Julho 24 2009
"uma leitura deliciosa"
A Vida num Sopro é o título do mais recente romance de José Rodrigues dos Santos e da minha última leitura. É a quinta obra que leio, deste autor português, pelo que a leitura não se tratou de uma experiencia totalmente nova. Porém, o género e o conteúdo da narrativa não deixaram de me surpreender e agradar.
Portugal, anos 30.
Salazar acabou de ascender ao poder e, com mão de ferro, vai impondo a ordem no país. Portugal muda de vida. As contas públicas são equilibradas, Beatriz Costa anima o Parque Mayer, a PVDE cala a oposição.
Luís é um estudante idealista que se cruza no liceu de Bragança com os olhos cor de mel de Amélia. O amor entre os dois vai, porém, ser duramente posto à prova por três acontecimentos que os ultrapassam: a oposição da mãe da rapariga, um assassinato inesperado e a guerra civil de Espanha.
Ao contrário das obras mais especulativas do autor, que o colocaram nos tops, A Vida num Sopro é um romance simples, centrado numa história de amor. Essa simplicidade e esse tema permitem a construção de uma história apaixonante e arrebatadora. Página a página, deixe-me levar por um enredo familiar, muito próximo, o que resultou numa leitura deliciosa.
Tal como a sinopse esclarece, a narrativa permite o contacto com a realidade da década de 30 do século passado. Em Portugal, vive-se sobre a influência opressora da PVDE. Em Espanha, a guerra civil. Embora as peripécias romanescas não estejam tão dependentes da realidade histórica como num romance histórico comum, ou até como em A Ilha das Trevas, esta narrativa é escrava da sociedade e ideias da época, bem como das práticas políticas, sobretudo das práticas políticas… Tal correlação dá um tom ainda mais emotivo a alguns momentos da história, com excepção para os episódios passados em Espanha, já que a descrição da sua guerra civil revelou-se bastante maçadora.
Um dos pontos que adorei na obra foi a inclusão de regionalismos. E quando digo adorei, não me coíbo de reafirmar que adorei mesmo. Ver expressões usadas pelos meus avós ou pessoas mais velhas da região (sim, porque a esse nível, pelo menos aqui no Minho, existem várias semelhanças com Trás-os-Montes, onde se passa parte da história) fez-me sorrir, maravilhou-me até. Talvez tenha sido uma reacção exagerada, mas tais expressões ajudaram a criar um ambiente muitíssimo autêntico e acolhedor.
A tudo isto, juntam-se personagens fascinantes. Reflectindo sobre as suas acções, nem sempre foram totalmente credíveis, mas sustentaram com excelência o desenrolar dos acontecimentos. Luís, Amélia, Joana, Francisco… apenas nomes, mas nomes que me fizeram sentir fortemente o que lia.
Achei o final da obra muito emotivo, sobretudo pela raiva que me fez sentir. Para o perceber, só lendo, actividade que recomendo vivamente.
Uma história de amor, luta e esperança, portuguesa e deliciosa.
A Vida num Sopro de José Rodrigues dos Santos
Gradiva, 2008
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 00:41

Dos livros do JRS só me falta esse. Se for algo do género de o "A filha do Capitão" é certo que vou gostar também!
Mónica a 24 de Julho de 2009 às 21:26

Pelo que pude perceber através do comentário que li em diversos blogues, a obra do autor mais semelhante com esta é mesmo "A Filha do Capitão".
Como gostei tanto de A Vida num Sopro não quero deixar de ler esse romance, do qual recebi críticas tão positivas.

Quanto a este, aconselho vivamente.

Boas Leituras!
Fábio J. a 24 de Julho de 2009 às 23:05

Oi! Vim visitar e gostei muito do seu blog! Ja te linkei lá no meu!
Supr bejito,
da DriM
http://drimsatelie.blogspot.com/ (http://drimsatelie.blogspot.com/)
DriM a 26 de Julho de 2009 às 15:53

Olá,

Ainda bem que gostou. Fico contente :)
Passarei pelo seu também.

Até Breve!
Fábio J. a 26 de Julho de 2009 às 20:15

Gostei muito desta história. Muito mesmo! Só acho uma falta de consideração para os leitores, que a editora Gradiva estipule preços tão elevados nos livros do José Rodrigues dos Santos. Até os livros estrangeiros que são traduzidos para português saem mais baratos que esses. Tive sorte porque comprei este livro na feira do livro a um preço "acessível".

Boas leituras ;) 
Bruno a 27 de Julho de 2009 às 00:03

Eu também gostei bastante.
E concordo plenamente com a questão dos preços. Trata-se de claro oportunismo. Depois de ler este livro, que me ofereceram, fiquei muito interessado em A Filha do Capitão, mas quando vi que custava mais de 24€ coloquei o livro no fundo da minha lista. Ou aproveito uma promoção, peço emprestado a alguém ou não leio :( É triste.

