Julho 08 2007
A Organização para a Ciência, Educação e Cultura das Nações Unidas, ou seja, a UNESCO, desvaloriza a votação das novas sete maravilhas do mundo. A minha opinião não tem grande impacto, mas a verdade é que também não vejo com bons olhos esta eleição. Da maneira que foi feita, daqui a um ano podemos fazer o mesmo, já que à cerimónia mão faltou o brilho... mas faltou a seriedade e o carácter oficial. Pelo menos foi uma forma de marcar a multiplicidade do 7 e de promover (o turismo em) Portugal.
O que também está cheio de maravilhas é a série de livros As Crónicas de Nárnia, de C. S. Lewis. Pelo menos acho que é assim que se classifica o que encontrei em O Príncipe Caspian, o quarto volume da série. Os conceitos podem ser algo do fantástico, enquadrados num mundo maravilhoso, mas a obra... essa bem longe disso.
Lido em duas noites, este livro foi uma grande surpresa... negativa! Depois de duas páginas fechei o livro, quase horrorizado com a infantilidade da história, os conceitos do estranho mundo, as falas e reacções das personagens, enfim, com tudo! Mas não desisti, pois um clássico do fantástico tem de ter algum valor! E deve ter, desde que o avaliemos tendo em atenção que é um livro para crianças e escrito unicamente para elas.
Ultrapassada a adaptação, lá fui lendo a história, tentando apreciar cada ténue, muito ténue momento. Sendo uma obra para crianças não existem excepcionais enredos, frases eloquentes, nem mensagens profundas, no entanto, os atributos da obra devem-se precisamente à simplicidade da escrita, aliada à grande originalidade e imaginação.
Esta obra centra-se na luta entre os tradicionais “bons” e “maus”, sendo os primeiros constituídos pelos seres falantes da Nárnia Antiga, liderados pelo Príncipe Caspian, e os outros pelo malvado exército do rei traidor. Para acabar duma vez por todas com uma batalha sem resultados, Caspian toca a tromba da antiga rainha Susan que supostamente trará ajuda... e ela vem, sendo justamente os antigos reis de Nárnia (os heróis do segundo volume) e Aslan, a metáfora (que nem o chega a ser, de tão directa e real) de Deus.
No final, Deus... desculpem, Aslan salva os justos e condena os pecadores, trazendo a felicidade aos de bom coração e levando os que não se submetem à sua vontade para fora de Nárnia (mais precisamente para o nosso mundo).
Cada um tem os seus gostos e esta obra não se enquadra nos meus, mesmo tendo em atenção a faixa etária a que se dedica. Exactamente por ter em atenção a faixa etária surpreendi-me com alguns momentos, como mortes grátis e traições familiares, e examinando algumas partes brilhantes da obra, cheguei-me a perguntar como é que isto é um clássico. Bem, pelo menos originalidade deve ter, sabendo que a obra foi escrita há mais de 50 anos...
Estou tentado a não ler mais nenhuma obra da série, mas aquela pequeníssima parte de mim que deslumbrou algum interesse nela ainda quer “tirar as teimas” e ler pelo menos mais um. Mais uma vez digo que isto é apenas e só a minha opinião, e a verdade é que estes heróis, Caspian e os seus animais falantes não me convenceram.

