Dezembro 28 2008
Com o ano prestes a terminar, é oportuno avaliar o que foi feito no universo literário nacional. É verdade que nem tudo correu bem, mas melhor do que recordar tais factos é destacar os melhores exemplos de 2008, aquilo que foi bem desenvolvido e apresentado, aquilo que contribuiu para o progresso do sector, aquilo que os leitores agora aplaudem.
Existem vários prémios, tops e distinções que destacam, precisamente, o que de melhor foi feito no sector literário. Contudo, são sempre parciais, elaborados por profissionais ou peritos que, apesar de toda a competência intrínseca, seguem as suas opiniões.
Ora, se existe um público ao qual o sector se dirige, nada melhor do que ser esse mesmo público a escolher o que mais lhe agradou. Por isso, criei as Distinções L, uma iniciativa que pretende reunir a opinião dos leitores e, assim, distinguir a qualidade, o talento, a competência e a dedicação de escritores, profissionais de edição, etc.
As Distinções L dividem-se em duas áreas: Livros e Internet e Multimédia. Se não se apresentar informação contrária na descrição, cada categoria refere-se a livros ou projectos apresentados entre o dia 1 de Janeiro de 2008 e o dia 31 de Dezembro de 2008, em Portugal, em português e independentemente da língua em que, originalmente, foi escrito.
Eis as categorias de Livros:
Leitura - Esta é, talvez, a categoria mais interessante da iniciativa. Nela, cada leitor deverá eleger o livro, de ficção ou não, que mais gostou de ler em 2008, tenha ou não sido editado neste ano.
Livro de ficção português - Os leitores deverão indicar o título do melhor livro de ficção escrito por um autor português.
Livro de ficção estrangeiro - Os leitores deverão indicar o título do melhor livro de ficção escrito por um autor estrangeiro.
Autor português - Os leitores deverão indicar o nome do autor português que mais se destacou, com pelo menos um livro editado em 2008.
Autor estrangeiro - Os leitores deverão indicar o nome do autor estrangeiro que mais se destacou, com pelo menos um livro editado em 2008.
Série - Os leitores deverão indicar o título da melhor série literária com pelo menos um livro editado em 2008.
Título - Os leitores deverão indicar o título mais atractivo.
Capa - Os leitores deverão indicar o título do livro com a capa mais atractiva.
Editora - Os leitores deverão indicar o nome da editora portuguesa que mais se destacou pelo conjunto de livros publicados, competência e criatividade.
Revista literária - Os leitores deverão indicar o título da revista literária (ou periódico equivalente) portuguesa que mais se destacou pelos conteúdos apresentados, capacidade crítica, criatividade e design.
Eis as categorias de Internet e Multimédia:
Blogue literário - Os leitores deverão indicar o endereço do blogue literário português que mais se destacou pelos conteúdos apresentados, criatividade e capacidade crítica. O blogue deverá abranger várias obras e géneros literários e os seus autores deverão ser simples leitores. (O blogue Os Livros não poderá ser escolhido).
Blogue ou site de edição/imprensa de edição - Os leitores deverão indicar o endereço do blogue ou site sobre edição literária que mais se destacou pelos conteúdos apresentados, criatividade e actualização.
Site de editora - Os leitores deverão indicar o endereço do site da editora literária que mais se destacou pela informação apresentada, base de dados, organização, actualização e design.
Livraria Virtual - Os leitores deverão indicar o endereço da livraria virtual ou outra loja virtual com venda de livros que mais se destacou pela base de dados, organização, actualização, competência, campanhas promocionais e design.
Blogue ou site promocional - Os leitores deverão indicar o endereço do blogue ou site acerca de um autor, livro ou série que mais se destacou se destacou pelos conteúdos apresentados, criatividade e actualização.
Booktrailer - Os leitores deverão indicar o endereço específico do melhor vídeo promocional de um livro.
A votação começará no dia 1 de Janeiro de 2009 e durará todo o mês. Para participar, bastará enviar um e-mail com as distinções em que quiserem cooperar, conforme uma estrutura apresentada em breve. Dia 1 de Fevereiro serão apresentados os três mais votados pelos leitores, em cada categoria.
Sendo estas as distinções dos leitores, qualquer sugestão é bem-vinda. Mais categorias, modificações no funcionamento da iniciativa, enfim, a discussão está aberta até dia 30 deste mês. Como é lógico, se tiverem alguma dúvida basta comentarem este post.
Mais informações em breve.

Obrigado a todos os que se interessam pelo mundo dos livros.

Publicado por Fábio J. às 19:41

Dezembro 26 2008
Qualificar um livro como indescritível parece a mais simples das apreciações literárias. Contudo, quando estamos perante um romance ímpar, diferente no estilo, na perspectiva e na intenção, há pouco relevante a dizer. Restam as sensações vividas por quem lê, provavelmente mais descritíveis.
Resumir Com As Piores Intenções, do italiano Alessandro Piperno, não é tarefa fácil. Arriscaria até dizer que tal intento é impraticável. Afinal, o narrador, Daniel Sonnino, é sucessivamente levado a completar a sua confissão com uma nova memória ou um novo comentário. Confissão? Sim, penso que se trata de uma confissão. Uma confissão completa, despudorada e autêntica de uma herança familiar e social mórbida e falsamente parcimoniosa.
O relato começa com o avô Bepy Sonnino, um dândi megalómano, extravagante e amoral, no qual se centram e desenvolvem muitos dos devaneios sensuais e libertinos que virão a afectar filhos e netos. É no seio desta família burguesa judaica de Roma, abastada, elegante, sem escrúpulos e com uma desastrosa devassidão financeira que Daniel cresce. Mais tarde recorda os seus fantasmas, narrando-nos o seu relacionamento com tal família, com os amigos e com todo o tipo de amor, tendo como pano de fundo a hipócrita sociedade italiana da segunda metade do século XX. Embora romance, o livro é também um ensaio sobre a hipocrisia social e o modo admirável como a vida conjuga diversão e drama.
Trata-se de um discurso franco, num tom incerto que me deixou com aquele semblante pétreo de constante admiração. Há um equilíbrio perfeito entre a paródia e a calamidade, entre o cómico e o trágico, o que me deixou ininterruptamente maravilhado e chocado.
O narrador é perspicaz. O autor, por isso, genial. É impressionante como este consegue manter um tom aprazível ao longo de um romance tão corrosivo. Sem dúvida o apurado sentido de humor e as personagens soberbamente construídas são a razão de tal sucesso. Cada personagem foi arquitectada com cuidado, de modo que cada uma delas, pela sua singularidade e complexidade psicológica e social, marca a personalidade e a vida do narrador e, desse modo, o próprio leitor.
Trata-se de um romance elegante e sagaz, bastante provocador e colossal. É impossível ficar indiferente às vitórias, derrotas, amores, obsessões e escândalos narrados neste livro. Acima de tudo, é impossível não sentir, mesmo que por breves instantes, que a vida narrada é a nossa vida.
Obrigado à Editorial Presença por este romance imprevisível.

Com As Piores Intenções de Alessandro Piperno

Boas Leituras!

Publicado por Fábio J. às 18:58
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Dezembro 24 2008
Noutros tempos poderia fazer uma qualquer alegoria literária sobre o espírito natalício ou a magia da época mas, hoje, simplesmente não me apetece, não me parece adequado…
O que me apetece é desejar-vos um óptimo Natal!
E, claro, muitas prendas merecidas, muitos livros capazes de despertar a imaginação e os sentimentos.
Para todos, feliz Natal!
Publicado por Fábio J. às 12:57
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Dezembro 23 2008
Finalmente dou início a um projecto (se é que tal ideia pode receber esse nome) que há muito idealizava.
Trata-se de destacar algumas das partes que mais me fascinaram nos livros que já li, nomeadamente na literatura fantástica, na qual existem locais e culturas ficcionais fascinantes. Assim, não só relembro histórias que adorei ler como dou a conhecer pormenores que merecem a atenção dos apreciadores da leitura.
O meu primeiro texto, acerca dos Filhos do Alto Mar, de Ursula K. Le Guin, já está publicado, no Correio do Fantástico. Espero que vos diga alguma coisa e, como lá digo, conto com os vossos destaques de grandes pormenores.
Até Breve!
Publicado por Fábio J. às 17:46

Dezembro 20 2008
Sempre fui fascinado por História. O estudo de sociedades, mentalidades e modos de vida diferentes dos actuais são como partes de mundos novos que se apresentavam, fantásticos e ilimitados. Deuses, reis, impérios e culturas inéditas, um sem fim de novidades admiráveis. E o mais incrível, o que mais me faz adorar História, é, simplesmente, saber que todas aquelas histórias ocorreram mesmo, precisamente no planeta em que vivo… assombroso.
A antiguidade greco-latina concentra tudo o que mais admiro. No entanto, existe uma época sobre a qual reconheço saber muito pouco: a queda do Império Romano Ocidental. Havia um sistema político corrupto e medíocre, um poder militar decadente e inimigos selváticos, os bárbaros. Mas, afinal, qual a verdadeira realidade em ambas as partes do conflito? A Espada de Átila, de Michael Curtis Ford, ajuda a responder a esta pergunta, pois descreve a mentalidade romana, o modo de vida dos Hunos e a maior batalha da história – a Batalha dos Campos Cataláunicos.
No primeiro capítulo da obra encontramo-nos no ano 451 da nossa Era. Os feridos estão a ser recolhidos dos Campos Cataláunicos, a planície, na Gália, onde se deu a maior batalha da História, entre romanos e hunos. Mais de um milhão de homens guerrearam-se; as perdas foram demasiadas; mas o general Aécio concentra-se apenas num velho soldado inimigo, recolhido entre os feridos. Esse homem é o único que pode salvar Aécio e toda a civilização romana.
Para percebermos as causas e as circunstâncias de tal batalha, o autor faz-nos recuar vários anos, até ao momento em que o jovem Átila, segundo na pretensão ao trono huno, chega a Ravena, capital do Império Romano Ocidental, e é entregue aos cuidados da corte romana, onde servirá de garantia à submissão huna. Para garantir o bom comportamento do império, os hunos reclamam um jovem, Flávio Aécio, em troca. Cada um dos jovens terá de apreender a viver numa sociedade bastante diferente da sua. Primeiro em Ravena e depois na itinerante capital huna, os jovens tornam-se amigos, como irmãos, mas cada um mantém-se fiel ao seu povo, à sua pátria e aos seus ideais.
Embora o autor narre vários episódios entre os romanos, todos eles interessantes e bastante ricos em pormenores, é na Hunia, a capital do povo huno, um dos apelidados de bárbaros e que, anos depois da batalha descrita neste livro, viria a derrotar definitivamente o Império, conquistando Roma, que se passa muita da acção da obra. É lá que acompanhamos o crescimento de Aécio e onde ficamos a conhecer a lenda segundo a qual, no futuro, a Espada da Dinastia iria parar às mãos do rei dos hunos, concedendo-lhe o poder tão desejado.
Ficção à parte, gostei bastante da descrição deste povo insólito, sem escrita ou cidades permanentes, que passa grande parte do seu tempo montado a cavalo. O autor teve a preocupação de desmitificar algumas das ideias que normalmente se tem em relação a este povo não civilizado.
O livro é um romance histórico militar, já que, a partir de certa altura, toda a narrativa gira em torno da luta entre os dois povos, em torno desta batalha. Contudo, em momento algum me senti incomodado com isso. A história foi muito bem narrada, não havendo descuido nem nas tácticas de guerra nem nas armas utilizadas. Há uma grande dinâmica, e momentos de cortar a respiração.
Gostei particularmente do modo descritivo do autor. Ele sabe seleccionar os pormenores, sabe contar aquilo que vale a pena contar, e sabe combinar os dados históricos, com o lendário e a imaginação. O resultado é um livro admirável, de História e como a História. A vontade é ler mais ficção histórica, nomeadamente aquela escrita por Michael Curtis Ford.
Desculpem o tamanho do texto. História e Literatura combinadas dão nisto.
 
A Espada de Átila de Michael Curtis Ford
Mais informação: Batalha dos Campos Cataláunicos (wiki)
Históricas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 19:45

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