Janeiro 09 2010
Terminei um ano e comecei outro com o mesmo livro na cabeceira. Refiro-me ao livro O Dom, o primeiro volume das Crónicas de Pellinor, escrito pela australiana Alison Croggon.
A história começa numa aldeia isolada. Lá mora Maerad, uma jovem escrava que perdeu os pais na guerra de Pellinor. Vive uma rotina de trabalho, e só se sente livre quando toca a velha harpa da sua mãe. Inesperadamente, é resgatada pelo grande bardo Cadvan e descobre o seu Dom, até então adormecido. É através dos olhos de Maerad, da sua aprendizagem e da sua adaptação ao mundo livre, que o leitor conhece o universo que dá vida a esta saga.
Trata-se de uma história de fantasia cujo mote é a existência de pessoas com poderes mágicos: os bardos. A designação deixa antever a importância da música na concepção das capacidades mágicas destes homens e mulheres que são mais do que simples feiticeiros. Na verdade, a autora abordou o tema de uma forma bastante interessante, ao descrever a magia como uma característica quase ubíqua, usada não só para encantamentos mas também como auxiliar às mais diversas actividades. Mas para compreender este pormenor é preciso conhecer a sociedade que nos é descrita.
Em Edil-Amarandh, o Povo das Estrelas é visto como parte essencial da sociedade. As suas escolas são centros científicos e culturais onde os valores e o bem-estar são respeitados, pelos menos em tempos pacíficos. A formação dos bardos leva-os a trabalhar para manter o Equilíbrio, lutando pelo bem comum e desenvolvimento.
Esta sociedade foi bastante trabalhada pela autora, designadamente nos variados apêndices do livro. Alison Croggon tentou, exaustivamente e, a meu ver, até exageradamente, convencer os leitores do que a civilização que descreve existiu outrora. E se por um lado a técnica aumenta o entusiasmo e o fascínio, por outro recorda outras sagas do género.
No seu site, a autora não esconde a influência dos universos criados por autores como Tolkien e Ursula Le Guin, uma informação, infelizmente, quase desnecessária, por serem várias as analogias. Este é, precisamente, um dos pontos negativos da história: as bases civilizacionais, a mitologia, alguns aspectos do enredo e até a geografia pecam pela semelhança com outras ficções, com especial destaque para o universo tolkiano. Trata-se de uma similitude para lá do comum e por isso não a posso deixar de referir.
Para além deste aspecto, é de lamentar o facto de este ser um livro meramente introdutório. Infelizmente, tal parece-me cada vez mais comum: nesta obra, de cerca de 200 páginas, passa-se muito pouco. Há aventuras e intrigas, mas não as suficientes para justificarem a existência de um livro isolado. O livro só tem sentido como precursor dos restantes 3 volumes, característica corrente nas sagas de fantasia mas que, não posso deixar de dizer, me entristece e enfada.
Mas, voltando a O Dom, quero deixar claro que gostei do que li. Embora os princípios básicos da magia não sejam originais, o modo como estes se imiscuíam com a sociedade e com o enredo pareceu-me muito criativo e agradou-me bastante. Para além disso, vale a pena referir que a história está bem escrita (pese embora eu duvide um pouco das construções frásicas da tradução) e a evolução do enredo até é cativante. As descrições das paisagens e das cidades merecem menção, constituindo um dos elementos mais positivos da obra. Há episódios que me pareceram efectivamente desnecessários, e elementos que gostaria muito de ter visto desenvolvidos, mas, feitas as contas, é uma história (ou principio de história) atractiva e um bom exercício para os habituais leitores do género.
Sem dúvida, quero continuar acompanhar o percurso da protagonista. O livro original, The Gift, tem mais de 500 páginas e divide-se em quatro partes, sendo que apenas as duas primeiras estão presentes nesta edição. Resta-me esperar pela tradução das outras duas partes e dos três livros seguintes, The Riddle, The Crow e The Singing.
O Dom de Alison Croggon
Irene Daun e Lorena/Nunu Daun e Lorena, Bertrand Editora, 2009
Links: Alison Croggon | The Book os PellinorBlog The Books of Pellinor
Boas Leituras em 2010!
Publicado por Fábio J. às 22:14

Olá e bom ano de 2010.
Tenho a confessar que já há algum tempo que aqui não vinha.
Tive um ano com muito poucas leituras... e pelo andar julgo que este ano não vai ser diferente... mas vir até aqui dá-me alento para voltar a ler...
Isto de voltar a andar de carro deixa-me sem tempo pra ler!
Larissa a 11 de Janeiro de 2010 às 08:30

Apesar de atrasado, bom ano também para ti! :)

Eu próprio tenho cada vez menos tempo para este blogue. Mas as vossas visitas dão-me vontade de continuar.
Também li menos do que o habitual, este ano, e digo o mesmo: este novo ano não será muito melhor. Mas quero tentar. Pelo menos lerei o que puder, com calma, como gosto.
Se te poder incentivar, fico contente :)

E já que falas nisso, não digo que conduzir me retira tempo de leitura, porque nunca lia nos transportes públicos, mas a verdade é que a condução cansa, e é mais difícil ler... Enfim.

Abraço!
Fábio J. a 17 de Janeiro de 2010 às 00:31

Bom ano caro Crítico:)
Roberto a 13 de Janeiro de 2010 às 19:17

Olá e muito bom ano para ti também! :)
Fábio J. a 17 de Janeiro de 2010 às 00:33

Quando fazem mais passatempos?
 
Silver
Silver a 14 de Janeiro de 2010 às 11:13

Os passatempos do blog Os Livros realizam-se, regra geral, em parceria com grupos editoriais. Assim sendo, a promoção de novos passatempos está dependente do interesse desses mesmos grupos. Por agora, não existem passatempos previstos.

Obrigado pelo interesse. 
Fábio J. a 17 de Janeiro de 2010 às 00:37

Se ainda não começou a ler o Nome do Vento, apresse-se. É um dos melhores livros que tive o prazer de ler. Apaixonada.
cmaa a 16 de Janeiro de 2010 às 14:37

Apressar-me-ei! :)
As opiniões têm sido todas muito positivas, por isso mal posso esperar!
Fábio J. a 17 de Janeiro de 2010 às 00:38

Excelente dica. Vou atrás.
bruno knott a 16 de Janeiro de 2010 às 15:00


voce terminou e começou o ano com o mesmo livro na mesa cabeceira..eu já passei duas passagens de ano com mesmo lvro na mesa cabeceira :S até parece mal
marisa a 27 de Janeiro de 2010 às 17:06

Duas passagens de ano é, efectivamente, bastante tempo :)

Espero que tenha usado a outra cabeceira para pousar outros livros que tenha lido :). Por vezes é difícil, mas vale sempre a pena manter uma leitura constante.

Boas Leituras!
Fábio J. a 8 de Fevereiro de 2010 às 00:00

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