Março 01 2009
Terminei o meu texto sobre a Filha do Sangue antevendo uma leitura mais agradável no volume seguinte da Trilogia das Jóias Negras. Felizmente a minha previsão concretizou-se, já que a Herdeira das Sombras revelou-se uma obra bastante mais clara e entusiasmante. E se por um lado o conhecimento adquirido no livro anterior foi decisivo para a compreensão da história, por outro parece-me que, desta vez, Anne Bishop dedicou mais páginas à explicação de conceitos e pormenores do seu universo.
No volume anterior Jaenelle, a protagonista da trilogia, passou por uma provação quase fatal que a levou a refugiar-se no Reino Distorcido. Neste volume, acompanhamos a ascensão da jovem que, apesar das dificuldades e dos inimigos que a pretendem usar, consegue não só recuperar mas também tornar-se na rainha mais poderosa, naquela que todos esperavam, desejavam e temiam: a Feiticeira.
Ora, neste livro a criatividade da autora continua a mostrar-se admirável. Surgem várias novas personagens, algumas delas muitíssimo bem criadas, com personalidades e características dignas de referência. Posso até afirmar que assistir ao crescimento dessas personagens consegue ser tão fascinante como assistir ao desenvolvimento de Jaenelle. E já que me centrei nas personagens, vale também a pena mencionar as já presentes no primeiro livro, nomeadamente Saetan e Lucivar, homens sem as quais a poderosa mas instável feiticeira não conseguiria vencer as diversas provações de que é vítima. Lamento o pouco protagonismo que a autora deu a outras personagens com grande potencial, mas ainda assim creio que, em parte, foram as personagens que compensaram os momentos mais monótonos ou desinteressantes da obra.
Para além das personagens, a autora mostra a sua criatividade também nas diversas criaturas inteligentes que nos apresenta. Num universo tão criativo, este era um pormenor que merecia ser desenvolvido e ainda bem que o foi, pois dá-lhe um toque duplamente fantástico.
Quanto à narração e ao estilo, não tenho dúvidas que ler a Herdeira das Sombras proporcionou-me vários bons momentos. Recordo-me de, a certa altura, ter parado a leitura, rindo-me e murmurando “genial, genial!”, tal foi a surpresa e criatividade do episódio. Diria que a história é contada de uma forma mais simples e directa do que no livro anterior, mas existem ainda situações aparentemente supérfluas. Há ainda um tom irónico e bem-humorado que não se destacavam anteriormente mas que, nesta obra, constituem um ponto forte da narrativa.
Trata-se de um romance extenso, dividido em cinco partes. Para lê-lo é necessário ler o livro precedente, embora ler um e ler outro sejam duas experiencias bastante diferentes. Estou bastante curioso em relação ao que possa encontrar no volume seguinte. Afinal este livro não me desiludiu, antes pelo contrário, agradou-me bastante. Se a tendência continuar, o próximo será um livro excelente. A ver vamos…
Herdeira das Sombras de Anne Bishop
Boas leituras!
P.S.: Muitos parabéns aos Blogs do SAPO pelos três anos de existência que hoje comemoram!
Publicado por Fábio J. às 18:50

Li o primeiro desta trilogia e não gostei, mas também não me esforcei muito para ver os aspectos positivos. Achei a história demasiado ambígua. Talvez se tivesse continuado a ler, aí teria gostado. Mas vou ponderar se darei um segunda oportunidade a esta autora, pois, tal como tu, a achas-te muito estranha no início e depois, com a continuação da leitura, foste descobrindo o que a escrita e história tem de melhor. Estarei errado?
pp a 4 de Março de 2009 às 20:01

Eu, sendo directo, também não gostei lá muito do primeiro livro pois não percebia nada. Houve algo que prometi de imediato: não comprar mais nenhum livro da autora. Para já, não acho provável quebrar a promessa. No entanto, fiz como dizes: esforcei-me para ver os pontos positivos da história e por a compreender o melhor possível (o que não é fácil no primeiro livro).
Neste segundo volume a leitura é muito mais simples e entusiasmante. Aliás, eu diria até que a autora mudou o modo de escrita, pois a mudança é efectivamente notória. Ainda existem ambiguidades e incongruências, mas a dinâmica é outra, assim como as personagem, a história, a intencionalidade, enfim... É bastante melhor.
Se deres uma nova oportunidade a esta trilogia verás que a história consegue ser atractiva. Não estás nada errado.

