Setembro 22 2008
Estive há pouco a ler o que escrevi, no início do ano, sobre o Codex 632, de José Rodrigues dos Santos. Fi-lo para poder comparar esse livro com o que agora acabei de ler, A Fórmula de Deus, do mesmo autor, e surpreendi-me com algumas observações que fiz e que já mal recordava.
Enquanto que o Codex 632 se desenvolve em torno de factos históricos, no livro que o seguiu o autor baseou-se em teorias e hipóteses científicas para explorar uma possível área de aproximação entre ciência e religião. Como resultado surgiu um romance bem estruturado e mais cativante do que o anterior. O drama familiar do protagonista, Tomás Noronha, também se conjuga bastante harmoniosamente com a acção principal, completando-a, o que constitui uma positiva evolução face ao romance anterior.
Esta história remonta a uma antiga conversa entre Einstein e o então primeiro-ministro israelita, sobretudo acerca de armas atómicas e da existência de Deus, conversa essa secretamente gravada pela CIA. Anos mais tarde, Tomás Noronha, numa visita ao Cairo, é interpelado por Ariana Pakravan, uma cientista iraniana que traz consigo a cópia de um documento inédito, um velho manuscrito de Einstein com um estranho título e um poema enigmático: A Fórmula de Deus.
Depressa Tomás se torna num peão às mãos da CIA e dos iranianos, empurrado pelas intrigas políticas para um jogo que não pode perder. Colocado no centro da crise nuclear iraniana, o historiador português vê-se a par com diversos conceitos e teorias de várias área científicas, principalmente da física e da matemática. Não sei se é por lidar diariamente com alguns daqueles conceitos, mas a verdade é que, a certa altura, achei que autor exagerava nas explicações, tornando-se insistente e um pouco redundante. Momentos houve em que, incapaz de justificar teorias que os próprios físicos não conseguem fundamentar, o autor repetia o que já antes havia dito, fazendo-o vezes sem conta. Apesar disso, sem dúvida o autor sabe usar a especulação científica a seu favor, criando um romance interessante.
A relação com a religião, apesar de tudo, pareceu-me verosímil e a mais interessante. É verdade em que, por vezes, a conjugação de ideias pareceu-me um pouco forçada, mas toda a base mística da obra constituiu uma curiosa oportunidade de reflexão.
No final de tudo, a descodificação da fórmula de Deus, prova da existência de Deus, não foi o clímax esperado, pois, no fundo, não acrescentou nada de novo. Ainda assim, não deixou de ser bastante satisfatória.
Resumindo, acho que autor conseguiu usar a muita informação científica a seu favor, criando uma obra interessante e que valeu bastante a pena ler. Há quem o considere literatura light mas não vejo porquê ir por ai: o livro cumpre o seu propósito e enriquece o leitor.
Agora só me resta ler O Sétimo Selo, que espero que seja ainda melhor.
A Fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:01

Concordo contigo. Li o livro apenas porque fazia referência a Deus.

Do ponto de vista literário não me despertou qualquer emoção nova, no entanto já o recomendei algumas vezes a pessoas sem formação científica, pois para elas pode funcionar como "divulgação científica"...ou quase. :)

A ler os Pássaros Feridos???!!! Ora aí está um livro que devo reler. ;)
Veruska a 22 de Setembro de 2008 às 22:21

Cara Veruska, talvez não me tenha expressado correctamente mas eu não li o livro apenas pela referência a Deus. É verdade que não ia em busca de informação científica, mas o que me levou a ler a obra foi mesmo a curiosidade em relação ao romance em si, às intrigas, teorias, acção... uma série de coisas.

Agora que penso nisso, não senti nenhuma emoção nova, como disseste, mas não deixou de ser um livro interessante e que não me arrependo de ter lido. Quanto à divulgação científica, acredito que para alguém que nunca teve física ou química este livro contenha muitas curiosidades.

Sim, estou a ler Pássaros Feridos. Finalmente vou poder acabar a sua leitura que, diga-se passagem, é excelente.
Fábio J. a 24 de Setembro de 2008 às 22:44

Já li todos os 3 livros a que fazes referência e comigo funcionaram de forma gradativa. O "Codex" foi interessante, a "Fórmula" foi viciante e o "Sétimo Selo" foi prendeu-me de forma sensorial. As boas notícias são que o próximo livro de Rodrigues dos Santos estará em breve nos escaparates das livrarias.
Boas leituras :)
Isabel Maia a 23 de Setembro de 2008 às 19:14

Eu também gostei mais da "Fórmula...", pelo menos em alguns aspectos. Apesar de tudo, na minha opinião "O Codex 632" é melhor fundamentado e mais auspicioso na construção da teoria. A forma como o autor o estruturou é que não é tão boa.

Não sabia que JRS estava para publicar um novo livro. Já se sabe algo em concreto, como o tema ou a data de lançamento?

Boas Leituras!
Fábio J. a 25 de Setembro de 2008 às 21:52

O JRS confidenciou-me num e-mail que lhe mandei sobre "O Sétimo Selo" que o novo livro seria publicado a 21 de Outubro. Quanto a tema, não revelou.
Boas leituras :)
Isabel Maia a 25 de Setembro de 2008 às 21:55

Já não falta muito tempo...
Estou curioso em relação ao tema. O autor tem-se mostrado tão diverso. Mas já era de se esperar o secretismo. Relembre-se o que aconteceu com "O Sétimo Selo": só no dia de lançamento se soube qual o tema do livro.

