Agosto 05 2008
Como descrever um livro que manipula e enlouquece, oferecendo ao leitor palavras claras mas portadoras de um doentio sentido de demência? Não importa. O mais provável é a demência e loucura já estarem cá, há muito tempo. O livro apenas as despertou.
A Trilogia de Nova Iorque, conhecida obra de Paul Auster, é composta por três narrativas: Cidade de Vidro, Fantasmas e O Quarto Fechado à Chave. As histórias são diferentes, os enredos são diferentes, e contudo há sempre algo ou alguém que as ligam, tornando-as complementares.
Cidade de Vidro é, dentre as três, a minha favorita. E digo favorita porque, por mais ligadas que as histórias possam estar, a minha opinião difere de acordo com a narrativa. Nesta primeira Quinn, um escritor solitário, troca a sua vida e transforma-se numa figura transtornada e louca. Muito bem construída, esta história tem o poder de transportar o próprio leitor para uma outra dimensão, despertando-o para o que realmente é, ou melhor, para quem realmente é.
Tal como a precedente, Fantasmas peca pelas situações óbvias, mas revelou-se igualmente insólita. Na verdade, diria que a similitude entre ambas as histórias chega a ser um aspecto negativo, mas nada que impeça o leitor de, mais uma vez, se embrenhar nos complexos labirintos psicológicos criados pelo leitor. Mais um vez o protagonista, um detective contratado para vigiar um homem a tempo inteiro, sofre uma metamorfose psicológica e social.
O Quarto Fechado foi a desilusão. O autor alterou o estilo e não gostei do resultado. Momentos houve em que a leitura não foi agradável, e espremendo a narrativa pouco fica. Por um lado é a história mais linear das três mas, ao contrário das anteriores, desperdiça muito em parágrafos desinteressantes e completamente inúteis. Nela, um jovem comentador é forçado a voltar ao passado, acabando por viver a vida de um velho amigo desaparecido.
No fundo, tudo se liga por ser alucinante e perturbador, resultado de um bem ministrado jogo de realidades, no qual vidas são exploradas e alteradas. São apenas causas e consequências. Nada passa de vontade e realidade.
Paul Auster revelou-se, assim, um autor de referência. De certa forma o livro perturbou-me e alterou-me; sou sua vítima, mas não me importo. É para isto que os livros servem e por isso valeu a pena.
A Trilogia de Nova Iorque de Paul Auster
Boas Leituras!

 

Publicado por Fábio J. às 22:51

Agosto 04 2008
Foi hoje oficialmente lançado Ar. Geoff Ryman, premiado escritor de ficção científica, volta assim às prateleiras nacionais com uma obra oportuna e perturbante sobre o poder cada vez maior das tecnologias de comunicação.
O livro, ficção científica e romance literário, expõe uma nova tecnologia de comunicação. Trata-se de Ar, um tipo de Internet por telepatia. Com ele, todos os cidadãos do mundo estarão em contacto uns com os outros, em qualquer lugar. Quer queiram, quer não.
Chung Mae é a única ligação entre os seus vizinhos e a cultura de um mundo mais abrangente, que vai para além dos campos de cultivo e das casas simples da sua aldeia. Uma nova tecnologia de comunicação, que promete colocar toda a gente em contacto, em qualquer lugar, sem precisar de linhas eléctricas, computadores ou máquinas, está a invadir o mundo. Esta tecnologia é o Ar. O teste inicial do Ar corre terrivelmente mal e algumas pessoas morrem devido ao choque. Imparável, o Ar chegará com ou sem a aceitação da aldeia de Mae. Ela é a única que sabe como o dominar e como preparar a população para a sua chegada. Mas será que lhe vão dar ouvidos? Ou será tarde demais?
O primeiro capítulo da obra pode ser lido no “blog promocional”, bem como outras informações. Este livro sobressai pelo tema, já que cada vez mais a tecnologia se torna biótica e a vida, sobre tudo o Homem, cada vez mais tecnológico. A relação torna-se mais íntima. Para além disso, não seria a primeira vez que a ficção científica se tornava realidade...
Ar de Geoff Ryman
Boas leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:21

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