha orientadora e nos quais dou a minha opinião sobre algo do mundo literário que vagueia pala minha mente. Hoje não será excepção.

Os mais atentos devem já ter reparado que neste momento leio O Mistério da Atlântida, uma história que mistura varias ciências e teorias, sendo que todas convergem para um único ponto: a descoberta da mítica Atlântida. Vou a meio da história e estou bastante entusiasmado com o seu desenrolar intenso e bastante persuasor.

Quando falo em persuasão refiro-me à credibilidade que, ilusoriamente, muitos livros, principalmente romances históricos, transparecem aos seus leitores. No envolvimento que com um livro, durante a ligação entre livro e leitor, no qual ambos se fundem e são um só, tudo parece real, por mais fantástico e inacreditável que seja. O único problema aparece quando, fora dos momentos de leitura, a nossa racionalidade confunde a ficção com a realidade.

Desde o já tão referido O Código da Vinci que um novo género de romances tem crescido rapidamente: os romances históricos. Estas histórias não se limitam a transparecer a imaginação, usam também factos reais do passado, ou teorias acerca de episódios menos claros e mais lendários. Muitas vezes são nos dadas provas, totais ou fruto de ligações supostamente lógicas, que não parecem ser questionáveis, e mesmo quando nos é dito que tudo presente no livro é pura imaginação do autor, a história é construída sobre bases tão firmes e afirmativas que ficamos na dúvida.

Narrações sobre a vida de Cristo e a religião, a origem da Atlântida, a história do rei Artur, a queda do Império Romano ou os próprios descobrimentos portugueses, têm sido base de muitos destes romances.

O que me fez pensar é que, se até à algum tempo se dizia que ler, nomeadamente livros com fundos históricos ou científicos, aumentava o nosso intelecto, não sei se com tantos factos a parecerem verdadeiros e a serem falsos não estaremos perante uma leitura com consequências não tão felizes.

Não quero com isto dizer que ler confunde ou prejudica os nossos conhecimentos, longe disso. Apenas chamo a atenção para esta corrida feita por muitos autores. Uma corrida em busca de factos arrebatantemente credíveis e com uma poderosa façanha de marketing.

Esta mistura de histórias reais com estórias imaginadas é sem dúvida fascinante e muito interessante, resultando em obras, muitas vezes, de alta qualidade. Só me pergunto até que ponto estaremos nós preparados para sermos bombardeados com informação científica e histórica errada, sendo que em muitas áreas nunca teremos oportunidade de nos corrigirmos.

São verdades falsas que percorrem e satisfazem as nossas mentes.

Até Breve e Boas Leituras.

Publicado por Fábio J. às 21:12

Janeiro 09 2007

Todos nós temos a nossa maneira de funcionar e de pensar, pois estabelecemos relações entre factos e ideias de forma diferente. Quando não compreendemos ou não somos compreendidos, apenas somos vítimas das incompatibilidades das diferentes relações que cada um formula, portanto, não existem culpados. Hoje assisti a uma situação onde isto não foi tido em conta. Nos livros, por exemplo, muitas das relações são totalmente definidas por nós, logo não existem obstáculos à compreensão.

A propósito do post de ontem, hoje divulgo uma obra em português. Não um livro, mas sim uma colecção de fantasia, já descrita como “a primeira obra escrita por um português no género high fantasy". Com o primeiro volume lançado em 2002, as Crónicas de Allaryia são já uma série premiada e com entusiasmados fás.

Com já quatro volumes editados pode-se dizer que este autor, com declaradas referências em Tolkien, tem já um lugar ocupado no género em Portugal. Com A Manopla de Karasthan, Os Filhos do Flagelo, Marés Negras e A Essência da Lâmina, os fás chegam mesmo a classificar esta série como “a evolução de Tolkien”.

Estas crónicas narram a demanda heróica de Aewyre Thoryn e dos seus companheiros em busca do desaparecido rei Aezrel, pai de Aewyre. Pelo caminho defrontam-se com as várias forças do mal e criaturas bizarras de toda a espécie, tal como é característico do género. No entanto, nesta história de Filipe Faria, as personagens femininas têm um maior protagonismo do que é costume, e o sexo não é escondido.

Até ao terceiro volume a demanda em socorro do rei leva-os até Asmodeon, o reduto do inimigo. Mas com a confirmação do falhanço e com o regresso do Flagelo a história ganha um novo impulso que só pode ser descoberto com a leituras.

Por isso mesmo aqui está a referência a esta intrigante história, que para além de ser portuguesa e merecer a nossa atenção é também dona de grande qualidade e imaginação.

Mais uma história que os amante de fantasia não devem perder, e na qual deposito bastante perspectiva.

Até breve e Boas Leituras!!!

A Manopla de Karasthan - 1º volume das Crónicas de Allaryia

Publicado por Fábio J. às 18:24

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