Dezembro 03 2007
Já estamos em Dezembro e para além do frio e da chuva, também o Natal é uma realidade cada vez mais forte. Luzes, decorações, canções, promoções... Já agora, e porque me lembrei, fica aqui a referência às promoções de Natal da Webboom.pt, na qual todos os livros têm, no mínimo, 20% de desconto. Parece-me uma boa campanha, útil para quem estiver interessado em poupar algum dinheiro na compra de livros.
E já que me referi a compras, pergunto-me agora quais os tipos de literatura que maioria de nós escolheria. Em Outubro, questionei os visitantes do blog sobre o interesse pela proveniência dos seus livros. Um vez que as preferência aparentavam uma tendência para o interesse do que não é nacional, resolvi, no passado mês, tentar perceber o que, afinal, mais prejudica o sucesso da literatura actual ou, por outras palavras, qual o principal problema desta.
Pois bem, os resultados demonstram que realmente existe algum problema com a nossa literatura, algo que faz com que esta não seja capaz de satisfazer a maioria dos leitores portugueses.
Felizmente, apenas uma minoria considera ser a falta de qualidade o principal factor que nos conduz a este declarado desinteresse. Como já havia dito, acho que efectivamente existe má literatura portuguesa, mas não considero, de todo, que esta seja uma característica geral dela. A qualidade deve ser analisada de forma particular, caso a caso, pois feita esta generalização acabamos por nos adjectivar como incapazes, como se ser português fosse uma condição que obrigatoriamente levasse um cidadão a produzir coisas de pouca qualidade. Eu não penso assim, não quero pensar assim! Acho demasiado deprimente.
Já no que toca à criatividade os resultados, que são mais significativos, parecem-me também mais compreensivos. Existem livros nacionais com uma excelsa criatividade, criatividade essa que faz do livro um obra de arte, de inquestionável interesse. Contudo, a verdade é que, em muitos casos (talvez demasiados), a comparação entre livros nacionais com outros de popularidade internacional é possível e até obrigatória; não que a comparação seja algo mau, mas parece-me desde logo que esta demonstra uma falta de originalidade, se feita duma forma demasiado facilitada pela narrativa.
Sem dúvida, é a falta de marketing o principal factor apontado para esta problemática. E compreende-se. Quantos de nós não lemos já alguma obra portuguesa que nos demonstrou imensas potencialidades mas que, infelizmente e para nosso transtorno, não são valorizadas nem no seu país de origem? E é até uma pouco frustrante perceber que temos nas mãos uma obra-prima de grande interesse, mas que serão poucos aqueles que a apreciarão. Podemos até atirar as culpas para as editoras, no entanto, prefiro acreditar que estas fazem tudo o que lhes é possível e que é o nosso mercado, talvez lotado e demasiado comercial, passo à redundância, que é incapaz de suportar a valorizar este tipo de obras.
Por último, existem também aqueles que, ou devido à falta de qualidade ou à falta de criatividade ou seja lá o que for, acham que, na verdade, não existe uma actual literatura portuguesa. Bem, são opiniões, e embora talvez um pouco extremistas, são o reflexo duma realidade desanimadora: algo não está bem na nossa literatura.
________________________________
 
 
Qual o principal problema da actual literatura portuguesa?
 
5% Nenhum
3.75% Falta de qualidade
28.75% Falta de criatividade
51.25% Falta de marketing
11.25% Qual literatura?

 

Total: 80 respostas
 
 
 
 
Boas Leituras e boas preparações natalícias!
Publicado por Fábio J. às 23:16
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"O que é nacional é bom". Eu acredito realmente nisto, infelizmente a maioria apenas o diz pela piada do trocadilho com a publicidade. Existe muita coisa boa por aí fora, é verdade. Eu próprio nos meus autores favoritos tenha uma grande maioria não-portuguesa. Mas em Portugal temos muito bons autores, alguns com provas mais que dadas e outros ansiosos por as dar. Acho que é de investir em literatura escrita em português por portugueses.
SkyStorm a 4 de Dezembro de 2007 às 08:58

Eu acredito que o adágio é mais do que um trocadilho, pois acaba por ser uma verdade. Em várias áreas não tenho dúvidas que os produtos nacionais estão muito bem preparados para competir com o que bem de fora, e o caso dos livro não é excepção. A qualidade existe, temos é de a reconhecer a divulgar, deixando de lado todos os preconceitos.
Nos últimos tempos vários novos escritores portugueses têm-se destacado e realmente acredito que isto seja um bom sinal.
Acho que também leio mas estrangeiro que nacional, mas espontaneamente, nos últimos tempos, tenho notado que o meu interesse por obras nacionais tem aumentado. Basta descobrirmo-nos a nós próprios.
Fábio J. a 13 de Dezembro de 2007 às 23:22

Este ano por acaso até não está a ser mau em termos de campanhas/promoções de natal no sector livreiro, para além das livrarias, também algumas editoras resolveram aproveitar o natal para tentar vender mais alguns livros.

A editora zéfiro tem uma campanha com descontos, portes gratuitos bem como embrulho gratuito ( http://www.zefiro.pt/ ). A editora Difel organizou uma feira do livro de natal ( http://www.difel.pt/ ). A editora saída de emergência lançou novamente a sua campanha 2=3 para compras via loja da editora ( http://www.saidadeemergencia.com/ ). A editora Ésquilo deliniou uma lista de livros com descontos ( http://www.esquilo.com/esquilo.html ).

Nota-se uma clara evolução em termos de marketing em algumas editoras, provavelmente impulsionadas pela entrada de editoras no mercado que têm reforçado cada vez mais a sua imagem através do marketing.

Concordo que a falta de marketing é um dos principais factores mas não acho que seja o principalíssimo. A falta de marketing também decorre da aversão ao risco dos editores que por sua vez, os leva a estarem de passo atrás em campanhas que envolvam grandes gastos. O editores sabem que o mercado é pequeno e, sabem que há desmotivação geral no mercado decorrente da falta de recursos monetários e que à produtos preferenciais nos quais são apostados os por vezes parcos recursos económicos e os livros são um desses produtos apenas para uma minoria da população portuguesa.

Ou seja, é preciso que haja mais procura de livros para que as editoras recorram mais ao marketing. Bata ver os livros dos tops (de autores - portugueses - conhecidos devido ao peso mediáticos de autores que já são conhecidos do público) e o que as editoras têm feito por eles, muitas vezes acções que são feitas porque há uma certeza de que vão haver elevados números de vendas.

Se a procura exigisse mais das editoras, mais qualidade, mais variedade, mais autores novos, mais variedade de géneros, as editoras responderiam com mais qualidade, mais variedade, mais autores novos, mais variedade de géneros. Mas a própira procura (leitores) não exige isso das editoras, tirando uma pequena fatia da procura que não tem poder para mudar nada de tão pequena que é.

Essas novas editoras que têm surgido e dado um novo ar ao mercado (exemplos: Livros de Areia e Saída de Emergência...), têm de base pessoas que estão a trabalhar em parte por gosto, caso contrário estariam na "mesma onda" das outras editoras e mesmo assim, do catálogo de que dispõem, apostam mais naquilo que tem mais potencial de venda porque o seu objectivo também é o lucro.
Katia a 9 de Dezembro de 2007 às 10:13

Não tinha conhecimento das campanhas da Esquilo e da Zéfiro, mas de qualquer modo, para esta época dificilmente investirei mais na leitura.

Parece-me que descreves um problema com difícil resolução. É um círculo vicioso que funciona como barreira ao desenvolvimento do mercado. Mas referiste bons exemplos que comprovam que a barreira pode ser quebrada: A Livros de areia e a Saída de Emergência, que têm apostado em boas campanhas de marketing nomeadamente na Internet, como páginas especiais e e-books.
Mas mesmo com boa vontade as editora não conseguem resolver o problema. Falta procura, e embora eu acredite que esta está a aumentar, continua longe de tornar os livros um produto que abranja a maioria da população (não por falta de qualidade ou variedade, mas por falta de marketing ou preços elevados).

O futuro o dirá, mas espero que a situação se altera, quanto mais não seja para me ajudar a poupar.
Fábio J. a 13 de Dezembro de 2007 às 23:37

Não sei se sabes, mas estás no Top 10 do Melhor Blog Português de Cultura!!!!

PARABÉNS!

http://melhorblogportugues.com/anuncios/nomeacoes-artes-cultura/
Miguel a 12 de Dezembro de 2007 às 21:35

Nem sei onde vi primeiro, se no teu comentário se no site. Lembrei-me de ir visitar o site e, simultaneamente, estava a ler o teu comentário.
De qualquer forma, muito obrigado pelo aviso!

Estou curioso para ver se isto chega a algum lado...
Fábio J. a 13 de Dezembro de 2007 às 23:43

Desde há algum tempo, estamos a atravessar uma crise, no que diz respeito à venda de coisas feitas em Portugal.
Passou a ser "moda", comprar o que não é português, por ser mais barato, mesmo que a qualidade seja inferior.
Como em todos os países, há bons e piores escritores. Mas também há leitores de fraca qualidade, para quem qualquer obra estrangeira lhes serve para ler, porque toda a gente compra, porque serviu de ponto de partida para um filme, porque até há essa obra escrita em Inglês, nas nossas livrarias.
Eu até duvido que as pessoas as leiam.
Assim não iremos longe.
Os programas educativos também levaram a esquecer os nossos bons escritores, dando lugar a outros que são menos bons.
Eu não me arrependo de valorizar, todos os dias, o que é feito em Portugal.
M.H.
Lena a 14 de Dezembro de 2007 às 12:43

Não posso atribuir toda a culpa das "baixas" preferências pelo que é português aos portugueses pois, afinal, se o nacional é mais caro, e sabendo nós a situação económica do país, é normal que as pessoas tendam a comprar o mais barato, mesmo que nem sempre seja o de melhor qualidade.
Mas quantos aos livros isto não se aplica totalmente, já que existem consagrados escritores portugueses que vendem os seus livros a um preço bastante mais acessível do que os famosos escritores estrangeiros.
Acredito que seja mais pelo que referes: ou porque se vendeu muito num país qualquer, ou porque se vai fazer um filme ou algo do género.
Os portugueses precisam é de valorizar mais o que é português, o que é feito por nós, e os livros são um bom exemplo disso.

Obrigado pelo comentário.
Fábio J. a 14 de Dezembro de 2007 às 23:07

Parabéns pelo blog. Gostei de o visitar.

Hugo Jorge
http://dr-hugo-jorge.blogspot.com/
Hugo Jorge a 14 de Dezembro de 2007 às 15:07

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