Março 28 2008
Ontem foi o dia Mundial do Teatro. Uma arte tão próxima mas tão distante da literatura. Serve-se de histórias, de imaginação. E, contudo, tem no espectador apenas uma parte do que um livro tem no leitor...
Mudando de assunto. Já foi comum ler-se livros de fantasia dentro da tradição legada por Tolkien. Foi, porque agora é comum ler-se os melhores livros de fantasia desde Tolkien. Os tempos evoluem. As técnicas para vender livros também.
Foi com esta premissa que Susanna Clarke nos apresentou o seu romance de estreia, Jonathan Strange & o Sr. Norrell. Aliás, leia-se a crítica: “É uma narração singularmente bem sucedida, cuja estrutura se alicerça em três pontos essenciais - no formalismo de Charles Dickens e Jane Austen, nas lógicas do fantástico da "velha escola" de J.R.R. Tolkien e no engenho de mestres da fantasia que nos estão bem mais próximos como Alan Moore, Philip Pullman e, especialmente, Neil Gaiman”. Pergunto eu: alicerçada em todos estes autores e respectivas obras, o quê que a autora tem de realmente novo para contar? Fiquemo-nos pela sinopse da obra.
É necessário recuar vários séculos, quando a magia habitava a Inglaterra. Nessa época houve um mago que se distinguiu entre todos os outros. Chamou-se Rei Corvo, foi criado por fadas e, como nenhum outro, soube conjugar a sabedoria desses seres com a razão humana. Mas tudo se alterou a partir do momento em que um rei louco e alguns poetas mais arrojados fizeram com que a Inglaterra deixasse de acreditar na magia... excepto o Senhor Norrell.
A obra conta-nos, precisamente, a história da parceria entre Jonathan Strange e o Senhor Norrell, passada no século XIX. O primeiro é um jovem, rico e brilhante (mas também arrogante), que descobre por acaso que é um mago, tornando-se, então, discípulo do segundo, um homem solitário que faz andar e falar as estátuas da catedral de York, e que acredita que poderá ajudar o governo de Sua Majestade na guerra contra Napoleão.
“Os feitos de ambos hão-de maravilhar a velha Inglaterra. Até ao momento, no entanto, em que a parceria, que parecia destinada ao sucesso, virará rivalidade. É que, fascinado pela figura sombria do Rei Corvo e atraído pela sua "insensata busca" por magias há muito esquecidas, Jonathan haverá de pôr em causa tudo o que Norrell mais estimava.”
Não me parece nada mal, não senhor. Mas mais importante do que as críticas ou as sinopses é ler e poder dar a opinião pessoal, e eu estou tentado a faze-lo. Apesar de tudo, a conjugação das duas realidades em causa, a magia e a Inglaterra do séc. XIX, parece-me bastante interessante e criativa.
Editado em 2005, em Portugal, refiro agora esta obra pois foi recentemente publicado o segundo livro da autora, As Senhoras de Grace Adieu, que conta com parte do mundo do seu precedente. Amanhã pretendo escrever algo sobre ele.

Jonathan Strange & o Sr. Norrell de Susanna Clarke

Assim sendo, bom fim-de-semana e Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 20:19

Já há algum tempo que não passava por aqui. O estudo e o trabalho não me têm permitido ter muito tempo livre para aqui passar ou para ler.
Deparo-me com este post que refere o pior livro que já li até hoje. Não se deixem levar pelos elogios feitos a esta obra. O livro é uma leitura intragável. Desde as notas enormes de rodapé que nos fazem perder na história do livro (são, a maior parte das vezes, irrelevantes para o conteúdo da história e não fazem qualquer nexo) até à construção prolongada de uma história sem interesse, concentrando-se em inúmeros detalhes e descrições. Não recomendo nem percebo o sucesso e elogios em torno da obra. Mas, claro, os gostos diferem, conforme as pessoas. Tendo em conta a quantidade de livros de qualidade ou simplesmente com uma leitura agradável que existe no mercado, sinto-me na obrigação de alertar para não perderem tempo e dinheiro com este como eu perdi.
Pink Robot a 30 de Março de 2008 às 21:24

Olá. Eu compreendo a falta de tempo... também sofro desse mal.

