Agosto 12 2007
Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.
Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.
Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legitima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.
Orfeu Rebelde de Miguel Torga
Há 100 anos nasceu Miguel Torga (pseudónimo de Adolfo Correia Rocha), aquele que é hoje considerado “o escritor mais autenticamente português”. Formado em medicina, foram as histórias, os diários e os poemas que tornaram Torga uma referência da literatura portuguesa. Homem do mundo, vivia para cantar a sua terra, a sua identidade transmontana, portuguesa e ibérica, uma cultura que o alimentava e sustentava e para a qual ele contribuiu singularmente.
Sempre ligado à Natureza, Torga tornou-se o Orfeu português, uma personagem única e autêntica que perdurará pelos tempos, tal era a alma da sua escrita.
Miguel Torga morreu em Coimbra, a 17 de Janeiro de 1995. Foi um dos mais importantes escritores portugueses do século XX.
Do escritor apenas li um livro de poesia e parte dum diário. Estou a pensar reler todo este diário, nesta ocasião. Embora a sua lírica não seja a minha favorita, admiro a infindável busca pelas raízes e a forte ligação à terra que este autor nos apresentou. Talvez tenhamos algo a aprender com ele.
Boas férias e Até Breve!!!
Publicado por Fábio J. às 20:25

Miguel Torga! O escritor que talvez mais tenha ouvido falar este ano. Por estar em Trás-os-Montes e existir uma escola que lhe deve o nome, houve várias comemorações do seu centenário: recitais, teatros, palestras, cartazes...! Já ouvi uma análise a "Bichos" e aos diários mas nunca fui cativada para ler. Mas achei este poema fantástico! Denota uma alma muito forte, a ligação à terra... Faz pensar nas montanhas de trás-os-montes, nas árvores, nos riachos, os animais selvagens. Uma paisagem forte e rude mas que sendo apreciada como foi por Miguel Torga se pode tornar fantástica.

E que tal O Regresso do Rei?
Eu estou a ler Tristan et Iseut, a lenda de Tristão e Isolda. Pena ser em francês... Mas estou a gostar, é muito bonita e parecida às histórias de fantasia nórdicas que tanto há pelo mercado, embora mais simples e menos fantástica.

Boas férias!
cricri a 13 de Agosto de 2007 às 16:32

Eu confesso que pouco notei sobre este centenário.
Mas neste último ano lectivo Miguel Torga foi um dos escritores analisados, e tive de estudar a sua poesia. E até gosto, principalmente quando a temática é a Natureza e a sua sabedoria, a terra e a cultura dum povo, que é o nosso. Quase que podemos dizer que é o Camões do séc. XX, tal é o patriotismo dele.
Um senhor da nossa literatura.

Quanto ao Senhor dos Anéis foi como disse no post seguinte. Bastante bom, para resumir.
De Tristão e Isolda só sei que são um casal de apaixonados, o resto da história é-me desconhecida. Mas penso ser um lenda tipo Romeu e Julieta, certo? Fico à espera de mais pormenores e opinião, quem sabe no teu blog, depois de leres.

Até Breve!

Ah sim, ele e Pessoa foram os grandes marcos da noss literatura do século XX. Eu acho que também analisei alguns poemas no 10º ano.. Já não me lembro muito bem pois como só saiu matéria de 12º no exame, foi nela que nos concentrámos mais.

Tristão e Isolda são um casal de apaixonados. É género Romeu e Julieta, mas eu não achei muita piada à sua história. Acho que foi por ter visto o filme Romeu + Julieta e não ter gostado, daí, quando li o livro transportei a sensação. Mas Tristão e Isolda é uma lenda/história que era muito contada na Europa, principalmente no norte. Tal como é contado n'O Cavaleiro da Dinamarca. Mas, diferentemente de Romeu e Julieta, eles apaixonam-se ao tomarem uma poção mágica. Não é uma história grande, é simples e fez-me lembrar a Branca de Neve, quando uma rapariga é mandada matar no meio da floresta pela rainha e que depois os homens lhe levam, para provar o assasinato, o coração de um animal. Acontece que a rainha "assasina" é Isolda. Bem, acho que só ainda vou a meio porque parei de ler estes dias. Tenho de recomeçar. Não é um livro com suspense nem grandes acontecimentos, mas é uma história bonita, género conto de fada com o herói "todo poderoso", a princesa e os maus da fita lá pelo meio.
Talvez quado acabar de ler escreva a opinião sobre o livro. Devia tê-lo feito principlamente com A Fórmula de Deus, mas devido às circunstâncias não deu.. Talvez um dia.

Boas férias!
cricri a 28 de Agosto de 2007 às 23:25

Devo confessar que depois de tu referires a história fui procurar e encontrei um pequeno resumo. E ao lê-lo lembrei-me que já tinha visto uns desenhos animados que retratavam a lenda.
Mas pelo que descreves parece que o que li e vi eram ligeiramente diferentes.
Fico então à espera duma opinião sobre esta história.
E já agora, acho que no que li a história passava-se na Irlanda: existe alguma veracidade na história?
Fábio J. a 29 de Agosto de 2007 às 20:16

Por falar em Fórmula de Deus, li ontem uma opinião num blog que dizia que os livros de Rodrigues dos Santos eram maçudos e com diálogos demasiado extensos: é verdade?

Bem, aproveito para responder aos 2 comentários:
A história tem vários cenários, bem até agora 3: A terra natal de Tristão, Tintagel (que fiquei a saber que está relacionado ao rei Artur e que julgo pertencer a Cornualha, se bem me lembro do livro) e o Reino da Irlanda (de onde é Originária Isolda). São locais reais, todos eles. Acho que depois ainda há viagens a França. Pelo menos é referida.

Qaunto a José Rodrigues dos Santos.. Eu como já disse achei a Fórmula muito interessante. O que acontece é que é um livro que faz mesmo pensar. Tem muita física. Se não gostares do tema ou não estás disposto a raciocinar é capaz de ser maçador. Mas são fundamentais as explicações que lá são dadas. Para mim foi óptimo pois revi imensa mantéria de 10º e 11º de FQ. Bastante, mesmo. O Codex ainda não li... Já me disseram que não é tão interessante, mas não sei, não posso dar a minha opinião. Mas a Fórmula de Deus para mim é fantástica, recomendo. Então se gostas de Dan Brown..! Perfeito.
cricri a 29 de Agosto de 2007 às 21:48

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