Julho 28 2009
Acabo de ler isto:
Um milhão de crianças portuguesas lê diariamente motivada pelo Plano Nacional de Leitura (PNL) que já conseguiu colocar a biblioteca à frente do recreio nas escolas do país, revelou hoje a comissária do programa, Isabel Alçada.
Ora, segundo a base de dados da World Population Prospects: The 2008 Revision, da ONU, em 2010, Portugal terá cerca de 10,7 milhões de habitantes, dos quais cerca de 10,3% terão entre 5 e 14 anos de idade. Feitas as contas, existirão pouco mais de um milhão de crianças em Portugal.
O PNL abrange as crianças que frequentam o ensino público, sobretudo as do primeiro e segundo ciclos. Só recentemente chegou a Bragança e ainda não se sabe quando chegará aos Açores. E já há um milhão de crianças a ler? Todas elas a ler? Todos os dias? Não me parece.
Este Plano é, sem dúvida, louvável. Porém, temo que, como é corrente em Portugal, se tenha tendência para suavizar a realidade, empolando os aspectos positivos e omitindo os negativos. Só o tempo dirá se estas crianças criaram verdadeiros hábitos de leitura. Dize-lo agora, de um modo tão convicto, parece-me prematuro.
Publicado por Fábio J. às 19:24

Julho 24 2009
Goste-se ou não de Literatura Fantástica, será difícil negar a significância da Colecção Bang, da Saída de Emergência, no mercado nacional. Desde clássicos a bestsellers, esta colecção mudou o modo como o género é visto, e lido.
Esta semana, a mesma editora apresenta a colecção TEEN, dirigida para, imagine-se, os leitores jovens adultos, embora eu prefira ver este público como crianças e pessoas como eu, admiradoras de histórias simples, agradáveis e com um toque de inocência, ou por ai.
Indo ao que interessa: esta colecção, que “Tonifica e Estimula os Neurónios”, traz consigo características dignas de atenção. Ora, para começar, todos os títulos terão capa dura, algo que eu não vejo desde os meus volumes de Anders. Pelo que percebi, o preço não irá ser afectado por tal especificidade, logo são só boas notícias. Depois, servirá de plataforma a novos escritores nacionais, que assim poderão publicar e melhorar, a par de autores que fazem falta nas nossas livrarias, como Terry Pratchett. Por último, respeita já o Acordo Ortográfico.
O primeiro título lançado é Daenerys, A Mãe dos Dragões, de George R.R. Martin, já publicado em e-book pela mesma editora, seguido de Illusya, Um Reino Encantado, de Bruno Matos, autor do qual já li algumas páginas, há já uns anos, com a sua história Os 5 Moklins.
Numa iniciativa inédita, a Saída de Emergência oferecerá dez mil livros, do primeiro título, a todos aqueles que efectuarem uma compra superior a 25€, nas livrarias Bertrand. Pelo menos assim, chegará a muita gente e vários tipos de leitor. Um bom início, portanto.
Tudo parece indicar a emergência de uma colecção diferente, atractiva e significante. É esperar para ver, ou melhor, para ler.
Publicado por Fábio J. às 22:26

Julho 24 2009
"uma leitura deliciosa"
A Vida num Sopro é o título do mais recente romance de José Rodrigues dos Santos e da minha última leitura. É a quinta obra que leio, deste autor português, pelo que a leitura não se tratou de uma experiencia totalmente nova. Porém, o género e o conteúdo da narrativa não deixaram de me surpreender e agradar.
Ao contrário das obras mais especulativas do autor, que o colocaram nos tops, A Vida num Sopro é um romance simples, centrado numa história de amor. Essa simplicidade e esse tema permitem a construção de uma história apaixonante e arrebatadora. Página a página, deixe-me levar por um enredo familiar, muito próximo, o que resultou numa leitura deliciosa.
Tal como a sinopse esclarece, a narrativa permite o contacto com a realidade da década de 30 do século passado. Em Portugal, vive-se sobre a influência opressora da PVDE. Em Espanha, a guerra civil. Embora as peripécias romanescas não estejam tão dependentes da realidade histórica como num romance histórico comum, ou até como em A Ilha das Trevas, esta narrativa é escrava da sociedade e ideias da época, bem como das práticas políticas, sobretudo das práticas políticas… Tal correlação dá um tom ainda mais emotivo a alguns momentos da história, com excepção para os episódios passados em Espanha, já que a descrição da sua guerra civil revelou-se bastante maçadora.
Um dos pontos que adorei na obra foi a inclusão de regionalismos. E quando digo adorei, não me coíbo de reafirmar que adorei mesmo. Ver expressões usadas pelos meus avós ou pessoas mais velhas da região (sim, porque a esse nível, pelo menos aqui no Minho, existem várias semelhanças com Trás-os-Montes, onde se passa parte da história) fez-me sorrir, maravilhou-me até. Talvez tenha sido uma reacção exagerada, mas tais expressões ajudaram a criar um ambiente muitíssimo autêntico e acolhedor.
A tudo isto, juntam-se personagens fascinantes. Reflectindo sobre as suas acções, nem sempre foram totalmente credíveis, mas sustentaram com excelência o desenrolar dos acontecimentos. Luís, Amélia, Joana, Francisco… apenas nomes, mas nomes que me fizeram sentir fortemente o que lia.
Achei o final da obra muito emotivo, sobretudo pela raiva que me fez sentir. Para o perceber, só lendo, actividade que recomendo vivamente.
Uma história de amor, luta e esperança, portuguesa e deliciosa.
A Vida num Sopro de José Rodrigues dos Santos
Gradiva, 2008
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 00:41