Muitíssimo obrigado pela tua opinião. No meio de tantos elogios foi óptimo receber este alerta. No mínimo, passarei a olhar mais criticamente para as obras desta autora.
Mas lá que é estranha a quantidade de elogios... opiniões são opiniões e devem ser respeitadas.
Acho que seguirei mesmo o teu conselho: "virar-me" para outras leituras, boas (se for possível distinguir quais são sem as ler!).

Até Breve!

Dos melhores livros que já li! Contudo é necessária paciência, principalmente porque é um livro bastante original, que não é construido nas bases de nenhuma outra obra, clarke cria o seu próprio universo; apesar de parecer um pouco estranho ao principio, à medida que a leitura evolui e que nos embrenhamos naquele mundo tudo se torna diferente! Só o facto de ser completamente original já motiva a sua leitura...contudo acho que exageram com tanta comparação com autores consagrados. Gostei de encontrar este sitio!

É sempre bom encontrar pessoas com opiniões diferentes... E realmente a escrita tem originalidade e é totalmente diferente de tudo o que já li. Mas toda essa originalidade foi mal aproveitada. A história é prolongada numa incessante busca de pormenores para caracterizar todo um mundo estranho onde se desenrola uma história algo bizarra, o que leva a que tudo se torne aborrecido e difícil de suportar. Foi um desafio à minha paciência... Concordo com tudo o que escreves, excepto a parte de que essa originalidade possa ser algo de bom. Não deixa de ser curioso como o livro provoca opiniões tão extremas... Eu digo que é um dos piores livros que já li e tu começas o teu comentário por exclamar que é um dos melhores.
Pink Robot a 4 de Abril de 2008 às 22:21

Gosto deste debate!
Mas diz-me Pink Robot: dizes que a originalidade não pode ser algo de bom, ou que a originalidade deste livro não é algo de bom?
Lá que têm opiniões diferentes já percebi, mas não sei se é devido à interpretação ou à maneira de ser de cada um.
Terei em conta as duas opiniões, muito embora não esteja nos meus projectos ler esta obra nos próximos tempos.
Fábio J. a 6 de Abril de 2008 às 18:56

Bem, mais uma opinião que me deixa intrigado, mesmo sendo semelhante às dos críticos.
Estou a ver que terei de ler a obra, se quiser formular uma opinião ou ideia segura.
É precisamente devido às comparações que me pergunto como é que pode ser tão original. Eu compreendo que estamos a falar de referencias e nada mais, mas mesmo assim, por vezes exageram! Ser original e diferente é bom... desde que a diferença seja compatível com uma boa leitura.

Obrigado pela opinião e Até Breve!

Referia-me mesmo à originalidade que caracteriza a escrita deste livro e até à própria história... Como escreves mais tarde: "Ser original e diferente é bom... desde que a diferença seja compatível com uma boa leitura." Para mim, neste livro, a originalidade de escrever histórias paralelas para complemento da história principal em notas de rodapé foi um golpe fatal. Assim como a originalidade da história se torna caótica e aborrecida. Há aqui, realmente, uma certa contradição entre a característica originalidade que a caracteriza e as comparações que lhe são feitas. Para mim, as comparações são absurdas, mas foi devido a essas comparações que descobri este livro, por isso é mesmo uma técnica de marketing. As típicas personagens mágicas (elfos, feiticeiros) devem ser o único componente que este livro tem em comum com outros livros de fantasia. No entanto, mesmo a magia que os caracteriza vulgarmente, a escritora altera.
Pink Robot a 11 de Abril de 2008 às 23:31

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