Agosto 03 2007
Este é o primeiro post que escrevo em papel. Normalmente escrevo usando o teclado, fitando uma tela branca, sem ensaios; mas tenho andado sem paciência para o moderno maior amigo do homem: o computador. Por isso mesmo, nada melhor do que pegar na caneta e faze-la dançar sobre a folha branca.
Antes de mais, uma notícia que teria sido oportuna no post anterior, mas só agora descoberta: na próxima Primavera chegará ao cinema a adaptação do quarto livro d’As Crónicas de Nárnia, O Príncipe Caspian. Não querendo opinar sobre esta adaptação saliento apenas que esta será mais uma boa oportunidade para cativar a atenção de potenciais leitores para a série. No final todos ficarão ganhando: o filme reclamará a qualidade do livro e este a popularidade do filme. Um mútuo marketing, com bons lucros.
Como já aqui disse, os livros necessitam acompanhar a evolução dos tempos. Num mundo consumidor, as editoras apostam no marketing para venderem os livros, em busca do importante lucro. Não sou especialista em publicidade e técnicas de venda, mas achei o termo “retromarketing literário” muito apropriado para o que se passa hoje em dia. Dois exemplos:
O Código da Vinci é apenas um livro. Talvez cative o público pelo tema, mas o mesmo acontece com muitos outros títulos. No entanto, não são todos os títulos que recebem críticas do Vaticano. Pondo em prática o provérbio de Adão, “O fruto proibido é o mais apetecido”, eis que este se torna num romance conhecido mundialmente, que transporta o autor para os tops e dá origem a um criticado filme.
Vejamos agora o exemplo do Harry Potter. Os primeiros fãs terão sido conquistados pelo “passa a palavra”, mas depois dos livros, filmes, jogos, especulações e com um inigualável leque de blogs e sites a tratar do tema, podemos dizer que o mundo está, hoje, potterizado. Este é, aliás, o melhor exemplo de “retromarketing literário”, já que segue as 5 “artes” desta moderna técnica de publicidade criada por Stephen Brown:
1: Todos os fãs fazem parte duma comunidade mundial, que os liga a todos, e a obra é hoje um objecto de culto, uma colecção. 2: Existe o máximo mistério. Um clima de intriga total até ao lançamento, o que proporciona um ambiente único. 3: As surpresas são amplificadas ao máximo, empolgando os fãs e, se for necessário, chocando-os. 4: A especulação, mesmo que totalmente inventada, é bastante entusiasmante. 5: Toda esta publicidade acaba por ser entretenimento, divertindo e estimulando o cliente! Digam lá se o Harry Potter não reúne todas estas “artes”?
A verdade é que resulta, e mesmo que os fãs indiquem outros factores para seguirem as obras, como a qualidade destas, não podem negar a realidade que existe por trás, tornando o livro um produto competitivo.
No mês passado, os visitantes do blog puderam dar a sua opinião em relação a este tema. Muitos confessaram que, no meio de tanto entretenimento, especulações e “obscuras” técnicas publicitárias, a qualidade da obra pode ser manchada, sendo até, em casos extremos, descredibilizante para a literatura. Houve, no entanto, quem considerasse que este é o futuro da literatura, quem sabe uma forma de a tornar mais pública e competitiva, aliando a cultura ao entretenimento. Dentro desta expectativa houve ainda quem achasse que este é o marketing ideal, talvez um exemplo a estender a todas as obras, saciando o consumidor duma forma agradável. Por fim, ainda espaço para aqueles que simplesmente consideram esta simples publicidade, talvez apenas uma forma diferente de vender o produto. E já agora, as minhas desculpas se usei um neologismo demasiado estranho.
Numa cultura tão vasta, o retro pode ser moda, e com uma jogada ofensiva ainda pode levar-nos a comprar e adorar produtos que doutra forma nem conheceríamos.

_________________________________

 

O "retromarketing literário" é, para a literatura:

 

39.13% uma “mancha”
8.69% o futuro
17.39% o ideal
34.78% simples publicidade

 

Total: 23 respostas

 

Boas Férias! Boas Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 23:15

Há algum tempo acompanho o seu blog. Adoro os seus posts. Moro no Brasil e, como você, vejo a urgência de tornar a literatura fácil e compreensível.

Um grande poeta de minha terra fala acerca disso:

O LIVRO E A AMÉRICA

AO GRÊMIO LITERÁRIO

TALHADO para as grandezas,
P'ra crescer, criar, subir,
O Novo Mundo nos músculos
Sente a seiva do porvir.
— Estatuário de colossos —
Cansado doutros esboços
Disse um dia Jeová:
"Vai, Colombo, abre a cortina
"Da minha eterna oficina...
"Tira a América de lá".

Molhado inda do dilúvio,
Qual Tritão descomunal,
O continente desperta
No concerto universal.
Dos oceanos em tropa
Um — traz-lhe as artes da Europa,
Outro — as bagas de Ceilão...
E os Andes petrificados,
Como braços levantados,
Lhe apontam para a amplidão.

Olhando em torno então brada:
"Tudo marcha!... Ó grande Deus!
As cataratas — p'ra terra,
As estrelas — para os céus
Lá, do pólo sobre as plagas,
O seu rebanho de vagas
Vai o mar apascentar...
Eu quero marchar com os ventos,
Com os mundos... co'os firmamentos!!!"
E Deus responde — "Marchar!"

"Marchar!... Mas como?... Da Grécia
Nos dóricos Partenons
A mil deuses levantando
Mil mármores Panteons?...
Marchar co'a espada de Roma
— Leoa de ruiva coma
De presa enorme no chão,
Saciando o ódio profundo...
— Com as garras nas mãos do mundo,
— Com os dentes no coração?...