O Príncipe Caspian de C. S. Lewis

Boa semana e Boas Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 23:16

Julho 05 2007
Acabo de ler um artigo do Diário de Noticias, no site da Editorial Presença, intitulado “A Longa Viagem Da Literatura Fantástica Em Portugal” que trata o tema homónimo. Entre muitas outras coisas, o artigo refere que a edição e leitura deste género está a aumentar em Portugal e no mundo, mas que existe também a possibilidade desta quantidade ser inimiga da qualidade. Tal como alguém lá diz, cabe ao leitor decidir o que ler, mas não deixa de interessante observar o crescimento deste género, muitas vezes marginalizado, duma forma quase desenfreada.
Uma das escritoras que lá opina é Sandra Carvalho, autora da Saga das Pedras Mágicas, uma das séries portuguesas de maior sucesso, dentro do género. Como é sabido a saga conta já com 3 livros publicados, dum total não confirmado de seis. Depois de ter lido os dois primeiros e me ter encantado com a história o terceiro livro era obrigatório.
“Estranho” foi o primeiro adjectivo que atribuí ao livro, já que a narrativa parecia não encaixar com a dos anteriores e muito do que era descrito parecia fazer parte de qualquer outra história, excepto esta. Talvez pela mudança de protagonista (e pelo facto da anterior ser destituída dum lugar com real importância) senti que me encontrava a ler outra história, e no final acho que o melhor a fazer é mesmo isso: ler este livro como se não fosse a continuação dos anteriores.
O início também foi marcado pela confusão, já que os nomes eram tantos que distinguir personagens se tornava uma tarefa complicada. E uma diferença desta obra reside precisamente na quantidade de personagens e na forma como são abordadas. Ao invés de acompanharmos uma Catelyn independente, centro da história, acompanhamos uma Edwina quase pública numa história que não vive sem as suas irmãs, primos e tios.
Fui também dominado, num primeiro momento, pela surpresa (inclinada para o horror) quando vejo elfos, sereias e demónios entrarem nesta história sem baterem à porta. Numa história com aliados, viquingues e vândalos, era necessário incluir estas criaturas e assim arruinar os pilares originais da saga? Pelos vistos sim, já que foram fundamentais e eu até gostei bastante de algumas das suas partes, mas este é um dos factores que marca a separação entre a primeira e a segunda geração da história e que vem também provar que esta não tem de ser encarada como negativa.
Apesar de tudo isto, acompanhar Edwina foi um prazer. Tal como a mãe, esta precisa treinar e reunir forças para cumprir a sua missão na luta contra o mal, derrubando o inimigo e salvando o mundo. Sempre movida por sentimentos (como manda a moral da saga) Edwina vai ultrapassando os obstáculos até se tornar a Guardiã da Lágrima do Sol, a Rainha do Sol. Tal como ela, Edwin revela-nos a força da vontade e como apenas de nós dependem os nossos actos.
Lá para o final da história não pude deixar de chamar “burros!”, como respeito ao animal, quando as personagens caminham em direcção ao abismo com um sorriso no rosto. Aquele desejo de “se estivesse lá eu!” esteve em mim várias vezes, o que demonstra que realmente vivi a história.
Particularizando, fui arrebatado com as mortes e surpreendido por vários acontecimentos. Edwina não deixa ficar mal a mãe e é também dominada por sentimentos confusos, assim como as suas irmãs. O facto de nesta história acompanharmos várias personagens permitiu à autora debruçar-se sobre imensos temas que, nas sub histórias, puderam ser desenvolvidos e suscitar bastante protagonismo e interesse.
Em certos momentos esta história pareceu-me um pouco “forçada”, já que os acontecimentos não eram muito bem justificados, mas provavelmente é a minha avaliação enquanto fã que influencia esta crítica.
No final ficam várias questões no ar que só serão desvendadas no próximo volume. Inferior aos antecessores, algumas diferenças desta obra podem ter-me surpreendido negativamente, mas mesmo assim esta é uma obra a ter em atenção e que me proporcionou fantásticos momentos de leitura.

Lágrimas do Sol e da Lua de Sandra Carvalho

Boas Leituras!!!

Publicado por Fábio J. às 19:52

Julho 02 2007
Hoje debrucei-me sobre uma área que não está propriamente sob o meu domínio (será melhor dizer fora de controlo?): a pintura. Incrivelmente, não sabia o que fazer no início da tarde e lembrei-me que há muito queria voltar a pegar num pincel. E assim foi.
Depois de me instalar, com as tintas, pincéis e folhas, eis que me lembro: “Vou pintar o quê?”. Procurei então, nos recantos da minha mente, uma imagem a que quisesse dar corpo... e encontrei uma recente: as torres da Gente Bela a “nascerem” da sua floresta densa (Lágrimas do Sol e da Lua). Depois de duas horas desisti, cansado e insatisfeito, deixando metade do céu por pintar, numa paisagem que parecia ter sofrido a passagem dum ciclone. Enfim...
Quem foi, na verdade, mestre na arte de dar vida às palavras e o fez, durante a sua vida, duma forma singular e eterna, foi Sophia de Mello Breyner Andresen, filóloga, poeta, dramaturga, ensaísta, mestre do conto... Considerada “um dos maiores poetas portugueses contemporâneos”, Sophia morreu há precisamente 3 anos, com os seus 84. Uma data que não podia passar em branco, aqui no blog, sendo esta uma escritora que todos nós acompanhamos, pelo menos, na escola.
E seguindo agora o verdadeiro tema do post, proponho-me a debater o debate, a falar sobre o que se fala, ou melhor, do que pouco se fala. Nestes últimos tempos muito se tem dito sobre a iliteracia em Portugal, estando sempre por trás o apelo para uma maior leitura. Mas haverá assim tão pouca gente a ler, em Portugal? A resposta não é fácil... Nunca, em toda a nossa história, se leu tanto. Nunca, neste pais, se gerou tanto dinheiro com a literatura. E nunca, nos meios de comunicação social, se falou tanto e tão abertamente de literatura como hoje em dia. Onde reside, então, o problema?
____________________________________________
Falar de livros/literatura é-me:
 
4.7% aborrecido
8.23% trivial
78.82% interessante
8.23% raro

 

Total: 85 respostas

 

Boas semana e Boas conversas!!!

Publicado por Fábio J. às 22:58

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