Maio 30 2007
Sou realista. Este blog está a perder interesse de dia para dia, muito por causa da desactualização. Para além disso, o pouco tempo que tenho para fazer algo aqui nem sempre é assim tão rentável. Preciso mudar a rotina e o ar do blog, e, portanto, haverão alterações em breve. As férias, que finalmente estão a chegar, também proporcionarão tempo e disposição para voltar a dar vida aos posts. Até lá, peço desculpa pela monotonia.
Mas as notícias continuam! Faz sexta-feira um ano que o Plano Nacional de Leitura, o LER+, se tornou uma realidade na sociedade portuguesa. Sou sincero: durante este ano não me recordo de uma única vez que este “plano” tenha chegado até mim, muito menos influenciado as minhas leituras. Mas os ministérios da Educação, da Cultura e dos Assuntos Parlamentares não podiam louvar mais esta actividade anual.
Hoje não tive aulas, devido à grave, e foi ao ver as notícias, ao início da tarde, que recebi esta informação. Segundo consta, um milhão de crianças, do ensino pré-escolar ao 2º ciclo, participou nas iniciativas do PNL ao longo de um ano de actividade, tendo havido, segundo os responsáveis, “uma participação muito expressiva da sociedade civil e dos agentes ligados ao sector”; se eles o dizem...
É, sem dúvida, muito louvável que haja este incentivo à leitura, tentando assim diminuir os níveis de iliteracia em Portugal. O projecto foi direccionado, principalmente e como já foi dito, aos alunos que frequentam desde o ensino pré-escolar ao 2º ciclo, com sugestões literárias e actividades de leitura e escrita. Talvez tenha tido a sua importância com os membros mais novos da nossa sociedade, já com os outros é outra história.
Apesar de apoiar, não acredito assim tanto na força de persuasão ou influência desta iniciativa, e muito menos em alguma mudança de mentalidades e hábitos revolucionária, como os responsáveis parecem querer passar. Não nos adianta comparar os níveis de literacia de hoje com os de há 30 anos atrás, afinal a taxa de analfabetismo era, até há alguns anos, verdadeiramente vergonhosa em Portugal (não que agora seja reconfortante).
Deixando de críticas, o importante é que o governo português manifestou a sua preocupação com a iliteracia e as derivadas consequências, pondo mãos à obra e tentando, pelo menos, mudar mentalidades e hábitos. Por algum lado temos de começar e acho que vamos num bom caminho, embora íngreme.
Resta-me desejar que este seja um ano mais proveitoso e que realmente os hábitos de leituras em Portugal cresçam, fazendo acender a paixão pelos livros. Neste blog, faz-se por isso.
Até Breve e Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 21:50

Maio 25 2007
Esta semana realizou-se uma pequena feira do livro na minha escola, mais uma entre as várias que este ano já se realizaram. Provavelmente foi a última deste ano lectivo, mas posso afirmar que pelo menos a minha escola cumpriu o seu papel, no que toca ao incentivo à literatura.
Não comprei nada, até porque a variedade era pouca e muito inclinada para a ficção conspirativa, com bastantes Dan Brown’s. A par com isto, comecei com o último livro que me esperava na prateleira, O Legado de Hastur, uma vez que acabei O Senhor dos Anéis – As Duas Torres há alguns dias.
Este último livro lido foi de leitura agradável. Vi-me, até, a lutar contra o sono e contra o tempo para conseguir ler determinadas partes da obra, tal era o meu interesse. Não digo que tenha ficado realmente encantado com a narrativa, pois tal como no antecessor existem aqui poucos momentos de real descoberta, contudo, como existem e como houveram momentos de entusiasmo e surpresa a minha opinião sobre a trilogia melhorou.
Um ponto de fundamental referência quanto à obra é o facto desta estar dividida em duas histórias paralelas, diferentes mas que ocorrem simultaneamente. Locais diferentes, heróis diferentes, objectivos e acontecimentos diferentes dão corpo às histórias que naturalmente estão intimamente relacionadas. Se tivesse de escolher uma, e apesar de ter “defendido” os hobbits em A Irmandade do Anel, escolheria a primeira parte.
A história começa com a desagregação da Irmandade, e acabamos por seguir Aragorn, Legolas e Gimli na sua busca pelo hobbits raptados. É a partir desta incessante busca que tem início a história, e com ela as novidades. Se no primeiro volume da trilogia os pormenores diferentes do filme eram bastante interessante, neste continuam a sê-lo até porque, arriscaria dizer, as diferenças são substancialmente maiores.
Gostei bastante dos acontecimentos relacionados com os Ents e a guerra no Abismo do Elmo (que indubitavelmente perdem pontos no filme), mas foi a queda de Saruman que realmente me espantou e entusiasmou. É daqueles capítulos que nos ficam na memória...
Pouco acontece depois destes acontecimentos e o resto fica para contar no próximo volume, uma vez que seguiu-se a segunda parte do livro, aquele na qual nos é descrita a aventura de Frodo, Sam e, mais tarde, Sméagol. Aqui a narrativa dedica-se mais à aventura pessoal de Frodo e aos seus conflitos internos. É uma descrição bastante rotineira, daí não ter o mesmo interesse que a primeira parte, mais viva.
Mesmo assim continuo a achar piada aos hobbits e gostei de vê-los contornar os seus obstáculos. Se me é permitido dizê-lo, acho Frodo um pouco “lento”. Ainda bem que ele tem lá o Sam, com a sua impulsividade! O final prova isto que estou a afirmar.
Generalizando, não posso deixar de dar os meus elogios à obra, continuando a afirmar que é mais estimulante que a antecessora. Agora resta-me ler O Regresso do Rei e esperar que seja, no mínimo, tão bom como este livro.

O Senhor dos Anéis - As Duas Torres de J. R. R. Tolkien

Bom fim-de-semana e Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 22:47

Maio 20 2007
Sei que um blog desactualizado é um blog sem interesse, sem vida. Acreditem que gostava de o ver dinâmico, todos os dias, mas não foi possível, exactamente pelos mesmos motivos da semana passada. Peço desculpa pelo que aconteceu e agradeço a compreensão.
E como estive uma semana ausente trago, hoje, notícias passadas. Na passada sexta-feira foi atribuído o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores (APE) 2006 e este blog não podia deixar passar este acontecimento em branco.
Este galardão, que já distinguiu 21 autores portugueses, entre os quais Agustina Bessa-Luís, Vergílio Ferreira e António Lobo Antunes, corresponde a 15 mil euros e, claro, publicidade, prestígio e reconhecimento. Para o prémio foram admitidas 92 obras publicadas em 2006, mas houve apenas um vencedor.
Maria Gabriela Llansol, com o livro Amigo e Amiga – Curso de Silêncio de 2004, foi a vencedora. De ascendência espanhola, nasceu em Lisboa em 1931 e é considerada uma das mais inovadoras escritoras da ficção portuguesa contemporânea. É a segunda vez que a escritora é galardoada com este prémio, depois de o ter obtido, em 1990, com Um beijo dado mais tarde.
É tida por outros autores como uma escritora “de difícil acesso”, com “um lugar único” na literatura portuguesa, “nem acima nem abaixo dos nossos maiores”, e a obra premiada, dizem outros, “não têm valor como um todo mas pelo brilho de algumas frases, duas ou três frases que às vezes surgem e que valem o livro”.
Os livros da autora estão fora de qualquer género literário e os seus livros “não são para ser lidos como outros são”. Amigo e Amiga continua a ser uma divagação, uma divagação que alguns balizam por Lobo Antunes e Saramago.
É alguém que realmente sabe escrever, alguém que verdadeiramente vive a literatura.
Não é a distinção que me fará correr a uma livraria para ler a autora, com o livro vencedor, no entanto, fica aqui a marca para que quem quiser aventurar-se nas suas palavras possa faze-lo, ou, pelo menos, para guardar este nome na memória.
Espero voltar em breve. Até lá, boa semana e Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 18:42

Maio 13 2007
Falta de tempo e problemas (ainda não resolvidos) com o computador fizeram com que só hoje pudesse publicar algo. Para além disso, não existem grandes novidades sobre o que ando a ler. Desde já as minhas desculpas pelo tempo de desactualização.
Mas para aqueles que se perguntam sobre novas da Trilogia da Herança, de Paolini, trago aqui notícias do Eragon-Shurtuga, embora não oficiais. Segundo consta a data de lançamento do 3º e último livro da trilogia será divulgada neste Verão. Mais do que isto é pura especulação.
A ocupação também não me deixou avançar muito em As Duas Torres, mas pela metade que já li este parece ser um livro mais dinâmico do que o primeiro da trilogia. Mas só no final poderei dar opinião.
Como já há uma semana que não passo por aqui, eis a altura de publicar algo sobre um novo livro. Desta vez toca a Daniel Silva, com a sua obra A Mensageira. Americano, neto adoptivo dum açoriano mas que nunca visitou os Açores, tem 44 anos e é judeu, apesar de ter sido educado como católico. Descreve-se como “um tipo simpático (...) e que, por acaso, escreve bons livros”, mas a realidade é que os seus livros têm um carácter assumidamente comercial. Já escreveu 8 e foram todos best-sellers.
Os seus livros giram em torno da conspiração, num género claramente pós-Código da Vinci, onde politica, religião e sociedade lutam em segredo. Tem 4 livros publicados em Portugal, pela Bertrand: O Confessor, Príncipe de Fogo, Morte em Viena e A Mensageira, por ordem de publicação.
Em A Mensageira acompanhamos Gabriel Allon, um restaurador de arte e espião que está prestes a enfrentar o maior desafio da sua vida. Tudo começa quando um alegado simpatizante da Al-Qaeda é morto em Londres, e no seu computador são encontradas fotografias que levam os serviços secretos israelitas a desconfiar de que a organização terrorista prepara um dos mais arrojados atentados de sempre, no coração do Vaticano.
O Vaticano é alertado mas o inimigo já se infiltrou. A partir daí, Allon irá travar um mortífero duelo de astúcia contra um dos homens mais perigosos do mundo que o levará de uma galeria londrina a uma ilha paradisíaca nas Caraíbas, a um isolado vale na Suíça e, por fim, de regresso ao Vaticano.
“Com a sua intriga intensa e imprevisível, A Mensageira consolida a reputação de Daniel Silva como o melhor autor de thrillers internacionais da sua geração”. “Uma narrativa fascinante de enredos, poder e vingança, pelo campeão de vendas do New York Times, um dos melhores escritores mundiais de ficção de espionagem.”
Assumido como um escritor para entretenimento, Daniel Silva é ainda um autor pouco conhecido em Portugal (quem sabe por causa do nome) mas que começa a conquistar verdadeiros fãs. Comparado a John Le Carré, Graham Greene ou Tom Clancy (mestres de romances em que a espionagem e a guerra fria eram paraíso e purgatório), este é um escritor que fará o leitor passar bons momentos.
Eu lerei...   
A Mensageira de Daniel Silva
Boa Semana e Boas leituras!
Publicado por Fábio J. às 20:02

