Outubro 17 2008
É que nós somos os últimos, percebe? Os últimos seres humanos. Depois desta noite, em todo o mundo, tudo será diferente.
Eis uma citação de Ar – Ter ou Não Ter, uma premiada obra de Geoff Ryman que me surpreendeu positivamente. O trecho deixa antever o género – Ficção Científica – e o tema geral da obra: a mudança, a evolução, o fim e um novo início...
Nesta obra, o autor faz-nos viajar até 2019, altura em que a ONU está prestes a lançar o Ar, uma espécie de Internet, independente de fios ou qualquer dispositivo mecânico, que permite comunicar e obter qualquer informação telepaticamente. Com ele, todos os cidadãos do mundo estarão em contacto uns com os outros, em qualquer lugar, a toda hora, quer queiram, quer não.
Ao contrário do que seria esperado, o livro não apresenta a perspectiva ocidental da inovação, mas sim as inevitáveis transformações que esta produzirá numa aldeia isolada do resto do mundo, algures na Ásia central. Nela vive Mae, a especialista em moda local, conquanto seja pobre, iletrada e pouco especialista em qualquer área.
Tudo começa quando é feito o Teste, durante o qual todos os aldeões têm o seu primeiro e subestimado contacto com a nova tecnologia, que literalmente lhes entra na consciência. Este corre mal, alarmando muitos e matando alguns. Durante este procedimento inicial, Mae fica enredada no Ar, do qual não mais se conseguirá separar. Sendo a única que realmente conhece a magnitude desta tecnologia, Mae irá tentar preparar os seus vizinhos para a inevitável transformação que sofrerão, pois o Ar e o futuro já chegaram.
A obra apresenta uma perspectiva assombrosa de como o futuro pode ser diferente. Mais do que isso, a obra alerta para o desigual acesso às mais sofisticadas tecnologias, num mundo onde uns viajam pelo espaço e outros morrem à fome.
Se é verdade que o futuro é já aqui, já amanhã, este não deixa de ser uma mistério, uma série de incógnitas. E quando a ânsia de conhecer não é ponderada, as consequências podem ser assustadoras. Não se pode fugir ao futuro, e a melhor maneira de o receber é aceitar o presente e conhecer o passado.
No fundo, a obra acaba por reflectir tudo isso. Se no início muitas ideias pareciam alheias ao tema principal, ao longo da narrativa elas vão se completando, acabando por resultar num livro impressionante. Para além das ideias gerais, a obra vale também pelos vários momentos caricatos e interessantes, apresentados de uma forma clara e atractiva. Contrapesam algumas situações fantasiosas por vezes exageradas e as várias gralhas gráficas.
Sem dúvida que recomendo, pois, não sendo uma obra-prima, esta obra tem muito, muito a oferecer.
Ar - Ter ou Não Ter de Geoff Ryman
Boas e Fantásticas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:57

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