Julho 17 2007
Num mundo em constante mudança e evolução, todos os pormenores da sociedade têm de galgar os degraus calcados pela humanidade e modernizar-se, para que continuem integrados e a cumprir as suas funções. Durante séculos o livro evoluiu, nomeadamente a sua parte física, seja o papel, a capa ou a caligrafia, pequenos passos de aperfeiçoamento... Agora, talvez seja necessário dar um salto a fim de alcançar um novo patamar, tal como aconteceu com o aparecimento do livro impresso.
Por um lado, existem os audiobooks, histórias que podemos ouvir no carro, na praia, na tranquilidade do nosso quarto, seja a partir de um leitor de CD’s, dum Mp3 ou até dum GPS. Este é um suporte que ganha adeptos, mas no qual pouco se aposta.
Comparativamente existe o mercado dos e-books, que não chega a ser um mercado, já que na grande maioria das vezes os textos são distribuídos gratuitamente, normalmente pela Internet. A maioria corresponde a livros antigos ou institucionais que há muito perderam os direitos de autor. Muitos deles são, por isso, pouco aliciantes.
Existem sempre aquelas pérolas que podem ser úteis, como os poemas de Florbela Espanca, a obra de Camões ou Jane Austen (só para dar umas “luzes”), bem como muitos, muitos outros clássicos portugueses e internacionais. Mas e a actualidade?
Bem, hoje em dia começam-se a dar os primeiros passos no sector e já existem autores a disponibilizar os títulos em formato digital pouco depois de serem lançados. Mas o número é ainda inexpressivo já que ninguém quer abdicar dos direitos de autor ou colocar o texto em formato digital à venda, já que é ainda pouco seguro e pouco lucrativo, atitudes que, portanto, se compreendem.
Em Portugal, numa iniciativa inédita, foi recentemente colocado à disposição do público O Futuro à Janela, uma obra publicada em 1991 da autoria de Luís Filipe Silva. A obra, composta por uma colectânea de contos, venceu o Prémio Caminho de Ficção Científica, um dos mais prestigiados para obras originais em língua portuguesa do género fantástico, e é agora disponibilizado gratuitamente para leitura e divulgação no site do autor, TecnoFantasia, podendo ser descarregado.
Esta é, sem dúvida, uma boa notícia e quem sabe outros autores não seguirão a iniciativa tornando este sector cada vez maior e, o mais importante, repleto de boas obras.
A indústria do livro afirma que não é inimiga do e-book, já que reconhece que a maioria dos leitores não trocaria o prazer que um livro tradicional proporciona, enquanto objecto, pela frialdade de um digital. Bem, recentemente um fabricante de ebookman's apresentou um novo aparelho que, supostamente, consegue imitar as principais características dum livro convencional, mas um livro convencional será sempre (pelo menos por agora) um verdadeiro livro.
Seja como for, a opinião é unânime: o importante é ler, divulgando conhecimentos e culturas, dando novos mundos ao mundo, mudando mentalidades.
Para aqueles que quiserem dar o primeiro passo deixo aqui a referência ao Projecto Gutenberg, fundado pelo homem que há 36 anos colocou o primeiro livro digital na Internet. Hoje, cerca de 3 milhões de livros (audiobooks ou e-books) são descarregados, mensalmente, neste portal.
O futuro está cada vez mais perto!
Boas Leituras, pois afinal, ler será sempre ler!!!
Publicado por Fábio J. às 19:47

Olá. Antes de mais, obrigado pela simpática divulgação. Devo dizer que a iniciativa já me proporcionou alguns resultados interessantes, entre os quais de leitores que me indicaram ter finalmente ter tido acesso ao livro, impossível de encontrar nas livrarias (a maioria eram brasileiros).

Só queria deixar aqui duas pequenas correcções:
- o nome do livro é Futuro À Janela (o "somente" apenas surge no texto de divulgação);
- é um livro de contos independentes que não se relaciona com o ciclo da GalxMente e que o antecede, na verdade.

Espero que outros autores sigam este exemplo; não creio que se percam leitores mas sim que se ganhem, e de qualquer forma o que interessa é divulgar a escrita.

Abraços!
Luís Filipe Silva a 18 de Julho de 2007 às 17:34

Em primeiro lugar, as minhas sinceras desculpas. Tento perceber como coloquei o "novamente" no título, e porquê a confusão com a GalxMente, mas só se pode dever a uma injustificável distracção.

Não conhecia a obra (apesar de visitar o site), mas já li um pouco e está a ser bastante interessante, sendo sincero. O enredo e a narrativa são, no mínimo, originais, desde já os meus parabéns.

Também espero que outros autores sigam o exemplo pois, apesar de achar o papel uma parte "confortável" do livro, o mais importante é ter acesso a boas obras, seja em que suporte for.

Até Breve!
Fábio J. a 18 de Julho de 2007 às 19:58

Bem, eu pertenço ao grupo dos adeptos da leitura em formato tradicional. Ter nas minhas mãos o livro e ir lendo a história é fantástico.
Quando tinha 5 anos lembro-me de ter audiobooks: Alice no País das Maravilhas, O Feiticeiro de Oz e Winnie the Pooh. Não gostava das duas primeiras histórias e associei as cassestes de audiobooks a "não gostar". De qualquer forma e hoje fazendo essa análise, continuo a não achar grande piada. Prefiro estarno silêncio a ler e a imaginar as cenas, as vozes das personagens. Enfim, deixar a nossa imaginãção ser mestre do momento.
Já os e-books.. Bem, já arranjei alguns mas sinceramente, dispenso. É muito impessoal, e depois ter de estar a olhar para o monitor do computador.. não sei, não gosto, só o faço em último recurso. Além de ser mais cansativo.
Mas há quem goste, com certeza. E como dizes, e bem, o importante é mesmo ler.
cricri a 4 de Agosto de 2007 às 16:33

Antes de mais, bem-vinda de volta! Fico muito contente por ver-te novamente aqui.

Eu também sou como tu, pois acho que uma parte significativa do prazer da leitura está no "encontro" físico entre livro e leitor.
Quanto aos e-books, concordo que é cansativo, e apesar de ser leitor assíduo de textos neste formato, também não é muito aliciante. Comecei a ler a história que refiro no post, mas devido ao calor e cansaço provocado pelo tempo parei pouco depois embora queira continuar.
Acho que nunca segui um história através de um audiobook, mas a ideia não é, de todo, do meu agrado. Muito mais do que um e-book, não consigo considerar isso ler, e no fundo não o é... apenas acompanhamos a história, o que não é mau mas é pouco interessante.

Mas pronto, desde que se leia... ou acompanhe histórias.
Fábio J. a 4 de Agosto de 2007 às 22:51

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