Maio 06 2007
Existem factos que nos fazem querer ler determinada história que pouco conhecemos, dum autor que nunca lemos. Um deles é a futura adaptação cinematográfica do livro, pois é sempre melhor ler primeiro e ver depois.
O livro em questão é o primeiro da trilogia Mundos Paralelos, Os Reinos do Norte, de Philip Pullman. O filme, com titulo original The Golden Compass conta com, por exemplo, Nicole Kidman, Daniel Craig, Sam Elliott, Eva Green, Ian McShane e a estreante Dakota Blue Richards, é realizado por Chris Weitz, na New Line, e estreará a 7 de Dezembro deste ano. Visitem o site, conheçam melhor a história e descubram o vosso Daemon. Eu adorei o meu. Mais tarde desenvolverei este tema, mas irei ler o livro logo que possa.
Mas se este é um livro que pretendo ler existem outros que já foram lidos. Refiro-me a O Guerreiro Lobo, de Sandra Carvalho, a continuação do fantástico A Última Feiticeira, que tanto gostei.
Esta história começa onde a anterior termina. Catelyn, a jovem protagonista, encontra-se na Terra Antiga, o lar dos bárbaros viquingues que acabam por se tornar o seu povo amado, aquele pelo qual luta como se fosse seu. Para esta relação, muito contribui Throst, aquele pelo qual o coração da Pequena bate mas que confunde a sua razão, as suas decisões.
A história segue o rumo da anterior: Catelyn precisa de reunir força e sabedoria suficientes para cumprir a sua missão de vida, missão essa que pretende acabar com Myrna, a destruidora da sua família. Mas se no início encontramos uma heroína pessoal, que luta pela vingança da família, depressa nos deparamos com uma heroína colectiva, que luta pela salvação dos povos, pela salvação do mundo.
Mistérios desvendados, profecias cumpridas, visões que balizam o futuro e reflexões de personagens são acontecimentos usuais na história. O amor e a guerra são os propulsores e pontos fortes, mas é o aprofundar da história e o conhecimento das suas raízes, através das personagens, que nos deixam o queixo caído.
Continua a ser um enredo admirável, mas alguma da magia do primeiro volume perde-se neste. Para começar a história perde um pouco do ritmo graças à monotonia da narração, gerada pela indeterminação das personagens, e como se não bastasse, a relação entre as principais personagens não poderia parecer mais infantil. “Adoro-te”, “ Detesto-te”, “Quero-te” e “Vai te embora” são expressões recorrentes do casal. A sua mágica relação fascina-me, mas há que admitir que o recorrente “amor sofrido” acaba por ser irritante.
Mais uma vez as sensações que o livro transmite fizeram-me esquecer os seus defeitos e ama-lo. Na Terra Antiga Catelyn torna-se uma mulher e descobre o amor... e a dor. Vi-me sorrir com a sua alegria e sofrer com a sua tristeza. Lá encontra a sabedoria da Lágrima do Sol e da Lágrima da Lua e torna-se forte, afinal ela é a última Feiticeira nascida na Terra.
Quando o retorno para a Grande Ilha acontece, o mundo de Cat volta a desmoronar-se, mas eis que a batalha acontece e por fim a rival é vencia, sem grande “espectáculo”, verdade seja dita, mas com grande simbolismo. Por fim a vida da Catelyn volta à paz desejável, mas todos sabem que outros inimigos poderosos, feitos nesta história, irão atacar.
O livro acaba com um final feliz e com uma verdadeira prol infantil que irá, certamente, continuar a dar vida à Saga das Pedras Mágicas, mas todos sabem que o perigo e novas batalhas esperam estas crianças. O futuro está nas suas mãos, assim como a continuação da história em Lágrimas do Sol e da Lua.
Acredito que este seja o “fim “ de Catelyn McGraw e Throst, e de muitas outras personagens que adorei conhecer e que me fizeram sonhar. Resta-me recomendar o livro e esperar pelo próximo para confirmar as suspeitas e continuar a fantástica história.
O Guerreiro Lobo de Sandra Carvalho
Bom Dia mundial do Riso e Boa Semana!
Publicado por Fábio J. às 20:09

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