Boas Leituras!
Fábio J. a 27 de Julho de 2009 às 22:12

Li este livro sofregamente.
Aliás, como eu gosto de ler os livros, quando me agarram.
E este agarrou-me, sem dúvida.
Como sempre, com JRS, o livro acrescentou algo em mim
Carlos a 27 de Julho de 2009 às 13:19

É mesmo essa a palavra: "agarra", porque este livro é arrebatador, pelo menos na maioria da narrativa.
Embora não o ache, de longe, perfeito, gosto cada vez mais de JRS, e este seu estilo romanesco agradou-me muitíssimo. A repetir.
Fábio J. a 27 de Julho de 2009 às 22:33

esse sem dúvidas é um livro muito bom...na primeira oportunidade gostaria de ler....
tratamento de efluentes a 27 de Julho de 2009 às 21:32

Quando puder faze-lo, não perca a oportunidade.
Fábio J. a 27 de Julho de 2009 às 22:38

É gostei sim! vou virar fã... :))) Obrigada pela visita!!!
DriM a 28 de Julho de 2009 às 14:14

Infelizmente não gosto deste escritor, mas penso lê-lo.
Obrigada. e boas leituras.
Larissa a 5 de Agosto de 2009 às 12:23

Se já experimentou e não gostou... bem, apenas posso dizer que esta história é diferente da ficção mais especulativa do autor. Talvez agrade, talvez não.

Boas Leituras!
Fábio J. a 6 de Agosto de 2009 às 17:04

Pelo seu post, suponho e, se calhar também espero, que este livro seja melhor que o que estou a ler.
Cheia de curiosidade, comecei a ler a "Formula de Deus" e fiquei muito desiludida, por a história, que apesar de banal até é engraçada e boa de ler, tenha a sua narrariva constantemente interrompida com explicações exaustivas de física, que a mim não me dizem nada. Eu não percebo, não quero perceber e nem me esforço por recordar o parágrafo anterior que justifica o seguinte... Detesto os diálogos cientificos que a obra apresenta e acho que não era preciso tanto para jusitifcar a história. Tenho pena, porque, como já disse a história até que não é má de todo...
Só há mais uma coisa que me desiludiu, logo no inicio do livro, mas que até agora não se voltou a repetir: como é que um historidor, criptanalista, professor de historia, que sabe Inglês, Francês, Espanhol, Hebraico e Aramaico e estuda Alemão, lê a frase "Die Gottesformel" e não percebe o que quer dizer?
Graças ao seu comentário, acho que ainda vou insistir em JRS com outro livro, talvez esse. Beijinhos. Maria João
Maria João a 13 de Agosto de 2009 às 15:56

Os temas e as abordagens são diferentes, mas acho que posso afirmar que A Vida Num Sopro é melhor do que A Fórmula de Deus. Eu, pelo menos, assim acho.
As "aventuras" de Tomás Noronha têm "algumas" incongruências. O caso dessa frase é apenas uma delas. Quanto aos termos científicos, bem, a mim não me incomodaram, até porque o outro extremo da história, a vida pessoal do protagonista, muitas vezes não agradava (se bem  que, nesse livro, isso não é tanto assim).

A Vida Num Sopro é um romance muito agradável e interessante que, acredito, agradará. Fico à espera duma opinião, se o ler.

Boas Leituras!
Fábio J. a 14 de Agosto de 2009 às 16:01

A "Filha do Capitão" foi o único livro do autor que não li. Apesar da sinopse ilucidar, não sabia bem o que ia encontrar neste livro e quando comecei a lê-lo não mais o pude deixar de lado. Por diversas vezes me passei, pois as situações narradas tiravam-me do sério!
É uma excelente história, dentro da História. Gostei imenso!
tonsdeazul a 28 de Agosto de 2009 às 15:53

Antes de mais, devo avisar que não tenho a certeza se o comentário se refere a Filha do Capitão ou a A Vida num Sopro... Presumo que seja a este último, pelo "Gostei imenso".

Assim sendo, concordo que este livro é excelente e nos proporciona um romance interessantíssimo e que se conjuga muito bem com a História portuguesa. Duas qualidade louváveis.

Quero ler a Filha do Capitão em breve, para ver se a qualidade é a mesma.

Até Breve! ;)
Fábio J. a 29 de Agosto de 2009 às 23:28

:) Pois não fui muito elucidativa... Mas sim referia-me "À vida num sopro".

tonsdeazul a 31 de Agosto de 2009 às 12:02

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