Agosto 27 2009
Existem livros cujas premissas cativam mas não convencem o suficiente, por indiciarem uma história com clichés ou, simplesmente, vulgar e monótona. O Ladrão da Tempestade, do britânico Chris Wooding, parecia-me um deles. Mas as aparências iludem, e a prová-lo está a qualidade desta obra: bem estruturada, original, surpreendente e intimista.
O mote da obra é o seu próprio cenário: Orokos, a Cidade do Acaso.
No meio de um vasto oceano, existe uma cidade-ilha chamada Orokos, onde nunca ninguém conseguiu entrar e donde nunca ninguém conseguiu sair. Em Orokos existe um estranho fenómeno, as tempestades de probabilidades, que têm o poder de alterar tudo à sua passagem.
Orokos é, portanto, uma cidade com particularidades cativantes. Esta cidade é também uma ilha e, para todos os seus habitantes, todo o mundo conhecido. Para além disso, está repleta de artefactos e edifícios pertencentes a uma antiga civilização tecnologicamente avançada, os Extintos. A sua herança mais relevante é a Máquina do Caos, um mítico objecto que, de tempos a tempos, gera tempestades de probabilidades, as quais são capazes de alterar a realidade de Orokos.
Uma das vítimas dessas tempestades é Rail, um jovem ladrão cujos pulmões deixaram de funcionar. Rail, tal como Moa, vive num dos guetos da cidade. Sim, porque a cidade está dividida em vários Territórios amuralhados e é governado com tirania e opressão. A governação e as carências sociais são, aliás, elementos preponderantes nesta obra de ficção-científica. A miséria, a pobreza e as desigualdades sociais agravam-se com a perseguição da Polícias Secreta, responsável pela contenção dos insubmissos.
Estes e outros pormenores criativos sustentam um universo fantástico que vale por si próprio. No entanto, a aventura de Rail e Moa, apesar de simples, é também muito cativante. A eles, junta-se um golem em busca do seu lugar do mundo e outras personagens sobejamente bem construídas.
Na verdade, Chris Wooding conseguiu criar uma história simultaneamente simples e completa, na medida em que se socorre de inúmeros elementos fascinantes que nos mantêm entusiasmados página após página, sem se perder em descrições ou enredos cansativos. Também o facto de esta ser uma narrativa isolada deixa-me surpreso, pois estou convencido de que Orokos poderia acolher muitas outras histórias; mas também me agrada, já que a criação de outras, ou o alargamento desta, poderia prejudicar a concepção deste universo fantástico.
Há muito que não me deparava com uma narrativa de literatura fantástica que, na sua simplicidade, pudesse oferecer tanto aos seus leitores. A opinião sinal é francamente positiva e a leitura claramente recomendada.
Um autor a reler.
O Ladrão da Tempestade de Chris Wooding
Miguel Romeira, Editorial Presença, 2009
Links: Chris Wooding
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 16:05

Um blog sobre livros e afins. A descongelar lentamente...
Contacto
Contacto

As mensagens poderão não ser lidas por extensos períodos. Pedidos de divulgação e/ou colaboração poderão não obter resposta.
pesquisar
 
A ler...
Tales of Earthsea

Romeo and Juliet

comentários recentes
<a href='http://www.cricinfobuzzlive.com/live-c...
E Jack london?Eça de Queiros.....
Também adorei!:http://numadeletra.com/a-mancha-hum...
Quando será lançado o quarto livro em português do...
Estou agora a ler esse livro e este seu texto deu-...
arquivos
2015:

 J F M A M J J A S O N D


2014:

 J F M A M J J A S O N D


2013:

 J F M A M J J A S O N D


2012:

 J F M A M J J A S O N D


2011:

 J F M A M J J A S O N D


2010:

 J F M A M J J A S O N D


2009:

 J F M A M J J A S O N D


2008:

 J F M A M J J A S O N D


2007:

 J F M A M J J A S O N D


2006:

 J F M A M J J A S O N D


Leitores Online
online


O autor deste blog não respeita o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa