Agosto 30 2008
Nadine Gordimer, galardoada com o Prémio Nobel da Literatura em 1991, nasceu na África de Sul e é autora de mais de 30 obras, muitas delas crónicas sobre o quotidiano e os problemas sociais vividos no seu país durante o regime do apartheid. Um Capricho da Natureza é uma dessas crónicas, se bem que centrada em Hillela e no que a rodeia, como se de uma biografia se tratasse.
Hillela, uma jovem branca sul-africana, foi criada pelas tias maternas. A sua mãe deixou tudo e partiu com um dançarino português, era ela ainda um bebé. O seu pai, vendedor ambulante, tinha a sua própria vida para viver. A protagonista cresceu no seio da família da sua tia Pauline, activista pelos direitos dos negros. No entanto, não a interessavam os problemas sociais do seu país, sendo antes uma rapariga insubordinada e indomável.
Ainda assim, a sua rebeldia sem causa acaba por empurra-la para os meandros da luta contra o apartheid. Afastada da família, Hillela vê-se forçada a entrar no universo clandestino dessa luta, até que é exilada, dando início a um périplo que a fará percorrer a Europa, os EUA e vários países africanos em revolta, em nome da liberdade, da justiça e da vingança...
Quanto comecei a ler esta obra, estava muito longe de imaginar o seu enredo, e mais longe ainda de adivinhar o estilo da autora. A protagonista é uma personagem bastante inconstante, característica que, por si só, não é negativa; contudo, foi-me difícil compreende-la e compreender as suas acções. Pensando bem, talvez este seja o grande mistério da obra: perceber quais são as motivações de Hillela.
Esta espécie de biografia está estrutura como se o narrador (bastante crítico e com os seus inúmeros apartes que tornam a leitura confusa e um pouco monótona) se tivesse baseado em certos rumores, entrevistas e alguma investigação, e por isso nada é certo. Depois de uma grande e, muitas vezes, desinteressante narração, pouco sei sobre a identidade daquela mulher, para além da sua sexualidade magnetizante.
Apesar disso, aquela vida ambulante e a dura realidade africana valem por si só. Esta não é uma leitura fácil ou agradável. É, no entanto, uma leitura marcante, que me fez pensar na loucura dos homens, na sua fragilidade e na minha própria vida, nas minhas próprias opções. E será que isto não faz com que esta leitura tenha valido a pena?
Não gostei particularmente do estilo da autora, nem achei a obra brilhante, a ponto de a recomendar. Contudo, o confronto com a realidade do apartheid e com as personagens que o viveram faz com que não me arrependa de ter lido esta obra.
Um Capricho da Natureza de Nadine Gordimer
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:58

Tenho esse livro para ler, ou melhor, para não ler porque a tua critica tirou-me a vontade toda. :)
Cláudia Oliveira a 31 de Agosto de 2008 às 11:26

É como disse: não o recomendo... embora não tenha detestado.
Talvez até gostasses, mas eu, simplesmente, acho que há muito melhor para ler, nomeadamente sobre este tema.
Basta-te ler um capítulo, ou nem isso, para perceberes como a obra funciona. Eu achei o último terço do livro mais interessante do que o resto, mas talvez tenha sido por me habituar... ;)
Fábio J. a 31 de Agosto de 2008 às 22:13

Também adquiri este livro na colecção da Sábado e tinha intenções de o ler (algures no futuro) mas já não é a primeira vez que leio opiniões menos favoráveis sobre os livros desta autora. Talvez este não seja o melhor dela ou então o seu estilo é realmente diferente do habitual.
Fica registada a tua crítica ;)
Sofia a 31 de Agosto de 2008 às 23:17

Este livro faz-me lembrar outro que li há algum tempo atrás: Elric. Não têm absolutamente nada a ver, no que toca ao enredo ou ao estilo. No entanto, ambas as obras não estão mal escritas nem são propriamente más. Simplesmente, não tiveram a capacidade de me cativar suficientemente.

Mas acredito que a autora terá obras muito mais cativantes, até porque o tema das suas crónicas é, a meu ver, interessante. Este é que, devido ao carácter biográfico, me pareceu um pouco estranho.

Até breve!
Fábio J. a 1 de Setembro de 2008 às 22:30

É bom poder confiar em grandes críticos da leitura. Gostava de poder contar com este conhecimento profundo num Blog que pretende ser uma comunidade para os imortais livros. Um muito obrigado. TOTH!
http://papirusdetoth.blogspot.com/
Toth a 2 de Setembro de 2008 às 18:08

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