Agosto 05 2009
Recentemente, tive a oportunidade de dedicar algum tempo à questão da ecologia, com a leitura de Dormir Nu é Ecológico. Neste livro, uma espécie de fusão entre o ensaio e o diário, Vanessa Farquharson conta-nos como é dedicar 366 dias à protecção do ambiente, abdicando de vários elementos do seu dia-a-dia e praticando acções que contribuem para um mundo melhor.
Quem pensa que este se trata de mais um livro sobre o tema, com dicas, especulações ou lições, está enganado. É sem qualquer segunda pretensão que a autora se propõe alterar o seu quotidiano de jovem jornalista canadiana e, assim, perceber por si própria o que vale ou não a pena fazer pelo planeta.
Acima de tudo, diria que se trata de um relato franco e autêntico, com o qual a autora explora o mundo da ecologia e reflecte sobre a praticabilidade e utilidade de várias atitudes verdes. Lá porque deixar de usar papel higiénico seja a opção mais amiga do ambiente, nem por isso a autora o faz, pelo menos por completo.
No entanto, faz 366 mudanças na sua vida. O número é mais do que suficiente para alterar radicalmente o seu estilo de vida e o leitor tem a oportunidade de acompanhar as consequências dessa metamorfose. Desde abdicar do carro até lavar o cabelo com vinagre, sem esquecer o uso do copo menstrual, o desligar do frigorífico, as restrições na alimentação e uma série de outros comportamentos mais ou menos relevantes, tudo me surpreendeu.
E para melhorar, a autora partilha muito mais da sua vida. Sempre com humor e boa disposição, ela relata-nos o seu dia-a-dia, mesmo as paixões, as viagens e os “pecadilhos ocasionais”. Não esconde o seu cepticismo e as suas dúvidas, por vezes, até a sua raiva, e não omite o quão difícil é resistir às comodidades da civilização moderna. Apesar disso, dá o seu melhor e, passado um ano e terminado o desafio, mantém vários dos seus comportamentos ecológicos. Afinal, proteger o ambiente é possível, mesmo com pequenas acções. Eu, pelo menos, decidi mudar alguns comportamentos.
Em suma, trata-se de uma obra original, que permite uma reflexão genuína sobre o impacto do comportamento humano no ambiente, mas que está repleta de situações caricatas e divertidas. A leitura é simples e agradará a qualquer leitor.
Quem quiser saber mais pode ainda consultar o blogue da autora, aqui.
Dormir Nu é Ecológico de Vanessa Farquharson
Alice Rocha, Editorial Presença, 2009
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 19:56

Confesso que não era livro que eu penssasse em ler...

Boas leituras
Maria Pereira a 6 de Agosto de 2009 às 11:47

É normal que o livro não suscite o interesse que outras obras suscitem. Talvez por não ser ficção ou talvez por tratar um tema hoje em dia tão banalizado.
No entanto, é uma leitura muito interessante e divertida. Obviamente, tem de ser vista como uma obra de não ficção, já que é uma espécie de diário descontraído, mas lê-se bem.

Boas Leituras!
Fábio J. a 6 de Agosto de 2009 às 17:15

Adorei!!! Achei a obra super original!

beijos e boa quinta
carla martins a 6 de Agosto de 2009 às 15:02

É mesmo... a obra é diferente e muito bem humorada. Durante a leitura, senti mesmo que estava a conhecer a autora e a entrar no mundo da ecologia.
Vale a pena.

Até Breve!
Fábio J. a 6 de Agosto de 2009 às 17:16

fã de literatura fantastica e nao tens nada sobre 'cem anos de solidao' já leste?



---
quem és?
Tiago a 10 de Agosto de 2009 às 22:49

Antes de mais, uma visão mais atenta seria capaz de fazer notar que existem muitos "Senhores" de Literatura Fantástica que ainda não li, infelizmente.
E vens perguntar-me sobre Cem Anos de Solidão? Não li a obra, mas pode o realismo mágico de García Márquez ser considerado Literatura Fantástica? Já li o autor e tenho dúvidas...

Quanto à última pergunta... essa pergunta é quase filosófica. Mas acho que só te interessa saber que sou um simples leitor que partilha as suas opiniões sobre livros num blog, esperando poder discutir ideias em torno da litertura. Esclarecido?

Hmpf

(em primeiro lugar devo desculpar-me já que a minha tentativa de comunicação pacifista e de certa forma gentilmente humorada nao foi recebida ou interpretada dessa forma.)

sim, estou perfeitamente convencido que o realismo fantástico de GGM de possa instalar nos dentro dos pilares da (verdadeira) literatura fantastica. claro está que nem toda a fantasia que agora se mostra em forma de livro se deva chamar 'literatura' no seu sentido mais distintivo.

talvez as tuas duvidas girem em torno no grande fosso que existe entre o classico (cem anos...) e os restantes livros do autor. a obra é de certa forma incrivel (apetecia usar o termo fantastico ) que ultrapassa até o proprio gabriel.

quanto á segunda pergunta - nao , nao esotu esclarecido todavia compreendo a tua resposta. o facto de seres 'um simples leitor que partilha as suas opiniões sobre livros num blog, esperando poder discutir ideias em torno da litertura' ja eu conhecia ... 

ao ler todo o blog notei que faltava a cara do ' critico '  a idade ou outras referencias pessoais (desculpa a curiosidade) 



- espero poder vir a' falar' mais tranquilmente....
acalma-te critico.




Tiago a 14 de Agosto de 2009 às 13:47

Deixa-me dizer que me fizeste sorrir :)
Não tens de pedir desculpas. Eu aqui nunca levo nada a mal, tanto é que tentei responder de um modo bem-humorado. Não pareceu? Mas, diga-se a verdade, o teu primeiro comentário até parece um pouco presunçoso... talvez seja o meu instinto, já que de tempos a tempos tenho algumas "visitas" do género. Enfim, não queria parecer "agressivo".

Quanto à questão da literatura do García Márquez. Ora, eu só li uma obra do autor, na qual o realismo mágico, ou pelo menos o surrealismo que me parece intrínseco, não era evidente. E sem conhecer, efectivamente, tanto esse derivado sul-americano da Literatura Fantástica como a obra que referes, não posso discutir o assunto de modo construtivo.
Mas quanto ao que é, ou não, verdadeira literatura fantástica talvez já possa, enquanto leitor, falar um pouco. Parece-me que estamos a referir duas literaturas diferentes: a mais erudita, com elementos surrealistas e mágicos que muitas vezes não são mais do que pormenores, e a mais comum, e também comercial, que é mais pura e se alimenta directamente de elementos fantasiosos. Não me parece que García Márquez seja um pilar neste segundo ramo. Em ambos há bons livros. E, neste ponto, já não te percebi muito bem, pois não sei se não estarás a, de alguma forma, marginalizar a Literatura Fantástica mais, digamos, hardcore. Foi o termo "distintivo" que me fez pensar nisso.

Quanto à segunda questão, apenas acho que o meu nome, idade, profissão e morada não são muito relevantes quando se discute gostos literários. Ou talvez sim, mas digamos que é o hábito que me faz continuar na "obscuridade". Se bem que, se procurares, esses dados estejam todos algures neste blog, dispersos em post e comentários.

Pareço-te calmo e tranquilo?  É que estou, como estava antes e continuarei a estar. :)
Fábio J. a 14 de Agosto de 2009 às 16:36

'Hmpf'

hahahaha não entendi isto





Tiago a 14 de Agosto de 2009 às 13:48

Esse "Hmpf" foi, digamos, a minha reacção ao que me parecia ser alguém com a intenções duvidosas. Uma espécie de revirar de olhos e um, bem, um hmpf!
Fábio J. a 14 de Agosto de 2009 às 16:43

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