Outubro 31 2008
Na descrição deste blog pode ler-se: “Ler é o maior pilar na construção de uma personalidade.” Escrevi a epígrafe há já algum tempo, era este espaço bastante diferente do que é agora mas, provavelmente, não tão diferente como eu era do que agora sou. É que, sem sentimentalismos, eu mudei e sei que parte da mudança resultou do que li. E como tudo, há o outro lado da questão: a forma como leio também mudou. Isto para dizer que a forma como interpreto e aprecio um livro hoje é diferente da forma como interpretei e apreciei um livro ontem.
Neste sentido, posso afirmar que, apesar da qualidade inegável da obra, não senti em O Despertar da Magia, de George R. R. Martin, a surpresa e esplendor que encontrei nos volumes precedentes. Faça-se justiça à obra: é fantástica! Contudo, estava à espera de (ainda) mais.
Este é o quarto volume d’As Crónicas de Gelo e de Fogo, em português, e a segunda parte da obra A Clash of Kings, na versão original. Neste livro, muito do que se preparou em A Fúria dos Reis é concretizado, reafirmando a mestria do autor, criador e contador incomparável.
Nos Sete Reinos, a luta pelo poder torna-se cada vez mais sangrenta. Os exércitos, liderados pelos seus respectivos reis, põem-se em marcha, prontos para lutar até à morte. A força bruta mistura-se com as intrigas, a traição e a magia. Tudo é válido porque, no fim, só os mais fortes e astuciosos vencerão. Mais uma vez, é com as intrigas e conspirações que o autor mais me fascina. No mundo de GRRM, subestimar o inimigo pode ser fatal.
A multiplicidade de perspectivas e situações apresentadas voltaram a deslumbrar-me. Ora estamos dentro de um fortificado castelo, ouvindo-se já os passos do exército inimigo, ora estamos numa floresta gelada, a lutar pela vida, ou numa cidade exótica e perigosa, rodeados por ardilosos inimigos.
Personagens vibrantes dão vida a uma história assombrosa, repleta de momentos cruéis, angustiantes e heróicos, narrada com um ritmo e perspicácia admiráveis. Tal como acima disse, esperava algo ainda mais sagaz e surpreendente, melhor do que os volumes anteriores. No entanto, não fiquei, de todo, desiludido. Melhor do que excelente é difícil, e este livro, assim como toda a série, é excelente.
O Despertar da Magia de George R. R. Martin
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 21:38

Outubro 21 2008
Deana Barroqueiro sobressaiu enquanto criadora de romances inspirados em personagens históricas com D. Sebastião e o Vidente. Agora, a autora volta às bancas com O Navegador da Passagem, obra cujo protagonista é Bartolomeu Dias, capitão português na época dos Descobrimentos.
Mais um romance histórico que promete narrar muito do que foi injustamente esquecido no tempo. Eis o que podemos encontrar nesta obra:
Quando a Armada de Pedro Álvares Cabral, depois de ter descoberto as Terras da Santa Cruz (Brasil), prosseguia a sua viagem para a Índia um grande cometa surgiu nos céus… Naquele tempo, os cometas eram tomados como um prenúncio agoirento de desastres e Bartolomeu Dias, capitão de uma caravela dessa armada de treze navios, tem o pressentimento da morte e recorda a sua vida feita de viagens e aventuras.
A viagem da descoberta da passagem entre os oceanos Atlântico e Índico – um feito extraordinário que abriu o caminho da Índia a Vasco da Gama – é aquela que Bartolomeu relembra com maior intensidade, em particular uma história de amor proibida e condenada ao fracasso e à tragédia com uma escrava que transportava a bordo da sua caravela e teria de desterrar nos lugares por si descobertos.
Amargurado pela ingratidão dos dois reis a quem serviu, que não souberam reconhecer e premiar os seus extraordinários serviços, Bartolomeu Dias recorda igualmente os acontecimentos, as intrigas, crimes e jogos de poder dos seus senhores, dos quais foi testemunha nos breves momentos que passou em terra e na Corte.
Tal como o livro anterior, o qual ainda não tive oportunidade de ler, também este me despertou interesse, não fosse ele sobre a mais admirável época da nossa história. Muito deve haver para contar e, por isso, muito deve haver para descobrir.
Para um contacto mais próximo com a obra, não deixem de visitar a página da editora onde podem encontrar um vídeo promocional com a autora e um excerto áudio da obra.
O Navegador da Passagem de Deana Barroqueiro
Links: Blog da autora
Boas histórias!
Publicado por Fábio J. às 21:26

Outubro 17 2008
É que nós somos os últimos, percebe? Os últimos seres humanos. Depois desta noite, em todo o mundo, tudo será diferente.
Eis uma citação de Ar – Ter ou Não Ter, uma premiada obra de Geoff Ryman que me surpreendeu positivamente. O trecho deixa antever o género – Ficção Científica – e o tema geral da obra: a mudança, a evolução, o fim e um novo início...
Nesta obra, o autor faz-nos viajar até 2019, altura em que a ONU está prestes a lançar o Ar, uma espécie de Internet, independente de fios ou qualquer dispositivo mecânico, que permite comunicar e obter qualquer informação telepaticamente. Com ele, todos os cidadãos do mundo estarão em contacto uns com os outros, em qualquer lugar, a toda hora, quer queiram, quer não.
Ao contrário do que seria esperado, o livro não apresenta a perspectiva ocidental da inovação, mas sim as inevitáveis transformações que esta produzirá numa aldeia isolada do resto do mundo, algures na Ásia central. Nela vive Mae, a especialista em moda local, conquanto seja pobre, iletrada e pouco especialista em qualquer área.
Tudo começa quando é feito o Teste, durante o qual todos os aldeões têm o seu primeiro e subestimado contacto com a nova tecnologia, que literalmente lhes entra na consciência. Este corre mal, alarmando muitos e matando alguns. Durante este procedimento inicial, Mae fica enredada no Ar, do qual não mais se conseguirá separar. Sendo a única que realmente conhece a magnitude desta tecnologia, Mae irá tentar preparar os seus vizinhos para a inevitável transformação que sofrerão, pois o Ar e o futuro já chegaram.
A obra apresenta uma perspectiva assombrosa de como o futuro pode ser diferente. Mais do que isso, a obra alerta para o desigual acesso às mais sofisticadas tecnologias, num mundo onde uns viajam pelo espaço e outros morrem à fome.
Se é verdade que o futuro é já aqui, já amanhã, este não deixa de ser uma mistério, uma série de incógnitas. E quando a ânsia de conhecer não é ponderada, as consequências podem ser assustadoras. Não se pode fugir ao futuro, e a melhor maneira de o receber é aceitar o presente e conhecer o passado.
No fundo, a obra acaba por reflectir tudo isso. Se no início muitas ideias pareciam alheias ao tema principal, ao longo da narrativa elas vão se completando, acabando por resultar num livro impressionante. Para além das ideias gerais, a obra vale também pelos vários momentos caricatos e interessantes, apresentados de uma forma clara e atractiva. Contrapesam algumas situações fantasiosas por vezes exageradas e as várias gralhas gráficas.
Sem dúvida que recomendo, pois, não sendo uma obra-prima, esta obra tem muito, muito a oferecer.
Ar - Ter ou Não Ter de Geoff Ryman
Boas e Fantásticas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:57

Outubro 12 2008
Depois de O Olho do Mundo, A Grande Caçada e O Dragão Renascido, a Bertrand publica amanhã A Sombra Alastra, o quarto livro da série Roda do Tempo, de Robert Jordan.
Na versão original foram já publicados onze volumes desta série, estando o 12º e último volume, parcialmente escrito pelo autor, falecido há um ano, prestes a ser lançado. Quando o primeiro volume foi publicado, em 1990, a série tinha sido concebida como uma trilogia, mas Jordan decidiu dar novos rumos ao arco principal da história e assim esta tornou-se uma obra de magnitude épica. Com o passar da década, e com a publicação subsequente dos outros livros, Jordan conquistou muitos leitores e uma base internacional de fãs que crescia a cada dia que passava, tornando-se um fenómeno de culto.
Estes primeiros quatro volumes são considerados os melhores da história, já que resultam da inicialmente prevista trilogia. Correspondem a um ciclo épico que promete arrebatar o leitor do início ao fim. Quanto ao resto... bem, ao que parece o autor torna-se repetitivo e obsoleto. Talvez por isso a Bertrand ainda não tenha anunciado a publicação dos restantes volumes da série.
Eis o que podem encontrar neste volume:
Robert Jordan retoma as aventuras de Rand Al’Thor e seus companheiros onde o mundo de Luz e de Sombra, o Bem e o Mal estão em guerra eterna.
A Pedra de Tear, invulnerável fortaleza lendária, caiu. As amigas do Tenebroso tentam que tudo e todos caminhem para as trevas mas Ran Al’Thor, o homem proclamado o Dragão Renascido, consegue apoderar-se de Calandor, a Espada que não é Uma Espada, para o ajudar a combater o mal.
Contudo as sombras ganham força e Rand terá de encontrar a Fonte Derradeira, corrompida pelo Tenebroso que acarreta perigos terríveis, um poder que o poderá levar à loucura e servir o Grande Senhor das Trevas, ainda que essa seja a única saída para evitar outra grande calamidade.
Graças a esta série, Jordan foi repetidamente comparado a Tolkien. Já tive oportunidade de ler um pouco do primeiro livro e gostei bastante. Parece-me uma série de fantasia deveras interessante. Espero poder conhece-la melhor, em breve...
A Sombra Alastra de Robert Jordan
Links: Biography (Wiki)
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 21:49

Outubro 09 2008
O escritor francês Jean-Marie Gustave Le Clézio, de 68 anos, foi laureado com o Prémio Nobel da Literatura 2008. O júri justificou a atribuição do prémio ao autor francês caracterizando-o como um “escritor da ruptura, aventura poética e êxtase sensual, explorador de uma humanidade mais além e na base da civilização reinante”. Diz, não o júri mas quem leu, que foi a escolha “mais óbvia” entre os autores franceses.
Desconhecia totalmente a existência do senhor e da sua obra. Mas este é um dos pontos mais interessantes do Nobel da Literatura: dá a conhecer bons autores.
Dos seis títulos editados em Portugal de Le Clézio apenas dois ainda não se terão esgotado: O Caçador de Tesouros e Diego e Frida. Como seria de se esperar, as cinco editoras que editam as seis obras ponderam relançar os títulos nos próximos tempos, aproveitando o destaque e interesse promovidos por esta distinção.
Mais um autor a conhecer... mas com Pamuk e Lessing ainda na lista, Le Clézio esperará, até porque, confesso, este não me despertou o mesmo interesse que os dois Nobel anteriores.
Links: Biografia Wiki 
Até Breve!
Publicado por Fábio J. às 21:48

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