Fevereiro 03 2007

Por vezes, pergunto-me se a vida terá sentido, se a nossa existência tem algum fundamento ou se fomos apenas fruto do acaso. Desde logo, o facto de nascermos é algo curioso: simplesmente poderíamos não ter nascido! E se isso acontecesse, seria o mundo diferente?

Por outro lado, a nossa educação e sociedade orientam o nosso percurso durante o início das nossas vidas. Só quando somos comandados pela nossa própria razão e vontade damos asas à palavra liberdade e deixamo-la voar. De qualquer forma, tudo nos influencia, e não somos mais do que a resposta aos estímulos que recebemos, sejam eles quais forem.

Já com os livros, podemos afirmar que não são consequência do acaso. São idealizados por alguém, alguém que constrói todo o enredo e acção sem dar a possibilidade à história de se auto-criar. Se são resultado do trabalho de alguém são igualmente influenciados pela sociedade, mas não podemos dizer que têm liberdade, pois são simples mensageiros...

Eis, aqui, algumas semelhanças e diferenças entre a vida humana e a história dum livro. Não é, por isso, estranho que por vezes digamos que a nossa vida “dava” um livro. Conseguimos ser tão fascinantes e inigualáveis como uma história irreal, simplesmente porque conseguimos ser diferentes.

Se levamos a vida com serenidade e procuramos crescer buscando a verdadeira profundidade dos sentimentos e das razões, talvez nos pareçamos com poesia, esse rigoroso e simultaneamente errante género que acalenta a alma e dá sentido a algo que foge dele.

Já com mais força enfrentamos um drama, um romance que nos leva a repensar a forma de viver e que nos dá coragem para enfrentar um mundo igualmente extravagante. Pode parecer arrogante da parte de alguém comparar-se com a complicação de muitas histórias, mas também é verdade que, por vezes, a realidade consegue superar em muito tudo aquilo que a imaginação alcança, e não é demais dizer que a complexidade da realidade pode parecer surreal.

Para quem segue a vida como um explorador, redescobrindo cada pedaço do mundo e fazendo crescer os seus horizontes e vontades, uma epopeia pode ser o companheiro para uma viagem ideal. Basta seguir o destino, mesmo não acreditando nele, e não ficar à espera que a vida passe por si, mas acompanha-la, chegando á meta com igual velocidade e determinação.

A vida não é um mar de rosas, disso ninguém duvida, no entanto, pode ser tão inacreditável e fantástica que por vezes pensamos que fomos transportados para um mundo diferente, mesmo não atravessando um armário escondido, ou voando como crianças pelo céus... Não encontramos monstros nem feiticeiros, mas conseguimos viver tão originalmente e com tanta magia como qualquer cavaleiro mítico.

Se, por outro lado, temos muito para dar e somos gente do mundo podemos nos comparar com uma enciclopédia, completa e sabedora. Contudo, quem assim é, também pode ser estranhamente complicado, empilhando pensamentos e acumulando experiências, o que se pode revelar uma verdadeira novidade para o comum dos mortais. Pessoas complexas, pensamentos complexos!

Seja como for, todos nós somos únicos e como tal criamos novos mundos e perspectivas incapazes de se enquadrarem em minutas preconcebidas pela sociedade. Somos únicos, como qualquer história, e como tal temos direito a um lugar especial neste mundo curioso e inexplicável que é a vida.

 ______________________________________

Resultados do primeiro inquérito do ano

Se a minha vida fosse um livro seria...
 
11.4% de poesia.
21.92% um drama/romance.
11.4% uma epopeia.
48.24% uma história de fantasia.
7.01% uma enciclopédia.

 

Total: 114 respostas

 

Tenham um bom Fevereiro e Até Breve!!!

Publicado por Fábio J. às 18:33
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Bom post! Acho que tens razão sobre tudo aquilo que escreveste! Continua assim!
leitor a 3 de Fevereiro de 2007 às 19:53

P.S. : Era so para per guntar se não querias juntar-te a nós no blog http://ixoagora.blogs.sapo.pt
leitor a 3 de Fevereiro de 2007 às 20:27

Já vi o blog e o primeiro tema (aborto) pareceu-me muito interessante, e apeteceu-me logo fazer parte da equipa para poder dar a minha opinião duma forma clara e completa, contudo já ando tão ocupado que mal consigo arranjar tempo para este blog e muito menos para o outro.
Quem sabe mais para a frente, quando andar menos "atulhado".

Bye.
Fábio J. a 4 de Fevereiro de 2007 às 14:34

Que texto tão bonito! :)
Para já deixa-me felicitar pelos 114 votos! Uma grande votação!
Eu já não tenho bem a certeza em que votei, pois estava indecisa entre drama/romance e fantasia. Colocaria também a poesia, mas só ultimamente começei a apreciá-la, se bem que a minha vida deve ter uma pitada (grande) dela.
Acho que dava um bom drama, mas pelo meio tem toques de fantasia.Por isso uma mistura entre as três acho que é o mais correcto. ;)
A vida pode mesmo transformar-se num livro, e torna-se muito mais interessante se no´s olharmos para ela como se se tratasse de tal, pois daríamos valor a coisas que até podemos achar insignificantes mas que são elas a darem o verdadeiro valor a uma história.
Bem e já agora, que tipo de livro é a tua vida?
cricri a 3 de Fevereiro de 2007 às 19:53

Realmente, se fossemos retratar a nossa vida em palavras descobririamos, certamente, o que de mais importante tem a nossa história. Seria, sem dúvida, uma óptima reflexão pessoal... Bem visto!
Eu votei na epopeia. Gosto de imaginar a vida como um caminho sombrio e traiçoeiro, onde cada passo que damos é uma verdadeira aventura. É uma forma de ver a vida com mais interesse, com mais acção. De certa forma cada passo que damos é um risco, mas é também um nível que subimos na complexa escada que é a vida.
Quanto ao número de votações devo dizer que só votei uma vez, na epopeia como disse, mas fico satisfeito por ver que alguém deposita interesse na actividade...

Até Breve e bom semana.
Fábio J. a 4 de Fevereiro de 2007 às 14:16

Bom post!! gostei muito!! acho que tens toda a razão...

se eu fosse um livro seria... bem eu votei "uma história de fantasia.".. apesar de determinadas fases da vida se pareçam talvez com um drama...

sim, a nossa vida às vezes pode parecer mais surreal, mais original e criativo do que um livro, por sermos diferentes.. acontece tanta coisa na nossa vida ;P

outra vez, bom post. beijos**
Dee a 4 de Fevereiro de 2007 às 00:32

Se pensarmos bem, enquanto que numa história sabemos que os acontecimentos, por mais inacreditáveis e surreais que sejam, são reais e não nos surpreendem tanto, na vida real, mesmo sendo algo mais racional, o facto pode-nos parecer tão impossivel que não acreditamos nele, mesmo vendo-o à nossa frente. Algo estranho mas verdadeiro, não?

Acredita que a vida pode ser uma história de fantasia, afinal tudo pode acontecer!

Até Breve!!!
Fábio J. a 4 de Fevereiro de 2007 às 14:31

Ora a minha vida dava sem qualquer dúvida uma história de fantasia porque para mim tudo é mágico, nada acontece por acaso, portas abrem-se e fecham-se, há bruxas e heróis , príncipes e princesas, o amor que é o inicio de tudo e ódio que causa tanta infelicidade. Sim, uma história de fantasia onde sou a heroína da minha própria vida e onde sou fiel aos meus, a mim mesma e aos meus objectivos.
Se a nossa história daria um livro, existem livros que são a nossa vida.
Cláudia Oliveira a 5 de Fevereiro de 2007 às 14:33

Sábias e belas palavras...
Concordo que nada acontece por acaso, e que a vida, seja como for, esta repleta de magia, basta tentar interpreta-la.

E então, qual é o livro que representa a tua vida?
Fábio J. a 5 de Fevereiro de 2007 às 16:00

Neste momento posso dizer que o livro que representa a minha vida será A História Interminável de Michael Ende que conta a história de um menino que é muito solitário e timido, vive no seu Mundo e por mero acaso esconde-se num sotão onde dscobre um Livro com esse mesmo nome A História Interminável que de um momento para o outro leva-o a viajar pela terra da Fantasia que está próxima de ser destruida, onde faz verdadeiros amigos e luta pelos objectivos. Porquê que é a história que representa a minha vida? Porque vejo-me naquela criança, com um Mundo à parte, feito por mim, onde ajudo tudo e todos, que imagina o melhor, apesar de gostar de sossego e solidão não me vejo sem os obstáculos da vida,sem enfrentar a dura realidade. Li este livro cm 11/12 anos. Este livro retrata uma grande parte do meu ser,daquilo que é a minha essência apesar de ser um livro de Fantasia. Em relação ao Amor o livro que retrata sem dúvida a minha forma de Amar é o Livro de Fiódor Dostoiévski, Noites Brancas. Dificuldade em expressar os sentimentos,amar até à exaustão,amar em silêncio mas simplesmente amar. É uma história muio pequena mas que define bem como vejo o Amor e como convivo com ele. São as duas obras que retratam a minha vida, o meu ser.
Cláudia Oliveira a 6 de Fevereiro de 2007 às 15:37

Concordo!! :)

Tal como disse o Crítico "Sábias e belas palavras"
cricri a 5 de Fevereiro de 2007 às 20:52

Acho que podias editar um livro com estes teus posts ..... este está simplesmente lindo........... Eu já escrevi muitos trabalhos para filosofia sobre livros que abordavam o tema da existência do ser humano e quando comecei a ler o teu post desatei-me a rir porque tinha um trabalho que começava exactamente assim. Estou-me agora a lembrar de um post muito filosófico que escreveste algum tempo atrás e lembro-me também de comentar que tinha adorado o post e que para mim era um dos melhores que já tinhas escrito, e tu disseste que aquilo não era bem o que tu pensavas, que não era bem a tua opinião, tinha sido mais o teu subconsciente a falar, por isso eu agora digo-te, se foi o teu subconsciente a falar ele merece um prémio para melhor escritor de posts filosóficos, porque eu adorei este post ............................