Julho 21 2009
O livro Rainha das Trevas completa a Trilogia das Jóias Negras, da norte-americana Anne Bishop. Nos dois primeiros volumes, Filha do Sangue e Herdeira das Sombras, pude conhecer o complexo mundo criado pela autora e acompanhar o crescimento de Jaenelle, a protagonista. Neste último, assisti à derradeira batalha entre o bem e o mal, na qual a coragem e a astúcia dos heróis se revelaram decisivas.
Passaram alguns anos desde os acontecimentos narrados no volume anterior. As personagens mostram-se agora mais consistentes, com personalidades mais definidas, e as diversas intrigas convergem para o derradeiro fim. Talvez por isso, desde o início, senti os acontecimentos a precipitarem-se, ficando quase tudo esclarecido. Porém, nem sempre com as devidas justificações ou nos momentos mais propícios.
Diria até que, enquanto, nos volumes precedentes, havia episódios cujo principal papel era agradar o leitor e tornar a leitura mais interessante, neste a autora não se deixa afastar pela imaginação, restringindo-se, apenas, à conclusão das histórias secundárias e principal. Por um lado, isso resulta num livro menos inovador, mas, por outro, permite uma abordagem mais focada no que realmente interessa, dando resposta a todas (ou quase todas) as dúvidas do leitor.
A história continua, ainda assim, repleta de episódios muitíssimo bem construídos. Não me esquecerei das falas e atitudes de Surreal, que me levaram a gargalhar efusivamente, nem dos combates travados até à morte, tensos e decisivos. E outros exemplos existem, todos eles dando densidade ao enredo principal.
E por referir o enredo principal, não posso deixar de fazer notar que, muitas vezes, os acontecimentos eram previsíveis. Tal poderia ser decididamente negativo, mas a autenticidade com que a narradora nos conta a história, mostrando todo o poder e capacidades das personagens, fez-me esquecê-lo. É que, não deixando de haver personagens claramente idiotas (claramente por vontade da autora), outras há que foram bem manipuladas, dando tudo o que podiam dar (o que nem sempre acontece neste género de obras, onde a magia, por vezes, muita, é quase sempre, e irritantemente, limitada).
Tal como referi em relação aos volumes anteriores, a criatividade bate-se com a falta de fundamentos. Neste terceiro livro, a situação não é grave, embora continue a penalizar o ritmo e compreensão da leitura.
Pormenores à parte, Rainha das Trevas é o meu volume preferido da trilogia, pela sua consistência. Fiquei um pouco desiludido com os capítulos finais, não por decepção, mas por curiosidade e nostalgia. Quando li o primeiro volume, afirmei, num comentário, que depois da trilogia não voltaria a ler mais nada da autora. Agora, a minha opinião é diferente e já tenho Teias de Sonhos debaixo de olho.
Rainha das Trevas de Anne Bishop
Cristina Correia, Saída de Emergência, 2007
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 16:16

Julho 11 2009
Tiago Rebelo é um conhecido romancista português. Ao longo dos anos tem acumulado leitores fiéis, graças às suas histórias de amor e literatura leve. Exemplo disso é o livro Eu e as Mulheres da Minha Vida, recentemente reeditado pela Editorial Presença e, pela primeira vez, assinado por este autor, em vez do original pseudónimo.
O título desta obra esconde muito pouco. O protagonista é Zé, um marido, pai e bancário sem ambições, com uma vida monótona e banal. Embora não se esforce para alterar o seu modo de vida, sonha com algo melhor. E quando recebe uma promoção inesperada e o súbito interesse da mulher mais bonita do banco, a mudança na sua vida é, simplesmente, inevitável.
Há medida que a história se desenvolve, a relação entre Zé e a colega torna-se mais complexa, começando a perturbar a relação conjugal daquele. E, para piorar, outras mulheres entram na sua vida… Esposa, amante, divertimento… Uma série de mulheres preenche o dia-a-dia de Zé, até ele perder o controlo.
Trata-se de um romance leve, mas bem construído, capaz de entreter e agradar. As personagens foram bem modeladas e a história oferece muito mais do que as aventuras extraconjugais do protagonista. É verdade que é em torno disso que tudo se desenvolve, mas é também verdade que essas aventuras obrigam Zé a reflectir sobre a sua vida, os seus propósitos e o seu futuro.
Ainda assim, a história não se destaca nem apresenta pormenores notáveis. É agradável, entretém e está bem escrita, fez-me rir (muito) e reflectir e em momento algum foi aborrecida ou desinteressante, mas, como provavelmente se espera deste tipo de narrativas, não arrebata nem maravilha.
Em resumo, Eu e as Mulheres da Minha Vida é um livro sobre o modo como um homem interpreta e usa as mulheres, homem esse que acaba por descobrir depender delas para viver e ser feliz. Uma leitura agradável para uma tarde bem passada.
Para além disso, fiquei curioso em relação a outras obras do autor.
Eu e as Mulheres da Minha Vida de Tiago Rebelo
Editorial Presença, 2009
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 23:13

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