"Marchar!... Mas como a Alemanha
Na tirania feudal,
Levantando uma montanha
Em cada uma catedral?...
Não!... Nem templos feitos de ossos,
Nem gládios a cavar fossos
São degraus do progredir...
Lá brada César morrendo:
"No pugilato tremendo
"Quem sempre vence é o porvir!"

Filhos do sec'lo das luzes!
Filhos da Grande nação!
Quando ante Deus vos mostrardes,
Tereis um livro na mão:
O livro — esse audaz guerreiro
Que conquista o mundo inteiro
Sem nunca ter Waterloo...
Eólo de pensamentos,
Que abrira a gruta dos ventos
Donde a Igualdade voou!...

Por uma fatalidade
Dessas que descem de além,
O sec'lo, que viu Colombo,
Viu Guttenberg também.
Quando no tosco estaleiro
Da Alemanha o velho obreiro
A ave da imprensa gerou...
O Genovês salta os mares...
Busca um ninho entre os palmares
E a pátria da imprensa achou...

Por isso na impaciência
Desta sede de saber,
Como as aves do deserto —
As almas buscam beber...
Oh! Bendito o que semeia
Livros... livros à mão cheia...
E manda o povo pensar!
O livro caindo n'alma
É germe — que faz a palma,
É chuva — que faz o mar.

Vós, que o templo das idéias
Largo — abris às multidões,
P'ra o batismo luminoso
Das grandes revoluções,
Agora que o trem de ferro
Acorda o tigre no cerro
E espanta os caboclos nus,
Fazei desse "rei dos ventos"
— Ginete dos pensamentos,
— Arauto da grande luz!...

Bravo! a quem salva o futuro
Fecundando a multidão!...
Num poema amortalhada
Nunca morre uma nação.
Como Goethe moribundo
Brada "Luz!" o Novo Mundo
Num brado de Briaréu...
Luz! pois, no vale e na serra...
Que, se a luz rola na terra,
Deus colhe gênios no céu!...

Castro Alves - Bahia, 1867.

Jamilly Izabela a 3 de Agosto de 2007 às 23:40

Obrigado pelo comentário e simpatia!
Nest meu blog tento fazer precisamente isso: trocar opiniões sobre literatura sem presunções nem cerimónias. Há que falar de literatura e mostra que esta é simples e bela, como a vida.

Gostei do poema, e este resume um grande ideia: com os livros podemos fazer muita coisa, e quando este nos cai na alma podemos mudar, fazer revoluções.

Até Breve!
Fábio J. a 4 de Agosto de 2007 às 23:34

Finalmente, posso comentar um post actualizado.
Sou-te franca: nunca tinha ouvido falar de retromarketing. Mas achei giro.
Sem dúvida que o Potter é isso mesmo. Eu diria até o melhor exemplo. Todo aquele entusiasmo em redor da colecção e antes dos lançamentos é de loucos. Se bem que eu faça parte dessa loucura. Acho fantástico ver a maneira como tanta gente está unida em redor do livro. Fantástico. Não sei será o ideal, mas é giro. Desde que não se torne cansativo e se torne vulgar. Acho que não.

Boas férias - E boa resistência ao calor. Hoje tinha a sensação que na rua até custava respirar..também com 36º vindos de África e alerta laranja é demais pra nós, "pobres criaturazinhas" europeias..!
cricri a 4 de Agosto de 2007 às 17:44

Não te censures: eu também só encontrei o termo no dia em que fiz o inquérito. Mas achei giro e o ideal para o que se passava com o Harry Potter.
Não sei se é o ideal, mas considero-o bom, desde que não seja muito especulativo. Mas este marketing tem muitos pontos fortes: entretém, é divertido, empolgante...
Acho que se adequa totalmente a fenómeno Potter: com tantos blogs e sites, e destaque em livrarias e comunicação social, o jovem feiticeiro está em todo o lado, é quase como um religião!

Eu detesto calor. Sair à rua só à noite, já que a minha resistência ao calor é muto baixa. Os meus genes devem ser dum europeu do século XV, da Noruega: são anti calor!

Até breve e boas férias, sem calor!
Fábio J. a 4 de Agosto de 2007 às 23:21

ola
para começar ja aconteceu qualquer coisa que se pos entre mim e os Anders 3 , para variar ;) :P
nao sei se te disse mas so ia ler o ultimo livro do Harry Potter em portugues. MENTIRA!!!! decidi por em a estudar ingles a ler o Harry Potter em ingles.estou a gostar. nao vou adiantar muito pois sei que tal como eu quando ainda na sabia ler em ingles queremos decobrir o que se vai passar sem mosquinhas a esvoaçar á nossas volat a dizer "e depois aconteceu assim", bla bla.... so digo que estou a gostar e ja aconteceram coisas que nao se percebe. quase de certeza que so se compreende no fim. para acabar tal como ja disse ja li todos os livros d' As Cronicas de Narnia. gostei em geral mas as aventuras que eles tem no caminho sao fixes. no final o Ripitchip é muito corajoso. é recompensado no ultimo livro. como nao sei se ja leste o ultimo nao digo mais nada. good holidays ;)
ARYA a 4 de Agosto de 2007 às 19:05

Parece que o Ander 3 está mesmo a ficar para trás: pelos vistos não o achas muito apelativo.
Eu também pensei que se lesse o Harry Potter em inglês também desenvolvia a língua, mas uma obra como está tem de ser totalmente compreendida, e não metade. Mas ainda bem que estás a gostar e compreender!

Talvez pelo carácter, passei a gostar bastante do Ripitchip. Apesar de ser um animal, tem muita coisa a ensinar aos humanos, e fico contente por saber que volta no último volume... quem sabe não o leio.

Boas férias!
Fábio J. a 4 de Agosto de 2007 às 23:26

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