P.S. desculpa não ter vindo mais cedo pois aliado à minha falta de tempo juntou-se o meu baile de finalistas e uma constipação!!!!!!!!!!!!!!!!!
mc a 5 de Fevereiro de 2007 às 19:16

Posts filosóficos? Bem, gostava que a minha professora te ouvisse dizer isso...
Mais uma vez obrigado pelos teus elogios, fazem-me logo ficar mais contente, como sempre que leio um post teu.
De certa forma, estes posts são também ensaios onde pratico a escrita e comunicação, e se ao me expressar conseguir realizar algo de original e interessante só fico a ganhar. Não me lembro de alguma vez ter misturado livros com o Homem, em filosofia, no entanto acho que seria um tema bastante interessante, textos, pelo menos segundo o que dizes, já tenho...

P.S: Fiquei com a pulga atrás da orelha, como se costuma dizer: baile de finalistas?

As melhoras da constipação e Até Breve!!!
Fábio J. a 5 de Fevereiro de 2007 às 20:24

Sim já foi o meu baile de finalistas, pois na minha escola é sempre no inicio de Fevereiro . Para quem não sabe em muitas escolas os finalistas organizam um baile, onde todos os que completam o 12º vão com os seus vestidos/fatos e por isso lá tive de ir eu de vestido de alças para o baile, que já agora é à noite!Acho um bocado estúpido ser em Fevereiro pois mesmo aqueles que nem sabem se repetem ou não o ano são finalistas, mas enfim eu não posso mudar nada por isso.........."rapei" (como se costuma dizer) frio e ainda fiquei pior da constipação!!!!!!!! Neste momento estou com um maço de lenços ao lado e com os olhos a arder!
quanto aos trabalhos que já tive de fazer para filosofia eles eram sobre a existência humana, pois eram sobretudo reflexões criticas a livros que eram previamente indicados pela professora. Na maior parte das vezes esses livros falavam sobre o destino, a vida o livre arbítrio , etc.
Por acaso adorava fazer esses trabalhos!!!!!!!!!!! Pena já não ter filosofia....
Continua a escrever textos filosóficos que eu tenho a certeza que a tua professora vai achar que tu és o próximo fernando savater !!!!!!!!!!!!!!!!
mc a 6 de Fevereiro de 2007 às 15:36

É realmente estranho que tenhas o baile de finalistas nesta altura. Por momentos pensei que fosses doutro país, como da Brasil, sei lá. Achei realmente... "exótico" esse costume, até porque é, como referiste, um "pouco" cedo, quanto mais não seja por ser no Inverno.
As melhoras da constipação (agravada pelo baile) e espero que este tenha sido divertido (apesar de possivelmente não ter tido aquela nostalgia de última vez)...

Quanto à comparação que fizeste devo dizer que me sinto elogiado, mas enquanto que com ele aprendemos muito, por tudo aquilo que ele ajudou a esclarecer no ser humano, eu não ensino nada a ninguém. Apenas tento expressar-me da melhor forma. Mas obrigado na mesma!

Até breve...
Fábio J. a 7 de Fevereiro de 2007 às 19:02

Não eu não sou do Brasil, sou mesmo de Portugal . lol
E tu estás enganado, tu ensinas muitas coisas às pessoas que passam pelo teu blog, ensinas-lhes a apreciar os livros..............e também te comparei ao fernando savater porque os teus posts me fazem reflectir tal como os livros dele. Gosto muito de um livro que ele tem que se chama "Ética para um jovem"

Continua a postar que eu vou tentar curar-me da constipação lol
mc a 7 de Fevereiro de 2007 às 21:27

Eu sei que não és brasileira, mas achei tão estranho que tinha de avaliar todas as hipoteses.
Acho que passo a vida a agradecer-te, mas agora também não será excepção. Fico contente por saber que contribuo em alguma coisa nas vossas vidas...

Em relação ao "Ética para um jovem" posso dizer que já li vários excertos na escola, mas não mais do que isso. Mas nunca digo nunca!

Bom fim-de-semana!
Fábio J. a 9 de Fevereiro de 2007 às 22:21

Ai, desculpa, o Crítico também já referiu, mas fiquei curiosa.. Já foi o teu baile de finalistas?
O meu é só em Junho... Correu bem?
E as melhoras!;)
cricri a 5 de Fevereiro de 2007 às 20:49

Obrigada pelas melhoras! O meu baile correu bem mas o teu ainda deve correr melhor pois é no verão e não passas tanto frio como eu passei!!!!!!!!!!! gostava de saber quem foi o "individuo" que decidiu que na minha escola o baile ia ser a meio do inverno!!!!!!!!!!!
mc a 6 de Fevereiro de 2007 às 15:42

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