Outubro 31 2007
Nunca pensei ficar tão aliviado por começar a escrever um texto para o blog. Mas a fórmula para esta boa disposição é simples: tentem fazer um relatório de grupo para entregar no dia seguinte, no messenger. Irão ver que a pressão arterial começa a subir, que a palavra stress nunca teve tanto significado, e que depois de 30 minutos estão a agredir o monitor. Depois disto, escrever para o blog é a actividade mais agradável e calma do mundo!
Seja como for, tinha de escrever este post. A primeira razão está na divulgação da data de lançamento do terceiro livro do Ciclo da Herança, de Christopher Paolini. E não, não me enganei, é mesmo Ciclo da Herança e não Trilogia e, já agora, este terceiro livro não será o último, como sempre foi dito, mas sim o penúltimo. Duma trilogia passamos para um ciclo com quatro volumes. A justificação está no tamanho da obra e, se assim for, concordo com a decisão, já que um livro demasiado pesado torna a leitura complicada. Sendo assim, a editora divulgou que este terceiro volume, ainda sem título oficial, será lançado, em inglês, a 23 de Setembro do próximo ano.
A outra razão é a publicação, em Portugal, do segundo livro duma trilogia que também vem lá dos States e que conduziu o último Harry Potter para o segundo lugar dos tops naquele país, tendo um admirável número de fãs, principalmente do sexo feminino. Refiro-me à trilogia Luz e Escuridão, de Stephenie Meyer.
Apesar da comparação com a saga do jovem feiticeiro, desengane-se quem pensar que nesta história encontrará feiticeiros de varinha em punho. A fantasia continua a estar presente, mas é o romance e o drama do enredo que têm conquistado leitores um pouco por todo o mundo. Na história, os vampiros dão o toque de originalidade, e tudo começa quando Bella, uma normal rapariga, conhece Edward, um interessante rapaz que, imagine-se, tem um apetite especial pelo seu sangue.
É a partir desta premissa que se desenvolve Crepúsculo, o primeiro livro da trilogia da qual também fazem parte Lua Nova e Eclipse, respectivamente segundo e terceiro volumes.
Hoje, dia das Bruxas, foi lançado em Portugal o segundo volume. A editora Gailivro preocupou-se duma maneira especial com a promoção desta obra e entre as várias actividades desenvolvidas encontra-se o blog oficial da trilogia no nosso país. Para quem desejar conhecer melhor este romance, no qual a luz e a escuridão caminham lado a lado, poderá ser uma ajuda.
Por um lado, os números falam por si, mas mesmo assim esta não é uma história que me chame a atenção. Romances nos quais o amor sofrido e a tragédia são os pontos principais não me costumam aliciar, e esta obra não foi excepção.
Ainda assim, caso alguém queira partilhar a sua opinião, terei todo o gosto em aprofundar este assunto.
Sem mais delongas, aproveitem o feriado e este novo mês e, claro, Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 23:33

Outubro 26 2007
Embora o trabalho tenha sido muito, começa a crescer em mim uma vontade de devorar livros inteiros, de me enterrar numa história até fazer parte dela. Acho que é do frio: sabe cada vez melhor ler aconchegado, no quentinho. E talvez seja já a proximidade do Natal; não que o acho próximo mas porque nas ruas já se começam a ver as tradicionais iluminações natalícias.
Este meu apetite reflectiu-se nos últimos momentos de Igorj de Harmeling – O Escolhido. Mas neste caso à vontade de ler juntou-se a dinâmica da própria narrativa, que, na conclusão desta obra, era quase hipnotizante.
Escrevo sobre o primeiro livro da trilogia O Tratado dos Magos, assinada por Ana Paula Cabral, uma premiada jornalista, antiga pivô do Telejornal da RTP, convertida em autora de fantasia. E mais uma vez me foi provado que um escritor de fantasia nacional pode ser original e criativo, legando-nos uma obra interessante.
Quando comecei a ler a história, fiquei um pouco desorientado com tudo o que me foi apresentado, tanto personagens como locais, costumes e a própria sociedade. Gostava de ter visto alguns aspectos mais aprofundados, mas este meu desagrado veio a revelar-se precipitado.
Nesta história, elfos e anões, druidas e levitas, feiticeiros e centauros, todos nos são apresentados sob perspectivas inovadoras, numa mistura exótica e dinâmica. Desengane-se quem pensar nestes seres enquadrados noutras histórias: aqui domina a imaginação ilimitada e tudo é diferente, estando reunidos vários seres mitológicos e elementos da habitual fantasia duma forma extraordinária.
Na tradicional luta do bem contra o mal, encontramos Igorj, um rapaz amaldiçoado à nascença pelo feitiço das trevas, criado pelas fadas dos quatro elementos, que tem como missão manter a paz em todos os oito reinos de Pangeous, um continente ameaçado por um estranho feiticeiro, Mílan, que pretende restituir um antigo mal que ameaça renascer e conduzir todos os povos para o caos.
Se numa primeira fase a narrativa parecia vã, a determinada altura os acontecimentos passam a sucederem-se a uma velocidade contagiante, capaz de revolucionar a maneira de interpretar a história. Numa luta desesperada contra o tempo, Igorj e os seus aliados tentam travar a maldição que o fará perecer, bem como à esperança de todos os povos. Traições, amores, mistérios e acção: os ingredientes estão dados.
A. P. Cabral apresenta-nos um enredo impressionante, que domina e baliza de forma ímpar. O final é memorável e não existe outra alternativa a não ser a leitura do próximo volume.
Resta dizer que a história continua em A Clepsidra, com lançamento marcado para o início de 2008, e agradecer a grande simpatia e disponibilidade da autora. Um grande abraço!
 

Igorj de Harmeling-o Escolhido - Ampliar Imagem

Igorj de Harmeling - O Escolhido de A. P. Cabral
Bom fim-de-semana e Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 23:52

Outubro 21 2007
Nestes últimos tempos mal tenho tido oportunidade para vir até ao computador e à Internet, mas quando o faço encontro tantos temas sobre os quais publicar que tenho de seleccionar.
Por exemplo, acabei de descobrir que Albus Dumbledore, o director de Hogwarts, a escola de Harry Potter, é gay. Nunca tinha pensado na orientação sexual desta personagem com um passado tão misterioso e por isso esta revelação surpreendeu-me. Mais uma característica que torna esta personagem singular e misteriosa.
Depois são dois dos grandes lançamentos do mês, provavelmente da estação, pelo menos tendo em atenção o número de exemplares da primeira edição. 29€ é o preço de editor de Rio de Flores, o novo romance de Miguel Sousa Tavares, que sairá, dia 29, para as bancas numa edição com número excepcional: 100 mil exemplares, quando o habitual no nosso país muito dificilmente ultrapassa os 3 mil.
Também com uma tiragem elevada foi lançado O Sétimo Selo, do também jornalista José Rodrigues dos Santos. Desta vez o tema são os problemas que o nosso planeta enfrenta, como as alterações climáticas, o fim do petróleo barato e o facto de morrermos cada vez mais tarde.
Mas o que quero realçar neste post é o lançamento da Colecção Livros para Ouvir, por parte da 101 noites. Esta é, muito provavelmente, a primeira colecção de audiobooks (ou audiolivros, que o conceito já começa a ter fundamento em português) lançada em Portugal. Os seis audiolivros são narrados por seis conhecidos actores nacionais: João Perry, José Wallenstein, Alexandra Lencastre, Eunice Muñoz, Nuno Lopes e São José Lapa. Estes narram obras de Mário de Sá-Carneiro, Eça de Queirós, Florbela Espanca, Fialho de Almeida, Camilo Castelo Branco e Fernando Pessoa, respectivamente.
É possível comprar-se o livro impresso juntamente com o CD ou então comprar apenas a versão mp3, por 4,5€. Esta parece-me ser uma iniciativa louvável, tanto por tornar a leitura de clássicos mais fácil como por tornar possível a invisuais conhecer estas obras. Logicamente há quem beneficie economicamente com os produtos vendidos, mas só o facto de existirem é por si só uma mais valia. Agora dificilmente haverá desculpa para não conhecer as obras: no carro, no trabalho ou até no duche, as vozes dos actores estarão prontas a dar vida a todo um enredo.
Não é bem uma leitura, ou é-o mas não feita por nós. Ao invés duma relação entre nós, leitores, e o autor, através do livro, passa a haver uma relação entre o autor, o leitor e o ouvinte.
Adaptação aos tempos modernos ou facilitação exagerada duma actividade íntima? Seja qual for a resposta, para já, eu prefiro continuar a desfrutar dos meus momentos de leitura, nos quais apenas eu, com um livro na mão, me embrenho em histórias e enredos e encontro, em silêncio, as palavras que o autor propõe.
Boa semana e Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 20:06

