Abril 06 2008
Pode parecer que muito tempo já passou, mas foi apenas há cerca de 4 meses que o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa se tornou tema de conversa de muita gente. Polémico e obscuro, o documento será vítima de debate e analise por políticos, escritores, editores e outros intelectuais já amanhã, na Assembleia da República.
No mês passado, o Governo português comprometeu-se a adoptar as medidas adequadas para garantir o processo de transição, no prazo de seis anos, para a aplicação plena das alterações contempladas no acordo, mas para entrar em vigor falta a sua ratificação por parte da Assembleia da República.
É inútil esperar uma outra resolução que não a ratificação e posterior promulgação deste documento. O debate, necessário, não passa de uma acção simbólica que permitirá ao Governo, que ironicamente (e ditatorialmente) já ratificou o Acordo, defender-se de dedos acusadores e vozes descontentes. É a oportunidade de o outro lado opinar, mas parece-me que nesta democracia representativa (termo irónico e contraditório) de nada vale a opinião de quem defende uma solução menos aparatosa e obtusa.
Mas, nesta altura, mesmo aqueles que se esforçam por conhecer o que muda apercebem-se, com estranheza, que não é fácil perceber como passar a escrever correctamente. Esta ignorância colectiva é, aliás, um dos maiores problemas deste documento. Já existem auxiliares linguísticos no novo português, nas pergunto-me se a melhor (e única) solução é ler um dicionário? E serão os 6 anos apontados pelo governo suficientes para que os portugueses passem a escrever, correctamente, as suas cartas para a família, os seus apontamentos escolares, os seus relatórios profissionais (nomeadamente os científicos) ou até os seus textos para os blogues? Hmm
Já há quem escreva (ou melhor, tente escrever) usando a nova ortografia, talvez esquecendo-se que ainda não foi aprovada. Há quem esteja ansioso pela mudança (apenas porque gosta de coisas novas), irá passear-se com os novos dicionários e tentar escrever de acordo com o documento. Há também quem pretenda aguardar os seis anos dados pelo governo, e ir fazendo a adaptação a que é obrigado. E, por fim, há aqueles que prometem ignorar este Acordo sempre que possível, continuando a escrever no actual Português.
Opções à parte, a verdade é que se avizinham tempos decisivos para a nossa língua. Não que se torne mais importante a nível mundial, mas apenas porque se dará uma mudança a sua forma de ser.

 

O Acordo Ortográfico foi ratificado. Vai aplica-lo?

 

8.62% Sim, agora
12.06% Sim, daqui a 6 anos
62.06% Não
17.24% Qual acordo?

 

Total: 58 respostas

 

Amanhã veremos se o debate teve alguma influência no que já foi feito.

Boa semana e Boas Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 22:59

Mesmo que não haja um acordo, a nossa língua acabará sempre por ser corrompida por via das novelas brasileiras, que vemos nas nossas TV's em quantidades "industriais" e dos muitos milhares de imigrantes brasileiros que temos. O resultado será sempre uma maior dificuldade do controlo da evolução da nossa língua. Os PALOP's sofrerão também uma crescente influência do Brasil e distanciar-se-ão a pouco e pouco da sua ligação ao português de Portugal. Assim, se Portugal quiser defender a pureza da língua acabará por ficar orgulhosamente " só. É isso que queremos?
Zé da Burra o Alentejano a 7 de Abril de 2008 às 12:05

Há alguns pontos no comentário que, não discordando totalmente, me obrigam a opinar.
Em primeiro, não diria que a língua portuguesa é corrompida pelas novelas ou imigrantes brasileiros, afinal são os portugueses que querem ver as novelas brasileiras e o Português é tanto nosso como dos brasileiros.
Quanto aos PALOP's, quer queiramos quer não o Brasil tem um crescimento económico enorme, e a sua influência (também cultural) chegará mais facilmente a África do que a nossa. Quanto a isto, acho que o acordo ortográfico é apenas uma pequeníssima parte da realidade.
Por fim, não percebo a sua questão final. Afinal, é ou não a favor do Acordo? Até porque, na minha opinião, a ideia de que os defensores da não ratificação do acordo são apenas teimosos, ultrapassados e orgulhosos é muitíssimo errada. Trata-se apenas de defender uma opinião, mostrar-se activo e tentar alertar para uma situação irreversível e ilógica.

Obrigado pela opinião.
Fábio J. a 19 de Abril de 2008 às 23:00

Ó Crítico, preciso de falar contigo, é urgente. Se puderes, manda-me um mail para extremelyalive@sapo.pt ou adiciona o mesmo mail ao messenger.
Miguel a 8 de Abril de 2008 às 21:21

Sim, realmente vai ser necessário muito esforço para nos integrarmos nesta mudança. Escrever palavras que antes erram considerados erros graves de ortografia vai ser muito complicado. Eu pessoalmente irei escrever sempre com alguma estranheza, pois estes hábitos que adquirimos não vão ser fáceis de perder. E acho que a própria leitura não vai ser a mesma, pois vamos olhar duas vezes para a palavra quando a virmos, fazendo um esforço para encarar a palavra como sendo correctamente bem escrita. O fluir da leitura já não será a mesma.

Bem, mudando de assunto...
Já comprei "A Guerra dos Tronos". Como não poderia deixar de ser, estou a adorar. É fascinante o clima de mistério que Martin deposita na sua obra, tornando-nos incapazes de deixar o livro para parar de ler. As páginas avançam num abrir e fechar de olhos. Já vou a meio. Confesso que no princípio senti-me um pouco "perdido" naquela imensidão de nomes e casas, mas com o prosseguimento da história e devido ao facto de consultar os apêndices no final do livro, consegui apanhar o ritmo da história, tornando-se menos confuso e, assim, mais apelativo. Ah... sugiro-vos que, para quem está a pensar começar a ler, não iniciarem a leitura agora, uma vez que deixarão o estudo para o lado, tal o interesse e grandeza da obra. É o que me está a acontecer! Mas vou ser forte... :)

Estou a ver que vou ter que deixar de ler os teus "posts" (tom irónico) , pois cada livro que dizes ser bom e que elogias, eu vou logo comprar e acabo por ver que é tudo realmente como dizes. Gosto muito das tuas críticas.

Continua com este fantástico Blog.

Boas leituras!

pp a 13 de Abril de 2008 às 16:58

Tens toda a razão. Existem palavras que serão relativamente fáceis, já outras: pura e simplesmente detesto a ortografia de ator, por exemplo. Não sei bem porquê, mas aquele -t seguido do -a parece-se quase pecado! Vai ser bastante complicado.

Quanto à Guerra dos Tronos, não estava à espera de outra coisa pois a obra é genial. É literalmente do melhor que há. GRRM utiliza o género da melhor forma possível, dum forma soberba.
O primeiro livro é, a meu ver, aquele que tem mais mistério, porque o leitor desconhece o carácter de muitas personagens e tudo é possível. Nos seguintes (pelo menos nos dois seguintes, que já li) é diferente, mas igualmente intrigante e viciante. É difícil parar de ler!

Ainda bem que as minhas criticas te são úteis. Podes contar com elas para os próximos livros desta série pois garanto-te que lê-los-ei avidamente.

Boas Leituras! Para quê desejar, se eu sei que vão ser!? ;)
Fábio J. a 19 de Abril de 2008 às 23:34

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