Muito obrigado pela informação! ;)
Fábio J. a 25 de Setembro de 2008 às 22:07

Pois eu confesso que, apesar de leitora compulsiva, ainda não li nenhum dos livros de José Rodrigues dos Santos. Depois de "o Código Da Vinci", "O Sangue de Cristo e o Santo Graal" (este adorei ,especialmente pelo rigor cientifico , embora massudo), etc., etc, fiquei um pouco farta destes temas. Será que vale a pena aventurar-me pela literatura de JRS?

PS: Já li os "Pássaros Feridos", uma das histórias mais belas que já conheci (segui religiosamente depois a série que passou na TV, nos anos 80)
Existe um outro, do mesmo género, uma história igualmente linda "Monsenhor" (não me recordo do autor), mas aconselho vivamente.
saudações
Teresa a 23 de Setembro de 2008 às 20:52

Eu já comparei Dan Brown a JRS, e houve quem me criticasse por isso. A verdade é que não têm muito a ver, embora as bases acabem por ser as mesmas: teorias, mistérios, especulação, pseudo-descobertas incríveis.
Se vale a pena? Eu acho que sim. Tanto o Codex como "A Fórmula..." são interessantes e não me arrependo nada de os ter lido. E como eu costumo dizer, não há como experimentar. Até porque JRS também escreveu romances mais ligeiros, como "A Filha do Capitão". Talvez possa começar por ai.

Eu estou a adorar "Pássaros Feridos". Aquela mulher sabe escrever e cativar o leitor! As suas personagens são fortes e muito credíveis. Enfim, do melhor. Quanto à sugestão, vou procurar, pois não conheço.

Até Breve e Boas Leituras!
Fábio J. a 25 de Setembro de 2008 às 22:03

Obrigado pela opinião. Vou mesmo experimentar JRS.
Quanto ao romance "Monsignore", que entretanto descobri aqui pelo meio das minhas dezenas de livros, é de Jack- Alain Léger, edição do Circulo de Leitores de 1977, portanto já muito antiga e provavelmente dificil de encontrar á venda. De qualquer modo deixo-lhe um pequeno resumo do que consta este romance e verá porque encontro semelhanças com os "Pássaros Feridos"
Teresa a 26 de Setembro de 2008 às 20:21

Concordo plenamente com o comentário ao livro.
Li o Codex e a Fórmula de Deus e considero-os muito bons. Na minha opinião não têm nada a ver com literatura light, porque afinal de contas deixam-nos a pensar e bastante. Quanto ao sétimo selo, tenho a certeza que vai ser uma boa surpresa, principalmente pela actualidade do tema. Eu gostei muito. Boa leitura.
Adoro o blog.
Isabel Duarte a 25 de Setembro de 2008 às 21:00

Obrigado pelo comentário e pela simpatia ;)

Quanto à literatura light, eu até comprendo porquê que muita gente classifica estas obras dessa maneira, mas acho que a obra consegue ser tão envolvente e cativante que clasificá-la dessa maneira é injusto. As obras cumprem o seu próposito de uma forma interessante e instruida e isso é que importa.

Quanto ao "Sétimo Selo", espero lê-lo até ao final do ano. Toda a gente diz que é melhor do que os anteriores...

Boas Leituras!
Fábio J. a 25 de Setembro de 2008 às 22:19

(Continuação).
"Monsignore", é a história de um cardeal que leva uma vida dupla: com o Vaticano e com uma rainha de beleza, tudo isto a par de uma amizade com um chefe da Mafia, que ele usa para gerir as suas finanças e as da Santa-Sé. Não tão arrebatador como "Pássaros Feridos", em minha opinião, não deixa de ser igualmente interessante e em muito identico.
Saudações
Teresa a 26 de Setembro de 2008 às 20:29

Fiz uma pequena pesquisa e não encontrei o livro há venda... mas pelo que descreves existem pontos bastante semelhantes, embora com pesos diferentes em cada história. Parece ser interessante.
E realmente não é fácil ser tão bom quanto Pássaros Feridos. Estou a acabar, o que é uma pena pois é óptimo ler aquela autora.

Até Breve!
Fábio J. a 29 de Setembro de 2008 às 19:29

Vi-o em Itália, em francês...

http://numadeletra.com/36007.html
numadeletra a 20 de Agosto de 2013 às 20:31

Um blog sobre livros e afins. A descongelar lentamente...
Contacto
Contacto

As mensagens poderão não ser lidas por extensos períodos. Pedidos de divulgação e/ou colaboração poderão não obter resposta.
pesquisar
 
A ler...
Tales of Earthsea

Romeo and Juliet

comentários recentes
<a href='http://www.cricinfobuzzlive.com/live-c...
E Jack london?Eça de Queiros.....
Também adorei!:http://numadeletra.com/a-mancha-hum...
Quando será lançado o quarto livro em português do...
Estou agora a ler esse livro e este seu texto deu-...
arquivos
2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


Leitores Online
online


O autor deste blog não respeita o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa