Dezembro 19 2009
Porque sou um comum leitor, nas últimas semanas fui obrigado a abrandar as leituras e a negligenciar este blogue. Espero, daqui em diante, conseguir ajustar a minha actual rotina e dedicar mais tempo à leitura e à comunidade virtual.
Começo já por vos dar a conhecer a minha opinião sobre A Guilda dos Mágicos, um livro escrito pela australiana Trudi Canavan, editado recentemente no nosso país pela Bertrand. Este é o primeiro volume da Trilogia do Mágico Negro, que continua com The Novice e The High Lord.
Neste livro, está o princípio da história de Sonea, uma jovem órfã e pobre, aparentemente comum, mas que num ímpeto de fúria ataca um mágico… com magia. Tal ocorre durante o dia da Purificação, quando os mágicos são convocados a varrer os pedintes, criminosos e vagabundos para fora dos portões da cidade. Trata-se da desconfortável realidade de Imardin, a capital de Kyralia, delimitada por altas muralhas e costumes antigos.
A partir daquele confronto inusitado, Sonea torna-se uma fugitiva. Os mágicos prometem ajuda-la, mas as suas intenções são duvidosas. Com o apoio de velhos amigos, consegue manter-se fora do alcance da Guilda durante algum tempo. Aproveita-o para explorar as suas novas capacidades. No entanto, é inexperiente, e o poder que tem latente ameaça fugir do seu controlo.
A história começa por centrar-se nesta caça e fuga: a protagonista e os companheiros movem-se pela cidade, e os mágicos fazem esforços para os capturar. Esta seria uma boa oportunidade para a autora partilhar connosco o mundo que criou, mas as descrições não vão para além da organização estrutural e social da cidade… Os poucos momentos sobre a história e origem do espaço e das personagens não saciam a curiosidade, antes pelo contrário: aumentam-na. Espero, por isso, ver estes tópicos aprofundados nos volumes seguintes.
Descrições à parte, não posso deixa de destacar os diálogos. São bem explorados e especialmente relevantes para o desenvolvimento da história. Nalguns casos, têm a particularidade de incluir especificidades como o sotaque, o que se traduz em momentos engraçados.
Há medida que a história vai avançando, a acção tende a centrar-se na Universidade, onde novos mágicos são formados. Também aqui, a narrativa fica um pouco aquém daquilo que eu esperava, na medida em que as potencialidades do cenário não são suficientemente exploradas.
Assim sendo, diria que a história é narrada sem uma grande preocupação com os pormenores, e talvez por isso ela seja tão fluida. O facto é que se trata de um livro que se lê com facilidade, é interessante e suficientemente original. Peca, no entanto, pela superficialidade e pela falta de intrigas secundárias e verdadeiras surpresas.
Acaba por ser uma narrativa sobre um mundo com contornos medievais, no qual a magia é parte integrante da sociedade. O toque feminino dado pela protagonista, as personagens criativas e os diálogos cativantes tornam-na uma leitura interessante para os fãs do género.
Quanto a mim, espero pelos próximos volumes.
A Guilda dos Mágicos de Trudi Canavan
Andreia Mendonça, Bertrand Editora, 2009
Links: Trudi Canavan
Boas Leituras e Até Breve!
Publicado por Fábio J. às 23:51

Votos de um Feliz Natal, com muita paz, amor e saude. E claro, prendas no sapatinho (livros e mais livros...) e comidinha na mesa, que tb faz falta...  :)

Beijocas natalicias
Maria Pereira a 23 de Dezembro de 2009 às 17:12

Um Feliz Natal também para ti e para os teus, com tudo de bom! E, se possível, com novas histórias para ler :p

Beijos!
Fábio J. a 24 de Dezembro de 2009 às 15:33

Não sou propriamente um critico da literatura, mas o meu gosto em particular passa essencialmente por isto mesmo, imaginário, o fantástico, ficção e fantasia.

Na minha modesta opinião, o livro está até bastante bom, consegue prender o leitor e deixa uma expectativa de poder melhorar, pois apresenta um pormenor final que permita uma abertura que contraria de certa forma a critica aqui deixada, pois dá o mote para um enredo que deve de se arrastar até ao ultimo livro e dou o voto de confiança que no segundo volume muito mais se tem de passar para que a atenção não seja completamente agarrada a esse mesmo mote.

Aguardo com ansiedade a possibilidade de ler esse segundo volume e espero não ficar desiludido.

Não digo que seja uma obra prima, mas é uma leitora agradável e como foi referido fácil, acredito que seja do agrado de quem gosta do género.
Anónimo a 20 de Março de 2010 às 05:34

Agora que já passou algum tempo desde que o li, posso dizer que este livro é um pouco pobre de conteúdo, mas bom entretenimento. Gostava de ter visto a história desenvolvida, nomeadamente no que toda aos pormenores.

Quanto aos próximos volumes, sim, há um role de oportunidades. Mas lá está, a história, o enredo, terá de ser substancialmente diferente, forçosamente. Mas a ver vamos.

No fundo, é uma trilogia de fantasia comum, que agradará aos apreciadores do género pelo menos, como nós.
Fábio J. a 1 de Abril de 2010 às 23:06

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