Bem, neste tempo de aulas o tempo para escrever no blog é pouco, mas por outro lado são mais as situações "diferentes" que vivo e de todos os tipos. Entre elas contam-se "aquelas" conversas que de vez em quanto se ouvem vindos dum banco perto do nosso. Não é coscuvilhar, mas simplesmente não posso tapar os ouvidos e ir a dormir.
Estava eu a vir para casa no autocarro quando, antes de mais, reparei que uma rapariga (que se encontrava num banco à minha frente, na outra fila) trazia no colo um livro. Prestando mais atenção vi o nome do autor e parte do título, que reconheci como sendo o livro 11 Minutos de Paulo Coelho. Primeiramente fiquei contente (contente não é sinónimo de feliz, neste caso) por ver alguém com um gosto tão grande pela leitura que até trás os livros para o autocarro, mas depois ocorreu-me a ideia que talvez ela não fosse uma apreciadora da leitura, mas sim alguém que gosta de dar nas vistas como... intelectual. Ela não estava a ler o livro e não era a primeira pessoa que via a passear os livros (literários), fazendo-se passar por leitora, só para dar nas vistas.
Isto serve só para dizer que não é por andar com livros na mão ou os esfolhear de vez enquanto (sim, pois conheço pessoas que esfolheiam um livro numa hora e dizem que o leram todo, isto sem exagero) que somos leitores e apreciadores de obras literárias, até porque a leitura deve ser um acto de prazer e não um critério social.
Mas não são só coisas más (se é que isto é mau) que se vêem, e ouvem, no autocarros. Na mesma viagem vinham dois jovem mais velhos do que eu a ter uma conversa que, quando comecei a ouvir, não mais consegui parar e só me apetecia participar também.
Estavam, muito seriamente, mas duma forma informal obviamente, a debater o racismo religioso. Conversa atrás de conversa, e depois de terem defendido muçulmanos, budistas e outros tantos, um dos intervenientes citou O Código da Vinci. Depois de contar os traços gerais da história ao companheiro de viagem, que não leu o livro (duma forma tão "boa" que até a mim surpreendeu), começou a falar das influências que este livro tem sobre quem o leu. Foi sem dúvida uma conversa interessantíssima (apesar de eu só estar a ouvir), e serviu para me provar que existem pessoas com as quais diariamente me cruzo, que são óptimos leitores e pessoas com as quais é possível sobre literatura, esse "bicho-papão" para tanta gente.
Aproveitem o feriado e estejam mais atentos ao que se passa à vossa volta.
Até breve e Boas leituras!!!
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