Janeiro 09 2009
Hoje nevou. Pela primeira vez, vi neve cair nesta zona. Trata-se de um fenómeno meteorológico inabitual e que, por isso, surpreendeu muita gente. Não durou muito e não causou problemas. Fez-me, no entanto, pensar nas consequências de alterações climáticas duradouras, como o aquecimento global, um problema explorado no último livro que li em 2008.
Em O Sétimo Selo, José Rodrigues dos Santos volta a apresentar como personagem principal Tomás Noronha, especialista em línguas antigas e criptanálise. Apesar disso, o livro trata dois assuntos bastante actuais: o aquecimento global e o iminente fim do petróleo.
Um cientista é assassinado na Antárctica e a Interpol contacta Tomás Noronha para decifrar um enigma com mais de mil anos, um segredo bíblico que o criminoso rabiscou numa folha e deixou ao lado do cadáver: 666.
O mistério em torno do número da Besta lança Tomás numa aventura de tirar o fôlego, uma busca que o levará a confrontar-se com o momento mais temido por toda a humanidade: O apocalipse.
De Portugal à Sibéria, da Antárctica à Austrália, O Sétimo Selo transporta-nos numa empolgante viagem às maiores ameaças que se erguem à sobrevivência da Humanidade. Baseando-se em informação científica actualizada, José Rodrigues dos Santos volta com este emocionante romance aos grandes temas contemporâneos, numa descoberta que poderá abalar a forma como cada um de nós encara o futuro da humanidade e do nosso planeta.
Prepare-se para o choque.
Neste romance, mais um vez o autor conduz o protagonista numa aventura em busca da resolução de um mistério irresolúvel. Apesar de achar que em muitos aspectos este livro supera os dois precedentes, foi, sobretudo, a inutilidade da demanda de Tomás que mais me desiludiu. O professor universitário não é, neste livro, mais do que uma sombra que nos acompanha ao longo da leitura.
A narração da vida pessoal e familiar do protagonista nunca me aborreceu, mas há sem dúvida um progresso neste ponto, muito embora tal possa ter acontecido só pela diminuição das páginas que lhe foram dedicadas. É que a quebra da narrativa principal não é agradável, e o desperdício de páginas com dramas e dilemas banais não contribui, de todo, para o prazer da leitura.
Embora ponha em causa alguns pormenores, a exposição do problema actual com as reservas do petróleo e com aquecimento global pareceu-me bem explorada. Aliás, sendo essa a provável intenção do autor, este é, claramente, um livro que serve o seu propósito. É impossível deixar de concordar com a raiva e alarmismo das personagens. Seja ou não um grande romance, este livro alerta. É verdade que não diz nada de novo, e repito até com alguma frustração: nada de novo, mas aumentou a minha preocupação e fez-me ver quão passiva é sociedade, nomeadamente eu, acerca destes problemas. É preciso fazer mais, e isso está explícito na obra, não fosse esse o mistério a resolver.
Seja como for, trata-se duma leitura interessante e estimuladora, que se lê num fôlego. Gostei do que li, mesmo tendo-me deparado com mistérios que não o eram e com situações previsíveis. Afinal, um livro que me agarrou durante 500 páginas e me avivou a consciência ambiental e social tem, sem dúvida, os seus pormenores notáveis.
Sem dúvida uma boa forma de terminar 2008.

O Sétimo Selo de José Rodrigues dos Santos

Aproveitem o frio para ler...

 

Publicado por Fábio J. às 22:22

Também li este livro e apesar de não apreciar o autor concordo que é o melhor de todos os livros que escreveu principalmente porque o tema é muito actual e interessante apesar de nada trazer de novo. Aliás, os livros deste autor não são a meu ver pródigos em novidades. Curiosamente o que me parece mais autentico nos seus livros é a discrição da vida familiar do Tomás. Tudo o resto incluindo a interacção entre os personagens fora do ambiente me soa um bocadinho a falso. De resto, e porque é um autor que vende muito, tem o mérito de com este livro despertar a consciência ecológica de todos.:)
Joshua a 11 de Janeiro de 2009 às 16:54

Toda a chamada trilogia Tomás Noronha desenvolve-se a partir de teorias e suposições. O estilo não é novo, mas consegue sempre cativar o público pelas supostas revelações de verdades escondidas. Isso, associado aos dramas da vida pessoal de Tomás (que, sobretudo nos livros anteriores, têm uma queda para o melodrama), transformam o livro em mero entretenimento. Contudo, como referes, o facto do autor vender tanto faz com que a influência social da obra mereça destaque. Afinal, é difícil ficar indiferente à visão apocalíptica deste romance. Se influenciar os leitores, o trabalho do autor já é louvável.

Eu já tenho A Ilha das trevas e A Vida Num Sopro na estante. Estou curioso em relação a estes livros que, pelo que sei, são verdadeiros romances. É esperar para ver...

Boas Leituras!
Fábio J. a 11 de Janeiro de 2009 às 22:27

Visitem também o nosso blog sobre livros, livros, e mais livros :)

http://olharoslivros.blogspot.com/

Abraços
Joao a 11 de Janeiro de 2009 às 21:28

A vida num sopro é muito bom, gostei muito, aconselho-te a agarrares-te já a ele.
Shrimps a 31 de Janeiro de 2009 às 15:30

Recebi a Vida num Sopro neste Natal, assim como, deste autor, o Sétimo Selo e a Ilha das Trevas. Irei ler, em breve, este último e, pouco depois, agarrar-me ao mais recente de JRS. ;)

Espero gostar.
Obrigado pela sugestão e Boas Leituras!
Fábio J. a 1 de Fevereiro de 2009 às 19:41

Gostei bastante.
Há quem considere os romances do José Rodrigues dos Santos comerciais... Eu sinceramente gosto. São informativos, ao género Dan Brown... :)

O único senão é que os diálogos não me parecem muito reais.
Não sei até que ponto um embaixador (se não me engano) do Irão (?) se encontrava com um historiador, fazendo questão de lhe explicar o estado da indústria petrolífera... Hum?!...
J. a 10 de Fevereiro de 2009 às 12:09

Eu também gostei. Há pormenores neste livro que o fazem superar os anteriores, disso não tenho dúvida, mas também não é perfeito, mas Dan Brown também não é, se é que há autores perfeitos. :p

Para além dos diálogos há situações bastante surreais o que, diria eu, não se enquadra muito neste género de livro. Esse momento que refere é um deles, mas há mais.

O que importa é que é uma leitura interessante e agradável. Não me arrependo nada de ler este autor, pelo que continuarei a ler livros seus.
Fábio J. a 13 de Fevereiro de 2009 às 18:16

adorei o livro, por todas e mais algumas razoes.
e o assustador é como JRDS descreve a situaçao q vivemos no presente e o que puderá acontecer no futuro.
nao podia ter um melhor timing, mudei a minha visao do mundo!
JOANA a 18 de Outubro de 2011 às 17:05

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