Janeiro 15 2007

Segunda-feira tem sido o meu dia de eleição para fazer textos errantes para este blog, textos sem uma grande linha orientadora e nos quais dou a minha opinião sobre algo do mundo literário que vagueia pala minha mente. Hoje não será excepção.

Os mais atentos devem já ter reparado que neste momento leio O Mistério da Atlântida, uma história que mistura varias ciências e teorias, sendo que todas convergem para um único ponto: a descoberta da mítica Atlântida. Vou a meio da história e estou bastante entusiasmado com o seu desenrolar intenso e bastante persuasor.

Quando falo em persuasão refiro-me à credibilidade que, ilusoriamente, muitos livros, principalmente romances históricos, transparecem aos seus leitores. No envolvimento que com um livro, durante a ligação entre livro e leitor, no qual ambos se fundem e são um só, tudo parece real, por mais fantástico e inacreditável que seja. O único problema aparece quando, fora dos momentos de leitura, a nossa racionalidade confunde a ficção com a realidade.

Desde o já tão referido O Código da Vinci que um novo género de romances tem crescido rapidamente: os romances históricos. Estas histórias não se limitam a transparecer a imaginação, usam também factos reais do passado, ou teorias acerca de episódios menos claros e mais lendários. Muitas vezes são nos dadas provas, totais ou fruto de ligações supostamente lógicas, que não parecem ser questionáveis, e mesmo quando nos é dito que tudo presente no livro é pura imaginação do autor, a história é construída sobre bases tão firmes e afirmativas que ficamos na dúvida.

Narrações sobre a vida de Cristo e a religião, a origem da Atlântida, a história do rei Artur, a queda do Império Romano ou os próprios descobrimentos portugueses, têm sido base de muitos destes romances.

O que me fez pensar é que, se até à algum tempo se dizia que ler, nomeadamente livros com fundos históricos ou científicos, aumentava o nosso intelecto, não sei se com tantos factos a parecerem verdadeiros e a serem falsos não estaremos perante uma leitura com consequências não tão felizes.

Não quero com isto dizer que ler confunde ou prejudica os nossos conhecimentos, longe disso. Apenas chamo a atenção para esta corrida feita por muitos autores. Uma corrida em busca de factos arrebatantemente credíveis e com uma poderosa façanha de marketing.

Esta mistura de histórias reais com estórias imaginadas é sem dúvida fascinante e muito interessante, resultando em obras, muitas vezes, de alta qualidade. Só me pergunto até que ponto estaremos nós preparados para sermos bombardeados com informação científica e histórica errada, sendo que em muitas áreas nunca teremos oportunidade de nos corrigirmos.

São verdades falsas que percorrem e satisfazem as nossas mentes.

Até Breve e Boas Leituras.

Publicado por Fábio J. às 21:12

Sim, realmente isto acontece muito hoje em dia...
a mistura de factos com apenas suposições de cenas menos claras da hitória confundem-nos um pouco, apesar de ser bastante interessante no meio da leitura, na qual, como disseste, nos fundimos com o livro, como um só.
Realmente satisfazem-nos e às vezes nem sequer nos preocupamos se isto será ou terá sido verdade, apenas queremos que nos entretenha no momento da leitura. é este o propósito da maior parte destes livros.
Ainda bem que a leitura d'O Mistério da Atlântida está boa :P

boas leituras então

bjs**
Dee a 15 de Janeiro de 2007 às 22:46

Sim, a publicação de livros do género do Código da Vinci tem aumentado muito. Mas não será isso que os portugueses procuram? Pois estão no top de vendas. Não serão suficientemente inteligentes as pessoas para escolherem a sua própria leitura? Que cada um leia o que gosta. Cá não gosto de livros de fantasia. Se formos ver pela cultura que cada um trás, então que cultura trás os livros de fantasia? Não vamos por ai... Mas tens razão o mercado está cheio de "Códigos da Vinci" disfarçados. E já enjoa.

Numa coisa tens total razão: cada um lê o que quer, como quer, quando quer, se quer.
Só não percebi a parte da "cultura". Se te estás a referir aos conceitos científicos e históricos dos livros (mais simplesmente, aquilo que aprendemos com eles) não acho que a fantasia seja um bom exemplo. Exceptuando pessoas muito influenciáveis, como crianças, não acho que a fantasia possa ser analisada desta forma. Penso que é lógico que quando lemos um livro de fantasia sabemos que grande parte dos factos científicos e praticamente todos os factos históricos são falsos. Já num romance histórico, obviamente fruto da imaginação, é de esperar que grande parte dos conceitos estejam correctos. E é ai que reside o problema, pois não o são...

Quanto ao Código da Vinci, não acho que andem muitos por ai, acho sim é que existe muita gente a tentar usar o seu estilo e impacto, o que é diferente.

Até breve e Boas Leituras!
Fábio J. a 16 de Janeiro de 2007 às 17:30

Quando dizia que existem para aí muitos "Codigos da Vinci" o que quero dizer é exactamente o que me dizeste. Não me expimi, talvez, bem.
O problema nisto tudo é que muitas vezes o leitor não sabe qual é o facto histórico. Mas se quiser saber pesquisa. Procura nos Manuais, nos Livros de História, etc... Acho que me fiz entender...

