Fevereiro 23 2010
A partir de amanha e até ao próximo Sábado decorre, na Póvoa do Varzim, 11ª edição das Correntes D’Escritas.
Este encontro de literatura de expressão ibérica contará com 66 escritores vindos de países diversos - Brasil, Moçambique, Cabo Verde, México, Colômbia, França, Espanha, Angola, Uruguai, Argentina e, claro, Portugal.
Esta edição, que evoca Agustina Bessa-Luís e faz uma homenagem póstuma a Rosa Lobato de Faria, conta com os habituais debates, recitais de poesia, vários lançamentos de livros, uma feira do livro e encontros de escritores participantes nas escolas da Póvoa de Varzim. Uma verdadeira celebração do livro e da literatura que muito orgulha a região e o país.
Os leitores são convidados a participar neste evento que, de ano para ano, adquire maior destaque. A conferência de abertura é amanha, no Auditório Municipal, e conta com a participação da Ministra da Educação, também ela escritora, Isabel Alçada.
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A não perder.
Publicado por Fábio J. às 22:33

Fevereiro 20 2010
O Evangelho Segundo Jesus Cristo foi publicado em 1991. Trata-se de uma das mais polémicas obras de José Saramago, considerada blasfema e abusiva por alguns, os suficientes para levarem o autor ao auto-exílio. Quase vinte anos após a primeira edição, este evangelho é encarado com maior tolerância, mas o que narra continua a provocar surpresa e a gerar opiniões diversas.
Já muito se disse sobre este livro. Não sou, portanto, original, quando afirmo que narra a história e vivência de um Jesus humanizado, com defeitos e virtudes, com dúvidas e convicções, com teimosia e medo, não fosse ele um homem, filho de Deus, mas homem.
A obra começa com uma imagem da crucificação de Cristo, ou melhor, a interpretação que o autor faz dela. Assim, fica desde logo marcado o tom subversivo deste evangelho, ousado e diferente, que não começa com o nascimento, mas com a morte. Ao longo dos capítulos seguintes, Saramago apresenta-nos José e Maria, um jovem casal como quantos outros na Galileia, casados há não muito tempo e que virão a ter um primogénito chamado Jesus. A sua vida tem pouco de especial, mas sendo judeus de há dois mil anos, representam uma cultura, por si só, interessante. Contudo, é evidente que a humanização destas personagens histórias e religiosas, agora reduzidas a simples personagens literárias, constitui o ponto mais relevante da obra.
À medida que a história avança, a narrativa obriga à reflexão, impondo razão e pensamento crítico onde antes havia apenas dogmas. Falo de religião claro está, de cristianismo. No entanto, não me parece que este livro seja ofensivo. Trata-se de uma outra versão sobre a vida dum profeta, com muita ironia e bom humor, mas que não passa duma obra literária e, bem vistas as coisas, até apresenta um tom muito harmonioso.
Mas polémicas à parte, esta é mais uma fascinante obra do Nobel português. Tal como já aqui referi várias vezes, gosto de Saramago na narrativa histórica e, por isso, esta obra agradou-me muitíssimo. O autor é um excelente contador de histórias, também me canso de o dizer, e criou neste livro algumas das imagens mais extraordinárias com que já me deparei numa leitura. Não consigo deixar de destacar o encontro entre Jesus, Deus e Diabo, no centro de um mar, num pequeno barco cercado por nevoeiro. Mas há outras, várias.
Aquele Deus e aquele Diabo do barco merecem, também eles, destaque. Ambos humanizados, ambos muito próximos de Jesus, são duas personagens muito cativantes, sobretudo o Diabo, vai-se lá perceber porquê. Maria, mãe de Jesus, é outra figura de grande poder nesta obra: esposa, mãe, trabalhadora, simples mulher que muito me impressionou pela sua fé, lealdade e coragem. Mas não se esqueça Maria de Magdala e outras personagens incríveis, tenham ou não elas paralelo nos evangelhos bíblicos.
Existem, porém, alguns aspectos que me desapontaram neste romance de 445 páginas, nomeadamente o abandono de algumas histórias secundárias ou o não desenvolvimento de alguns acontecimentos com grande potencial. Talvez por ter gostado tanto do enredo, queria ter lido mais do que o que li…
Seja como for, e como está patente, aconselho este livro, por várias razões, e ainda mais algumas. Trata-se de uma histórica criativa, espirituosa, humana e inspiradora, o que, associado à escrita poderosa e estilo oralizante do autor, se traduz num livro singular.
Mal posso esperar por Caim
O Evangelho Segundo Jesus Cristo de José Saramago
Editorial Caminho, 1997
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 23:07

Fevereiro 15 2010
Na semana passada divulguei os títulos dos livros mais indicados na iniciativa Livros do ano - 2009. São eles Orbias - As Guerreiras da Deusa de Fábio Ventura, livro lusófono do ano, e Amanhecer de Stephenie Meyer, livro traduzido do ano. Os restantes dez livros mais votados estão, também, no blog da iniciativa.
Capa OrbiasA primeira nota sobre estes resultados relaciona-se com o público participante. Mesmo com autores tão diferentes no topo das preferências, como José Saramago a par de Sandra Carvalho, ou Roberto Bolaño ao lado de Sherrilyn Kenyon, ambos os livros escolhidos como livro do ano são do género fantástico e dirigem-se a um público jovem.
Orbias - As Guerreiras da Deusa, narra-nos a aventura de Noemi, uma jovem que descobre ser um Anjo e se vê num novo e surreal mundo, com perigos e emoções aos quais não estava habituada. Fábio Ventura, que já anunciou o lançamento da sequela, Orbias - O Demónio Branco, desenvolveu, com esta obra, um grupo de leitores e entusiastas que não quiseram deixar de manifestar o seu apoio. Eis um autor de literatura fantástica a não perder.
Amanhecer não precisa de apresentações. O quarto livro do fenómeno Twilight finaliza uma série que dividiu opiniões mas que, diga-se o que se disser, arrebatou milhões de leitores em todo o mundo, Portugal incluído. Uma história que fez dos vampiros um fenómeno literário longe de terminar.
A literatura fantástica fez-se ainda representar pelos portugueses Sandra Carvalho, autora da Saga das Pedras Mágicas, e Telmo Marçal, uma voz do fantástico nacional que tem surpreendido e agradado.
8131José Rodrigues dos Santos e Dan Brown defendem o thriller e as massas que o lêem, enquanto WM. Paul Young, Jodi Picoult e Sherrilyn Kenyon mostram que a literatura leve e intimista não deve ser ignorada.
Caim de Saramago, Jerusalém de Mia Couto e 2666 de Roberto Bolaño completam a lista dos preferidos, provando que senhores escritores são também grandes contadores de histórias.
Uma lista é sempre uma lista, com os seus defeitos e virtudes, com os nomes que faltam e os que estão a mais. Porém, esta é uma lista feita pelos leitores e, independentemente das interpretações possíveis, permite antever os livros e os géneros que farão sucesso em 2010. Bem, daqui a um ano voltamos a discutir o assunto…
Obrigado aos que participaram e divulgaram! Graças a vocês, os leitores portugueses têm hoje uma lista como referência, uma lista de recomendações, uma lista de opiniões.  
Todos os que quiserem discutir os títulos escolhidos podem faze-lo agora. Afinal, é da discussão que nascem novas ideias.
Boas Leituras!

 

Publicado por Fábio J. às 23:29

Fevereiro 14 2010
Nos últimos anos a Porto Editora aumentou o seu catálogo de obras literárias e publicou alguns fenómenos de vendas no nosso país. Entre eles destaca-se Dorothy Koomson, autora britânica que deu nas vistas com A filha da minha melhor amiga e que volta agora às livrarias portuguesas com O amor está no ar.
A sinopse desta história deixa muito a desejar, pois há muito mais do que lá se antevê. A protagonista deste romance é Ceri, uma jovem mulher que decide sair de Londres, onde nasceu e trabalha, e voltar para a cidade onde se formara, Leeds, em busca do bem-estar pessoal e da satisfação profissional. A mudança acaba por ser uma fuga à rotina, ao dia-a-dia que não a completa e aos problemas pessoais e amorosos, não só os seus, mas os de todos os que a rodeiam. É que Ceri tem algo, algo que transforma as pessoas em seu redor, fazendo-as abrir os seus corações e partilhar com ela os seus sentimentos e os seus segredos, obrigando-a a viver os dramas e os desgostos dos outros como se fossem seus. Graças a essa estranha característica, a tranquilidade tão almejada pode não passar de um sonho.
Há medida que o romance, narrado na primeira pessoa, avança, somos confrontados com a adaptação de Ceri a uma nova vida. Contudo, o seu fardo teima em manter-se, e a protagonista torna-se parte de múltiplas histórias amorosas. Diversas personagens, muito diversificadas mas invariavelmente marcadas pela espontaneidade e autenticidade, surgem ao longo de uma obra que se justifica com cada página. Ao invés de um enredo com desenvolvimento linear, preciso e, quiçá, previsível, neste livro em cada capítulo surgem novas e inesperadas situações.
Mesmo com alguns momentos comoventes, parece-me que esta é uma história divertida. Tal deve-se, sobretudo, ao modo como a protagonista interpreta o que a rodeia. Ceri é, note-se, uma personagem complexa e suficientemente forte para suportar todo o romance. Graças a ela, temos uma história diferente.
Não se trata de mais uma história de amor. É antes uma narrativa ligeira, divertida e, por acaso, romântica, uma história sobre amor, ou, melhor ainda, uma história sobre uma jovem mulher com o dom e o fardo de despertar e amplificar os sentimentos que movem os que a rodeiam. “Será ela o Cupido dos tempos modernos?”, lê-se na sinopse. A resposta é interessante, de várias perspectivas, e constitui um dos pormenores mais discutíveis na obra. No entanto, seja como for, este livro fez-me pensar nos meus objectivos pessoais e no que realmente quero, qual espelho da protagonista, e, por isso, constitui uma leitura mais do que satisfatória.
Em suma, O amor está no ar consegue um lugar especial dentro do género, ao distanciar-se da tradicional história de amor, ou mesmo da própria escrita feminina, e ao impor-se como obra cativante, multivalente e promotora da reflexão. Representa um meio-termo repleto de virtudes que merece ser lido, quanto mais não seja porque tem tudo para agradar a um público diverso.
Quanto a mim, fica a satisfação e a vontade de conhecer melhor uma autora que, até há pouco, não me havia despertado interesse. A leitura tem destas coisas…
Leituras Apaixonantes!
O Amor está no Ar de Dorothy Koomson
Vera Falcão Martins, Porto Editora, 2010
Links: Dorothy Koomson
Publicado por Fábio J. às 16:27

Fevereiro 02 2010
Rosa Lobato de Faria é uma pessoa multifacetada, isso todos nós sabemos. Mulher estimada, actriz popular, escritora com uma vasta obra. Confesso que a tenho em alta consideração, devido ao seu excelente trabalho como actriz (...)
O parágrafo anterior foi publicado há mais de um ano, aqui no blog. Não fosse um artista imortal, e ter-se-ia de usar o passado. Rosa Lobato de Faria morreu hoje, aos 77 anos, num hospital de Lisboa.
O seu legado enquanto actriz, escritora e mulher, fica entre nós. Manifesto aqui o meu pesar e espero que o seu trabalho seja uma inspiração, e não apenas uma nota nas páginas esquecidas da cultura portuguesa.
Publicado por Fábio J. às 18:11

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