Setembro 16 2007
O fim das férias traz outras coisas para além do trabalho. Uma delas é o fim do Verão. Começa então o frio e o vento, e com eles a vontade de ficar em casa, sentado, a ler um bom livro. Talvez por isso o Outono já tenha sido considerado a estação dos livros.
Não deverá ser, portanto, coincidência o facto deste ser o período de maior agitação editorial, no qual o marketing, a quantidade e a qualidade dos lançamentos convidam à leitura. Este ano, o início desta época é marcado por uma notícia que tem sido bastante comentada na impressa e em blogs: a “guerra aberta” entre a Bertrand e várias editoras livreiras nacionais.
A situação dura já desde Maio, mas começou a ser comentada principalmente a partir da semana passada, altura em que a maior cadeia de livrarias nacional anunciou a abertura de quatro novas lojas, nas quais as novas condições de compra de livros às cerca de 150 editoras com que trabalha estarão a funcionar.
Em Maio, a Bertrand Livreiros, recentemente comprada pela internacional Bertelsmann, emitiu um comunicado no qual informa que a partir do dia “14 de Maio de 2007, todas as devoluções e entregas de livros nas Livrarias Bertrand serão da responsabilidade e custo dos fornecedores”. Isto gerou um braço-de-ferro com as editoras, já que muitas delas não estão dispostas a arcar com estas dispersas que se traduzem num decréscimo de 4% a 6% nas receitas editoriais. 80% das editoras já terão aceitado as exigências da Bertrand, mas ainda é possível não encontrar vários títulos recém editados nas suas prateleiras, já que não existem relações comerciais com as restantes 20%.
A situação é inquietante. Gradiva, Cotovia, Porto Editora ou Dom Quixote são apenas algumas das editoras que desde Maio não recebem encomendas das livrarias Bertrand. Num mercado tão frágil, algumas editoras já alertaram para as possíveis consequências a breve prazo: a subida dos preços. Outros afirmam não o vir a fazer, já que declaram não depender da Bertrand, aplicando “planos de contingência” e reforçando as relações com outras livrarias e hipermercados.
Segundo a impressa, a Bertrand terá já tido uma queda de 40% nas receitas, números que também já afectam as editoras, como a Cotovia que calcula uma queda de 14%. Por um lado a administração das livrarias mantêm-se impassível e afirma que “a situação é perfeitamente normal e todos os anos o objectivo da Bertrand é aumentar as suas margens”, e por outro há já quem diga que esta problemática tem como objectivo “fragilizar as editoras portuguesas para serem compradas por estrangeiros”.
As principais editoras prometem não ceder e esperam que estas decisões unilaterais sejam rapidamente repensadas, trazendo novos contributos positivos para a indústria.
Na Internet, é possível encontrar algumas opiniões radicais, como o suspender de compras nas livrarias Bertrand, afim de demonstrar o descontentamento que a situação está a provocar no público em geral. Devido à delicadeza do assunto, não sei se será a melhor opção, mas duma coisa não tenho dúvidas: é bom que a situação se altere rapidamente. Caso contrário, seremos nós, os leitores, a sofrer as consequências deste braço-de-ferro.
Resta-nos esperar que a situação se resolva e que todos tenhamos ao nosso alcance bons livros nesta estação que convida à leitura.

Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 21:33

O teu novo visual está o máximo! Estive a reparar que andas a ler os Maias, eu também, e confesso k está a ser uma grande surpresa...
mímica a 18 de Setembro de 2007 às 21:12

Ainda bem que gostas do novo aspecto.

Já li Os Maias há algum tempo, e agora estou a reler-lo. Existem vários aspectos de que já não me recordava, mas a ideia geral que tenho é duma história um pouco aborrecida no início, mas interessante na segunda parte. Pode ser que desta vez o ache totalmente interessante (ou não).
Boa sorte e Boas Leituras!!!
Fábio J. a 18 de Setembro de 2007 às 22:04

Eles estão é a precisar do meu livro à venda para pôr as receitas no topo!
LOOOOOOOL

OBVIAMENTE, estou a brincar...

Mas isso é mau... eu que pensava que o mercado livreiro era pacífico...

PORTUGAL... resume-se a isso.
Miguel a 20 de Setembro de 2007 às 21:54

Acho que tens razão. Tens de editar o teu livro para pôr a Bertrand a teus pés! :P

Não é mesmo uma situação nada boa. Se este mercado é pacífico, pelos vistos vemos agora que não, mas que frágil sempre foi e será, disso não tenho dúvidas.

Realmente, pergunto-me se isto aconteceria noutros lugares... mas enfim.
Fábio J. a 22 de Setembro de 2007 às 19:51

Tenho de dizer que no início do teu post, quando ligaste os livros ao outono, fiquei com uma imagem do filme "O Senhor dos Anéis: O Regresso do Rei" em que Arwen volta a Rivendell (quando ia partir dos Portos-Cinzentos) e depois de falar com o pai, sentada, segura um livro que cai ao chão onde há folhas caídas de outono. Realmente, é uma boa combinação: livros e outono.

Quando à "Bertrand e Companhia"...
Bem, que situação..! Não tinha lido nada sobre isso. Mas não é nada normal esse "corte de relações" entre editoras como essas e a Bertrand. Espero que acabe por se resolver!
Para bem de todos!
cricri a 20 de Setembro de 2007 às 23:04

Eu, pessoalmente, acho a combinação livros-frio fantástica. Talvez tenha a ver com a própria noção de criação, em que as lendas são contadas à volta da lareira e a sabedoria é passada através das gerações...
Diria que estás com saudades do mundo de Tolkien. Foi sem dúvida uma excelente alusão, que retrata bem as sensações que a "combinação" acima referida desperta em nós. Gostei!

Esperemos realmente que a situação se resolva. Seria muito mau se os preços dos livros subissem ou se houvessem obras que deixassem de ser editados devido a "planos de contingência!.
Fábio J. a 22 de Setembro de 2007 às 20:08

Não, não é uma situação normal noutros mercados livreiros como o americano e o britânico, onde há concorrência entre vários livreiros.

Mas, no mercado português há dois livreiros que têm grande poder visto que ocupam grande fatia de consumidores que são a FNAC e a Bertrand. Sendo que a FNAC resume-se a algumas áreas de grande densidade populacional enquanto que a Bertrand já está mais uniformemente espalhada pelo país.

Esta atitude da Bertrand é de má fé e demonstra pretensões monopolistas. No dia seguinte a essa notícia sobre o corte de relações a Bertrand anunciou a abertura de mais três livrarias.

A Bertrand já demonstrou que este problema não se vai resolver com o tempo. Resta às editoras procurar uma solução alternativa que lhes permita escoar os seus produtos.

Essa posição mencionada como exagerada foi defendida pela "Booktailors - Consultores Editoriais" ( http://www.blogtailors.blogspot.com/ ) e não é exagerada, é a única opção possível por parte dos consumidores, a alternativa é a inacção que de resto é uma má alternativa pois se a Bertrand mantiver as vendas não vai de certeza recuar na sua posição. Os Srs. que adoptaram essa posição trabalham com editores e pretendem que a Bertrand respeite a mão que lhe "dá de comer" (os editores).
Katia a 25 de Setembro de 2007 às 12:20

Sem dúvida esse é o grande problema deste mercado em Portugal: o monopolismo.
Desde as editoras até às livrarias, o poder de decisão está muito concentrado o que dá muito pouca margem de manobra a todos aqueles que não se queiram submeter aos "dominantes".

A verdade é que, no final, e independentemente do que acabe por fazer, quem fica a perder é o leitor, e a vários níveis!
Esperemos alguma coisa mude neste universo tão complexo.

Até Breve!
Fábio J. a 26 de Setembro de 2007 às 22:49

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