Se te decidires a ler, espero uma opinião sincera. :D

Até Breve! (e desculpa responder tão tardiamente)
Fábio J. a 22 de Março de 2009 às 22:05

Sem rumo certo, aqui parei. Um blogue muito interessante. No entanto, na minha modesta opinião, deveria ser dado um pouco de destaque a tanta gente “nova” que escreve, e bem. Eu por mim, sou um tímido convicto! Nunca lutei contra esse adjectivo por considerá-lo, tal e qual, um troféu neste “vale de lágrimas”, ou, um predicado defensivo contra o exibicionismo que grassa a maioria da humanidade nos tempos modernos.
A timidez é a minha couraça protegendo-me dos espinhos do egoísmo e da injusta discriminação, sou tímido, todavia, não sendo pusilânime, e... lá no fundo feliz!
Aos 46 anos editei um livro recorrendo a uma edição de autor. Tenho mais dois romances completos e um em “parto lento”.
Recentemente, fiquei a saber que as editoras só publicariam os meus livros se eu fizesse uma “parceria” com elas pagando o custo da edição.
Sabedor de que, no nosso país, poucos são dados a leitura, principalmente de principiantes. Falta uma maior aposta nos autores portugueses, não só a nível de editarem os livros, mas depois a nível de marketing, porque se as pessoas não souberem que os livros foram lançados não os compram. Apesar disso, acho que a questão é mais profunda que isso, e atravessa toda a nossa sociedade e em várias quadrantes, não só na literatura.
Eu falo com conhecimento de causa. Escrevo, não por profissão, mas como hobby. Não dá para imaginar o que é necessário para “rasgar” as barreiras das editoras.
Após contactos com várias, a resposta é sempre a mesma. “Gostamos, mas não está dentro do plano editorial para o ano em curso.” No entanto, poderemos sempre proceder a uma edição de autor.
Apenas, vão conseguindo editar, os já conhecidos, com um bom nome na praça, os que aparecem na TVI a dar entrevistas e se polémicas melhor, ou contar as aventuras de “alcofa”.
Veja-se casos bem concretos do que digo: Carolina Salgado, Paula Lee e agora por fim o nosso “macho lusitano” Zezé Camarinha.
Já pensei em simular um suicídio da Ponte 25 de Abril, ou barricar-me em qualquer edifício público com uma bisnaga no bolso. Certamente que apareceria nos jornais. Ou contar as minhas aventuras de sexo com alguma figura bem conhecida da nossa praça, e confidenciar que até me cortou as unhas dos pés. Há dias assim, em que o mundo parece não ter cor, o Sol parece não brilhar e à noite parece não findar. Mas como diz Paulo Coelho: “É justamente a possibilidade de realizar um sonho que torna a vida interessante.”
Caminho ferozmente para meio século de vida e o tempo não perdoa… e uma das fantasia que me acompanha é dar-me um pouco a conhecer.
João Cordeiro a 11 de Março de 2009 às 00:35

Antes de mais, desculpe apenas responder agora.

Quero começar por deixar claro que, infelizmente, a literatura e o seu mundo são, para mim, apenas um passatempo. Já por muitos questionaram o conteúdo deste blog. Na verdade este é apenas um blog interessante, e não consigo fazer dele o que gostaria de o ver ser, quiçá o que deveria ser.
Compreendo, enquanto observador, a situação que descreve. Acredite que, ao longo dos anos em que escrevi neste blog, foram várias as histórias semelhantes. É a realidade, crua e dura. E também vergonhosa, até certo ponto. Parece que não é o talento a ditar o sucesso mas a miséria humana. É intrínseco à sociedade portuguesa.
Da minha parte, apenas lhe posso desejar sorte e esperar que continue a lutar por esse sonho, até ao fim. Espero vir a ver a sua obra numa livraria.
Terei a sua chamada de atenção em conta, e estarei atento ao que deve, por justiça, ser destacado.

Muito obrigado pelo seu comentário.
Fábio J. a 24 de Março de 2009 às 21:54

já ouviste falar da book worms?

é da sapo. é uma rede social para comentar, divulgar e classificar livros

eras capaz de te dar bem la e descobrir novas leituras
Anónimo a 15 de Março de 2009 às 14:26

http://bookworms.sapo.pt/ - o link é este
Anónimo a 15 de Março de 2009 às 14:28

Sim, já "ouvi falar" do Book Worms. Ou melhor, não só ouvi como já me inscrevi há já algum tempo. Como ainda não tive tempo para me dedicar àquele espaço (assim como ao Twitter), ao não mencionei estes dois espaços aqui no blog.
De qualquer modo, aqui fica: http://bookworms.sapo.pt/public/oslivros

Assim que tiver tempo explorarei este universo virtual.
Até Breve!
Fábio J. a 27 de Março de 2009 às 23:06

Olá!

Nunca li nada da Bishop mas fiquei muito curiosa, deve ser espectacular. Adoro quando os escritores criam novos mundos, apesar de não ser leitora de literatura fantástica, eu sei, é estranho.. =P Já os contos de Beeble, li depois de ler sobre o livro aqui. Agora de certeza que também vou conhecer a Bishop!

E, como sempre, adorei o post!

Beijinhos,
BeHappy
Bia a 16 de Março de 2009 às 19:14

Olá,

Eu não diria que Bishop é espectacular. Este livro é deveras entusiasmante, mas o primeiro desta trilogia deixa muito a desejar. Mas é realmente um mundo muitíssimo criativo, cheio de pormenores cativantes e misteriosos.
Se te aventurares com Bishop talvez te tenhas de esforçar no início, mas com o tempo os pormenores tornam-se mais claros e a leitura mais aliciante. Há quem adore, há que deteste. Eu estou algures no meio :)

Boas Leituras!
Fábio J. a 27 de Março de 2009 às 23:14

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