Outubro 01 2009
Já disponibilizei, aqui no blogue, bastante informação acerca da mais recente aposta da Porto Editora: A Cabana, de Wm. Paul Young. Por isso, passarei à crítica.
Começo por realçar que a sinopse da obra descreve o seu mote mas não deixa antever o cerne da narrativa, muito menos a profundidade e perspectiva com que o assunto é tratado. Mais do que uma ficção, esta obra é uma visão muito restrita, concreta e tendenciosa do conceito de Deus, da Igreja e da vivência humana.
A partir do prefácio, é possível tomar conhecimento do passado obscuro e do universo familiar de Matt, o protagonista. Este homem vive atormentado pelos seus fantasmas familiares, nomeadamente, pela Grande Tristeza, consequência do rapto da sua filha mais nova. Os primeiros capítulos debruçam-se, precisamente, sobre esta desventura.
Trata-se de um episódio emocionante e até perturbador, que retrata alguns dos mais profundos valores humanos, ao qual não pude passar indiferente. Associado a isso está o estilo, bastante cativante, o que me levou a não dar pelo passar das páginas.
Depois disso há uma viragem na narrativa, que se torna mais onírica, devido à focalização em Deus e na espiritualidade. E aqui devo fazer notar as minhas descrenças e agnosticismo, pois não consegui, de todo, deixar de considerar algumas observações sobre Deus palavreado para irracionais. Note-se: o escritor tem uma escrita consistente e a história narrada pode tocar os corações dos que têm uma grande fé. Porém, acho que a ambiguidade sobre as figuras divinas mantém-se, o que é frustrante.
À medida que a história evolui, surgem metáforas que remetem para a espiritualidade e a auto-ajuda. Nesse sentido, o protagonista coloca questões pertinentes e traz a discussão interessantes temas teológicos, mas como é usual neste tipo de literatura, o leitor nunca obtém uma resposta satisfatória - ou melhor, nunca obtém uma efectiva conclusão e por isso não me satisfiz. É que, na minha perspectiva – eventualmente ateia - ler a obra com espírito crítico resulta numa de duas consequências: ou nos tornamos verdadeiros ateus; ou lemos tudo como ficção e mitologia.
É que – e quase num desabafo ideológico – algumas passagens mostram contradições comuns e ridículas acerca de Deus, que por vezes é arrogante e incoerente. Acima de tudo, não tolero a ideia de que não precisemos de conhecer os desígnios da divindade, de que basta aceitá-los.
Ainda assim, a obra alerta para alguns paradigmas humanos interessantes, oportunos e relevantes, por isso faz-nos reflectir. E como a história demonstra, é importante parar para reflectir sobre o nosso modo de vida.
De uma forma geral, trata-se de um livro que de uma ou outra maneira nos influencia espiritualmente e nos leva a reflectir acerca da humanidade e das bases da nossa sociedade. É uma narrativa muito fluida, com surpresas e episódios muitíssimo bem delineados. Como já referi, cada página obriga-nos a ler a seguinte; e fi-lo com prazer.
Compreendo o sucesso da obra nos EUA e no Brasil, mas, sinceramente, creio que o enredo não se ajusta ou adequa tão harmoniosamente à mentalidade europeia. Apesar disso, tem tudo para ser um sucesso de temporada.
É uma obra para ler e sobre a qual reflectir. Nas bancas amanhã.
A Cabana
A Cabana de Wm. Paul Young
Fernando Dias Antunes, Porto Editora, 2009
Links: Site oficial
Boas leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:47
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4 estrelas??? Vou então ler...

Bom fim de semana e boas leituras
Maria Pereira a 2 de Outubro de 2009 às 15:53

Não fiquei certo acerca da questão: surpresa por defeito ou excesso? ;)
É interessante falares das estrelas porque, na verdade, elas são apenas um complemento insignificante e ambíguo da minha opinião. Não consigo fazer avaliações estanque, e não tenho critério definidos para as estrelas. Diria até que é um pouco aleatório. O que importa é o texto...

Mas pronto, neste caso dei quatro porque se trata de uma obra bem escrita, cativante e que me levou a reflectir. Fica a faltar-lhe a última estrela porque o enredo, sobretudo a segunda parte, impediu que a obra se tornasse numa das minhas favoritas, devido às ideias muuuuito tendenciosas. Não é uma obra de livre pensamento, muito pelo contrário.
Para além disso tenho noção que cada leitor, de acordo com as suas crenças e ideologias, interpretará o livro de forma muito pessoal. Daí não me comprometer com outra classificação.

Obrigado! Bom fim-de-semana (prolongado, yey!) e Boas Leituras!

Bem, a verdade é que gosto imenso de ler e leio qualquer tipo de livro, sendo que alguns me prendem mais a atenção que outros. Hoje em dia existem tantos livros no mercado que por vezes se torna dificil escolher o que ler. Ainda por cima na maior parte das vezes os preços tb n s nada simpáticos... Dai por vezes procurar opiniões junto de amigos e tb nos blogs de livros, sobre este ou aquele livro. 4 estelas parece-me ser uma boa classificação, dai eu achar que é um incentivo para ler... Ah, e já tenho o 2º volume da triologia do Stieg Larsson, que irei ler assim que acabar um dos 2 livros que estou a ler agora ("Tudo por amor de Jodi Picault e "Lua Nova" de Stephnie Myer"). E vou voltar sp aqui para uma opinião  :)

Boas leituras

De um modo geral, também leio qualquer tipo de livro, embora me sinta frustrado quando leio algo mau. Por isso escolho sempre as leituras com cuidado. É mesmo isso: existem tantos livros e tão pouco tempo para os ler e dinheiro para os adquirir...

Eu ainda não tenho o segundo volume da trilogia Millennium, mas esse é daqueles que quero mesmo ler! Vou esperar a tua opinião no Pereira's Books.

Até Breve!
Fábio J. a 7 de Outubro de 2009 às 19:59

Ola

Bem, estou sériamente a pensar em ler "A Cabana". As criticas sao muito positivas e dizem ser um livro especial... No entanto, estou dividida, pois sou muito rigorosa e ao mesmo tempo insegura no que toca a escolher os livros que leio... Adoro ficçao que envolvem romances e a minha duvida surge entre "Nomada" e " A Cabana"... Qual destes dois? Nomada retrata uma historia ficticia enquanto a cabana e' algo completamente diferente!
Gostaria que postasse algo sobre o mais recente livro de Stephenie Meyer!

Obrigada !  Boas Leituras :)
Marisa a 14 de Outubro de 2009 às 19:52

Olá!

O termo especial pode ter muitas conotações, mas sim, A Cabana é um livro especial.
Compreendo essa indecisão: há tanto por onde escolher e tanta variedade. A Cabana não é algo excepcional, mas parece-me melhor do que Nómada. Note-se: eu nunca li Nómada, mas conheço a história e, sendo um pouco mais original do que a série do Crepúsculo, continua longe de me cativar. Mas agora depende dos teus gostos pessoais: mais espiritualidade e filosofia ou mais romance e fantasia? Parece-me uma dualidade justa, tendo em conta que são duas obras muuuito diferentes.

O mais recente livro de Meyer é o Amanhecer, correcto? Ora, eu já aqui comentei o Crepúsculo e não me parece que chegue e ler o Amanhacer. Para além disso, trata-se de um livro que não precisa de divulgação, em especial da minha...

Não tens de agradecer. Fico satisfeito se puder ajudar de alguma forma.
Boas Leituras!
Fábio J. a 15 de Outubro de 2009 às 23:01

Olá...

Agradeço muito o esclarecimento! Vou pensar melhor em relação a este assunto, não sei bem qual dos dois corresponde por completo aos aos meus gostos pessoais, mas em relaçao a isso as minhas preferências são os livros de ficçao e romances! Gosto muito de fantasia e nesse caso seria melhor optar por Nómada, no entanto estou a pensar seguir o conselho e ler um pouco de tudo, posso até descobrir outro tipo de livro que me fascine... :)


Boas Leituras!!!   
Marisa a 15 de Outubro de 2009 às 23:39

Professora Marisa Espada achei que gostasse mais de ler livros futuristas. Mas, eu já li este e é bom. Vai gostar de certeza. Não é Kant nem Hegel, mas vai gostar.
Silvia
Silvia Cardoso a 31 de Outubro de 2009 às 00:52


Eu amei esse livro!! me fez chorar muitoo!!!
Tielle a 23 de Outubro de 2009 às 22:45

Eu não chorei, mas acho que o livro tem partes muito emotivas. O desaparecimento da filha de Matt é uma coisa pavorosa, descrita (e lida) com muita intensidade.

Gosto de livros assim...
Fábio J. a 6 de Novembro de 2009 às 20:20

Um blog sobre livros e afins. A descongelar lentamente...
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