Claro, isto é apenas a minha opinião e apenas quis transmitir.

Não fiques a pensar que te estava a recriminar ou algo do género. Tenho é de te agradecer por dares a tua sincera opinião.
Concordo que muitas vezes é o leitor que não sabe distinguir facto histórico de facto ficcionado mas também não vamos andar a procurar provas para tudo aquilo que lemos. Nem é necessário nem acho que alguém sinta necessidade disso. Acho apenas que, muitas vezes, são dadas tantas provas (falsas logicamente) ao leitor que é difícil perceber onde acaba a realidade e começa a imaginação.
Fábio J. a 16 de Janeiro de 2007 às 17:46

Verdades Falsas. em duas palavras conseguiste resumir exactamente o que aquilo é. Muito bem!
Se te lembras, já li O Código da Vinci. Foi um livro que me fascinou, tal como a meio mundo, e que, ainda hoje, traz repercursões. A minha ceia de ano novo foi toda passada a discutir conspirações, templários, quadro de Leonardo, etc. Ontem mesmo, julgo que foi na Hora Discovery (canal 2:) passaou um documentário sobre o Graal. Alguém disse (vou tentar reproduzir, embora já não me lembre das palavras exactas): Todo este sensacionalismo à volta do Graal se deve a que, se isso fosse verdade, possibilitasse que cada um de nós estivesse envolvido (é algo que atinge o mundo inteiro) e as pessoas gostam de estar envolvidas em feitos grandiosos, coisas importantes; conhecer esse segredo faria com que as pessoas se sentissem incluídas nesse grande "acontecimento". No fundo é verdade,por isso é preciso dissecar a história - se bem que eu ainda questiono se aquilo é realmente verdade ou não (aliás, não me importaria se a história do Código fosse real, até gostava).
O problema é que agora as editoras, os autores, (seja quem for) devem pensar que o mundo é feito de conspirações. Chega-se a uma montra e o que se vê? Código, Conspiração, Enigma, Templários, Graal, Botticelli, Newton, etc etc etc. Um sufoco de obras deste tipo que, a mim, me começa a cansar. Agora até com as revistas saem livros destes...

Qualquer dia ainda te chateias pelos meus comentários...Mas é que isto dá para falar, falar e pronto..acaba nisto.

Bem, continua com O Mistério de Atlântida e depois diz-me se sempre é nos Açores!;)
Eu fico à espera que chegue a minha encomenda de O Guerreiro-Lobo e Lágrimas do Sol e da Lua. (Ansiosaa!)
Xau!! :)
cricri a 16 de Janeiro de 2007 às 18:49

Gostei do que relataste, em relação ao facto de todos querer-mos fazer parte da história, até porque é bastante verdade. Quem não gostaria de fazer parte duma descoberta que mudaria o mundo? Muitas pessoas sim...
Eu acho este estilo fascinante, sem dúvida, no entanto sofremos duma overdose de títulos, como bem disseste. Deve haver uma maior contenção nas publicações, até porque assim o estilo acaba por ser interpretado como algo banal e desinteressante.
Pode ser que mude este ano.

Bye.
Fábio J. a 17 de Janeiro de 2007 às 18:32

Voces falam tanto de livros de fantasia que decidi experimentar. A minha escolha recaiu no autor Filipe Faria com A Manopla de Krasthan. Veremos se vou gostar. Não custa tentar. Um escritor português...
Mas não escrevi para isso. Gostaria de saber quais os melhores sites para compra de livros.Ou seja, o que têm melhor serviço. Qual é que costumam usar? Existem livros que não encontro na biblioteca e não tenho tempo para ir ás compras, ficava com a vida facilitada.
Cláudia Oliveira a 17 de Janeiro de 2007 às 16:39

Fizeste bem em experimentar. Não posso dizer que vás gostar (quanto mais não seja porque não li o livro) mas acredito que olharás para a fantasia duma maneira mais clara.
Eu costumo comprar na Webboom pt, e posso dizer que nunca tive problemas. Neste site existem promoções, assim como na Bertrand online e no site livrosnet, sendo que estes dois apresentam também a possibilidade de acumular pontos. O mesmo se passa no site da Fnac e na Mediabooks, mas destes não sei muito. Algumas editoras, como a Europa-América e a Difel, vendem também os seus livros atraves da net.
Espero ter-te ajudado. Mais alguma coisa é só dizer...

Boas compras!
Fábio J. a 17 de Janeiro de 2007 às 18:17

acho que nunca tinha estado tanto tempo sem postar, mas a verdade é que ando sem tempo nenhum, entre as aulas, os trabalhos para a escola, a elaboração de um projecto para uma nova disciplina do 12º ano, não me sobra tempo para as coisas que eu mais gosto. E entre essas coisas está visitar este blog!
quanto ao teu post eu só posso dizer que já li muitos livros com baseados em factos históricos, mas verdade é que eu nunca li esses livros a pensando sempre que eles tinham um fundo de verdade , pois para mim tudo aquilo que lá estava escrito era pura fantasia. Eu já li mais de 7 livros baseados na história do rei Artur, e cada é diferente do outro. Basicamente a única coisa que se mantém é o nome Artur , Lancelote e o nome da mulher de Artur , que eu não me lembro como se escreve, pois até esse nome eu já vi escrito de 3 maneiras completamente diferentes. Por isso, eu nunca tento tirar conhecimentos científicos ou históricos dos livros que leio, quanto muito tiro lições de vida. Para mim ler resume-se apenas a uma coisa que me dá muito prazer fazer.
Quanto ao o reino do norte, só me faltam algumas páginas para acabar e ainda não decidi de quem gosto......mas de qualquer maneira ainda tenho mais dois livros.
Este foi um post grande! foi para compensar o tempo que estive "ausente". lol
Continua a postar!!!!!!!
mc a 18 de Janeiro de 2007 às 14:27

Como eu te compreendo!
Só vim aqui responder a umas mensagens porque não tenho tido tempo nenhum... e o cansaço já se revela.
Quando falo em "inspirar credibilidade" refiro-me a certos factos. Por exemplo: no Código da Vinci é feita uma descrição do museu do Louvre. Parto do principio que é verdadeira, mas pode até nem ser, havendo adaptações, e se alguém me perguntasse alguma coisa sobre o museu, a descrição que li seria um pouco de referência. Mas e se for parcialmente falsa? É a este tipo de coisas (pequenas) a que me refiro.
Existem, também, muitas histórias sobre a Atlântida, todas diferentes, e bastante. Neste caso penso como tu: não existe porquê procurar realidades no meio daquilo.
Sem dúvida que ler é um prazer que não devemos dispensar.
Quanto aos Reinos do Norte cada vez que falas fico mais curiosos...

Até breve!
Fábio J. a 18 de Janeiro de 2007 às 22:24

Eu também te percebo, pois em muitos dos casos aquilo que está escrito nos livros corresponde à realidade, mas existem muitos outros casos em que a forma com o livro é escrito torna a história muito verosímil , o que nos leva a acreditar naquilo que lemos, apesar de tudo aquilo ser uma fantasia do autor. É por isso que eu prefiro não acreditar muito naquilo que leio. E de qualquer maneira a maior parte dos livros que leio são de fantasia e não me convém muito acreditar em elfos, dragões e coisas do género.
Só me faltam meia dúzia de páginas para acabar os reinos do norte! Eu sei que demorei muito tempo a ler este livro, mas o tempo é pouco. Posso dizer já que o livro é 4 estrelas, não é o melhor livro que eu já li na vida, mas sinceramente é muito bom. A linguagem é muito acessível , e é uma mistura de fantasia com.... nem sei bem o quê. Só sei que o resultado final é realmente bom. E acho que já decidi de quem gosto e quem odeio, é claro que espreitei um pouco o final do livro mas eu já estou mesmo a acabar por isso não fez muita diferença, não gosto de nenhuma das 2 personagens que eu já referi no outro post , embora não deixe de as admirar, pois tudo aquilo que elas fizeram, principalmente a personagem masculina, foi para alcançar um sonho, um objectivo. Tenho pena de essa personagem masculina não aparecer mais ao longo do livro, embora ele não deixe de ser em certa parte um assassino.............mas não vou dizer mais nada!
Estive na net a ler as criticas dos 2 livros que são a continuação deste e as criticas eram muito boas, e existiam muitos comentários a dizer que o final da trilogia era completamente inesperado. Estou ansiosa por ler.
Continua a postar
mc a 19 de Janeiro de 2007 às 20:30

Ando a escrever uma história sobre a Atlântida e investiguei mt sobre o assunto.
mímica a 18 de Janeiro de 2007 às 18:21

Bem, sim senhora...
Diz-se, e é verdade, que não existem duas histórias ou teses iguais sobre a Atlântida. Este livro que agora leio, por exemplo, apresenta uma tese bastante diferente de qualquer outra que já tivesse visto.
Acho que fazes bem em escrever sobre o assunto, principalmente se gostas, como eu, e não podia estar mais de acordo de que, para escrever um livro, é necessária bastante pesquisa, ainda para mais deste tipo.

Continua com o teu projecto que eu fico à espera dum novo sucesso nas bancas.

Até Breve!
Fábio J. a 18 de Janeiro de 2007 às 22:10

Um blog sobre livros e afins. A descongelar lentamente...
Contacto
Contacto

As mensagens poderão não ser lidas por extensos períodos. Pedidos de divulgação e/ou colaboração poderão não obter resposta.
pesquisar
 
A ler...
Tales of Earthsea

Romeo and Juliet

comentários recentes
<a href='http://www.cricinfobuzzlive.com/live-c...
E Jack london?Eça de Queiros.....
Também adorei!:http://numadeletra.com/a-mancha-hum...
Quando será lançado o quarto livro em português do...
Estou agora a ler esse livro e este seu texto deu-...
arquivos
2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


Leitores Online
online


O autor deste blog não respeita o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa