Maio 13 2010

Antes de mais, não, não desapareci e este espaço ainda não morreu. Agradeço aos que aqui têm comentado e fica garantido: em breve terão resposta.

Quanto aos livros, começo com O Nome do Vento, a obra de estreia do norte-americano Patrick Rothfuss. A avaliar pelas opiniões que li, a versão portuguesa garantiu o sucesso alcançado pela versão original, ao tornar-se num dos livros do género mais comentados e recomendados dos últimos tempos. Feitas as contas, junto-me ao coro dos elogios.

A história dispensa apresentações: o protagonista, Kvothe, começa como uma criança curiosa e perspicaz num mundo de hábitos medievais, magia, monstros e malfeitores, antigas lendas e uma universidade especial. Apesar do universo cativante, é ele o elemento central desta história narrada, essencialmente, em primeira pessoa. Mais do que em outras obras, em O Nome do Vento tudo gira em torno do protagonista, das suas decisões e dos seus actos. Este é, na verdade, o relato da vida de um jovem inteligente, presunçoso, corajoso e determinado, em suma, de um herói.

Ainda assim, logo nas primeiras páginas do livro desapontei-me, pois algumas das expressões e metáforas utilizadas pelo autor pareceram-me mal conseguidas e pouco significantes. No entanto, embora as opções de estilo e sintaxe do autor nem sempre me tenham parecido as melhores, qualquer um desses pormenores foi suprimido pela qualidade e criatividade do enredo.

A criança que viaja pelo prolífero mundo de Patrick Rothfuss cresce e supera os obstáculos, tornando-se no jovem que luta diariamente para sobreviver e se afirmar numa sociedade marcada por desigualdades sociais. Mas, contrariamente a outros heróis do género, Kvothe é uma personagem incrivelmente solitária, mesmo não estando só, e é isso que o destaca e me impressionou. Para além disso, o autor não poupa o leitor e, sem chocar, consegue apresentar um universo negro e maléfico, ao mesmo tempo que suscita grande empatia com o protagonista. Existem outras personagens deveras cativantes mas pouco exploradas, uma lacuna que é preenchida pela complexidade do protagonista, no qual se centra toda a acção.

O modo detalhado e envolvente como a história é contada, associado às múltiplas peripécias nas quais Kvothe se vê envolvido, faz deste um livro original, criativo e, o mais importante, muito cativante. Contudo, não posso deixar de salientar uma certa morosidade na evolução dos acontecimentos. Embora a leitura não seja monótona ou aborrecida, há excertos que pouco ou nada acrescentam à história, e poderiam mesmo ser resumidos.

No fundo, este é um excelente início da trilogia e da carreira do autor. O facto de a história ser narrada em analepse (e na primeira pessoa, claro) confere um tom realista à obra, e permite, também, antever alguns acontecimentos dos próximos volumes. Mas as questões são muitas e a curiosidade imensa, pelo que não me resta outra solução a não ser esperar pelo próximo livro.

Não é história perfeita, mas é muito mais do que uma simples história sobre um jovem que quer aprender magia e lutar contra o mal. É o relato de um estranho estalajadeiro que se tornou lenda, um relato vivo e entusiasmante que se impõe como referência criativa.

 

 

O Nome do Vento de Patrick Rothfuss

Renato Carreira, Gailivro, 2009

 

Até Breve!

Publicado por Fábio J. às 23:17

Ainda bem que estás de volta, já tinha saudades das suas leituras...

Aqui está um livro que está na minha lista de próximas leituras

Até breve e boas leituras
Maria Pereira a 14 de Maio de 2010 às 00:29

Oh, que bom ler estas coisas! :) Espero conseguir manter um ritmo decente a partir de agora, a ver vamos...

O livro é muito bom, a sério. Mesmo dentre o género, é muito original pelo tom, pela história. Penso que irias gostar....

Bem, obrigado pelas visitas!
Até Breve!
Fábio J. a 15 de Maio de 2010 às 00:11

memoria de elefante do antunes é dos melhores no contexto -  escritores vivos .

onde arranjas-te essa ediçao?
tiago a 14 de Maio de 2010 às 20:57

Realmente, já era mais do que tempo de ler Lobo Antunes. Representando o que representa nas letra lusófonas não posso estar sem o ler...

Eu, na verdade, tenho a edição ne varietur. A que estava até há pouco exposta aqui no blog é a mais recente. Eu comprei a minha numa livraria, mas penso que na internet se vende, sobretudo, a mais recente.

Boas Leituras!
Fábio J. a 15 de Maio de 2010 às 00:16

Aqui estou eu novamente a comentar o "Nome do Vento" xD
Concordo com tudo o que dizes.
Mas não sei se reparaste:

Todas as mulheres são bonitas no livro xD
Raramente ele não passa sem fazer uma referência à beleza de uma certa personagem feminina xD
Daniel Gomes a 17 de Maio de 2010 às 22:14

Eheheh, realmente, há uma certa tendência para valorizar a beleza feminina. Mas pensa assim: com quantas mulheres o Kvothe se cruza? Não muitas. O seu mundo acaba por ser muito masculino, de tal modo que talvez o autor destaque propositadamente a beleza do sexo oposto, para dar um novo animo à narrativa. Eu acho que resulta! :D
Fábio J. a 6 de Junho de 2010 às 23:19


O Nome  do Vento trata-se de um livro emocionante. No início da leitura você não dispõe de grande envolvimento com o livro, mas quando kote começa a relatar sobre sua vida o mundo da fantasia começa a fazer parte da história. No início ele se dá de modo sutíl mas com o passar dos acontecimentos você se depara com um mundo fantástico com um embasamento teórico impressionante, onde as vezes você até acredita que certas "simpatias" podem realmente ser realizadas.

Acredito que, pelo fato da história se tratar de uma espécia de autobiografia narrada pelo próprio personagem, o livro possui um toque a mais que o torna ainda mais interessante. O autor teve muito cuidado ao introduzir realidade deste mundo diferente com explicações embasadas na psicologia, filosofia, química e até botânica.

O Nome do vento se trata de um livro objetivo, que descreve os acontecimentos de forma suficiente, nem falando demais nem de menos, mas expondo informações que são utilizadas a todo tempo durante a história. Portanto, é uma leitura completa, estimulante, emocionate surpreendente e instigante.

Enquanto espero o segundo livro ser lançado, me apaixonei por esse novo mundo fastástico, agora estou me dedicando a leitura do Ciclo Terramar de Ursula Le Guin.

Tatiana Vieira a 16 de Julho de 2010 às 13:34

Concordo com o que escreveu. É um livro com o peso e medida ajustados, em diversos aspectos. E a narração em primeira pessoa, tão bem conduzida, dá-lhe um tom muito cativante, aliás, trata-se de um protagonista peculiar e cativante.

E sim, o autor preocupou-se em desenvolver vários aspectos do seu mundo, se bem que gostava de ter visto alguns deles mais desenvolvidos. Para além disso, comparado com outros autores falta-lha, digamos, uma mitologia. Mas claro que o mundo foi bem explorado...

Bem, estou curioso quanto ao próximo.

Oh, certamente gostará do Ciclo de Terramar. É cativante e a narrativa quase poética. Tenho saudades disso :)

Obrigado pela visita.
Fábio J. a 21 de Agosto de 2010 às 22:12

apesar de haver partes monótonas, este livro está no mais alto escalão de fantasia.
a par de nomes como George r.r Martin.
já é considerado dos melhores , á frente de tolkien em algumas listas, e ainda nem acabou.Isto diz muita coisa.
A escrita é da melhor.As descrições , a paixão.
Faz a música sair do papel.
Considero um livro perfeito!!
Ainda faltam dois.. vai rebentar com a escala.
mariana a 30 de Agosto de 2010 às 20:44

Eu diria que Patrick Rothfuss me parece ser um nome a ter em conta na fantasia da actualidade, tal como O GRRM até, porque não... Mas não me atrevo a mais do que isso pois, embora tenha gostado bastante do que li, não basta um livro.
E melhor do que Tolkien? Hmm, comparação perigosa, seja ela de quem for. Tolkien não é intocável, claro que não, mas a sua criação, o seu mundo, a sua mitologia, consagrou-lhe um lugar com o qual, a meu ver, o autor de O Nome do Vento apenas pode sonhar, pelo menos para já.

Mas espero pelos próximos volumes, com ânsia. :)
Fábio J. a 2 de Setembro de 2010 às 22:13

tens toda a razão expressei-me mal.Apenas disse o que vi em listas estrangeiras.
Acho que o nome do vento com a continuação vai ficar uma historia espectacular.
O protagonista tão bem criado..
Na minha opinião pelo menos a escrita é melhor.
Tolkien criou um mundo,a maioria da fantasia é baseada em criações que á partida serão dele ou pelo menos ele foi o pioneiro..
Tolkien na grande maioria baseou-se em lendas nórdicas.
Ainda nao li as duas torres nem o que se segue.Não me empolgou muito a irmandade do anel.
De fantasia li pouco.O ciclo da herança que acho que tem uma historia muito boa ( e olhem que nao ha assim tantos plagios , a historia geral e muito boa.O brisingr é um bom livro de fantasia sem duvida.)Li Narnia XD e harry potter(alguns)
Começarei a ler em breve GRRM,estou super ansiosa.
mariana a 3 de Setembro de 2010 às 21:13

fiz um pequeno fan- made trailer se alguém quiser ver ,aqui está, e comentem!

http://www.youtube.com/watch?v=PbH8pqkNmB4
mariana a 3 de Setembro de 2010 às 21:22

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