Outubro 12 2007
Finalmente é fim-de-semana! Ufa! Estava a ver que não...
Hoje, logo que chego ao PC, deparo-me com as inevitáveis consequências de um novo Nobel da Literatura: o destaque nas livrarias virtuais, as páginas especiais, enfim, o habitual; e mais uma vez a Editorial Presença consegue publicar uma obra do galardoando em pouco tempo. O ano passado foi com A Vida de Nova, de Pamuk, e este ano é com O Sonho mais Doce, da premiada Doris Lessing, com lançamento marcado para o próximo dia 19. No ano anterior não sei, mas neste foi um grande golpe de sorte que ajudará consideravelmente nas vendas.
Mas este post é sobre outro livro, uma outra história que me acompanhou nos últimos dias: Goor – A Crónica de Feaglar I. Este é o primeiro livro publicado por Pedro Ventura, talvez mais conhecido na “comunidade virtual” por Sá Morais, o nome com que assina os posts dos seus blogs, nomeadamente em a Crónica de Feaglar.
Sendo uma obra de fantasia, seria de se esperar a influência de algum clássico, ou até mesmo de algum êxito internacional, mas a verdade é que Pedro Ventura consegue apresentar-nos uma história que está longe dos normais clichés do género e que prima pela originalidade. Desde logo a linguagem, a sua própria escrita, despertou a minha atenção; talvez por ser português e sentir as palavras duma maneira particular, o autor demonstra um domínio e um estilo que me agradou.
Antes de mais, devo realçar a parte física do livro: a capa não podia ser mais original, mas o que mais influencia a forma como a história é lida é a sua divisão. Não existem capítulos neste livro, quando muito três momentos diferentes, factor que nos faz continuar a leitura, sem querer parar.
Neste livro acompanhamos Feaglar, o rei de Dhorian, um dos Sete Reinos. A história passa-se num tempo conturbado, no qual as disputas políticas se alastram, lançando povos contra povos, em guerras sangrentas. Tudo isto se deve a Caliciada, a rainha dum dos reinos, que, orientada por objectivos pouco claros, vai lançando o caos e a morte.
Numa primeira fase, a história parece pouco consistente, já que os acontecimentos são pouco aprofundados e parecem não ter um grande propósito. Mas há medida que o enredo vai evoluindo e novas personagens nos são dadas a conhecer, dá-se um click e a acção multiplica-se. Cada página torna-se numa nova descoberta, deixando, no entanto, uma série de questões e mistérios por esclarecer.
Personagens ímpares, como a heroína Gar-Dena, dão um sabor especial ao enredo. Mas onde há heróis há vilões, e aqui, mesmo estes são sinal da criatividade sempre presente. É verdade que estas “crónicas” pretendem narrar a demanda em busca dum objecto especial que definirá os vencedores desta batalha, mas é na maneira como a demanda se processa que está o ponto forte da história.
Neste primeiro livro apenas nos são narrados os antecedentes e preparativos para o início da viagem até Goor e, portanto, a história sabe a pouco. Contudo, não tenho dúvidas que o próximo volume surpreenderá pela positiva e que a conclusão não desiludirá. E para isso não será preciso esperar muito já que o próximo volume, Goor - A Crónica de Feaglar II, que é também a conclusão da história, é lançado amanhã, em Viseu. Aproveitem e leiam os dois!
Resta-me agradecer ao autor, Pedro Ventura, pela simpatia em me ter proporcionado esta leitura, desejando-lhe desde já muito boa sorte para esta sua nova obra. Um grande bem-haja!

Goor - A Crónica de Feaglar I

Goor - A Crónica de Feaglar I de Pedro Ventura
Bom fim-de-semana e Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 23:24

Outubro 11 2007
Foi hoje divulgado o nome do autor galardoado com o Prémio Nobel da Literatura 2007. Pela 11ª vez, o autor distinguido pelo prémio de maior referência global no que toca à literatura foi uma mulher: Doris Lessing.
A autora nasceu a 22 de Outubro de 1919 em Kermanshah, na Pérsia, o actual Irão, é filha de pais britânicos, e cresceu na Rodésia (actual Zimbabué), onde a família se instalou numa quinta quando tinha cinco anos, tendo este período marcado algumas das suas obras. Actualmente mora em Londres.
Foi impiedosa nas críticas aos governos racistas da África do Sul e da Rodésia, o que lhe valeu a proibição de entrada nesses países. Mais recentemente, criticou o regime do presidente Robert Mugabe e foi de novo declarada indesejável no Zimbabué.
Doris Lessing soube que é Prémio Nobel da Literatura pelos jornalistas. Com 87 anos e quase 30 obras publicadas e traduzidas em várias línguas, reagiu de uma forma um pouco brusca mas cómica ao mesmo tempo... Estava a chegar a casa com as compras quando um jornalista tentou surpreendê-la perguntando-lhe se já tinha ouvido as notícias de hoje. Foi ai que soube a novidade, dizendo: “Oh meu deus, há já trinta anos que falam nisso, há muitas outras coisas que me fazem feliz (...). Já ganhei todos os prémios europeus, todos, é lógico que estou contente, é o máximo.”
A Academia Sueca justifica a escolha afirmando que Lessing é “a narradora épica da experiência feminina, que com cepticismo, ardor e força visionária prescruta uma civilização dividida”. Um milhão e meio de euros é quanto Doris Lessing vai receber pelo galardão a 10 de Dezembro, em Estocolmo, na tradicional cerimónia que conta com a presença da família real.
No nosso país, Doris Lessing tem mais de uma dezena de títulos publicados, alguns deles já esgotados e dispersos por várias editoras. As suas obras mais recentes publicadas em língua portuguesa datam dos anos noventa, entre os quais Amar de Novo (1997) e os dois volumes de Os diários de Jane Somers (1990), com a chancela das Edições Europa-América.
Não conhecia a senhora, mas aqui está uma boa oportunidade e um incentivo a fazê-lo.
Publicado por Fábio J. às 20:32

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