Setembro 09 2009
Pablo Neruda é considerado um dos mais importantes poetas do século XX, tendo sido distinguido com o Prémio Nobel da Literatura em 1971. Este homem é uma das personagens da mais reconhecida obra de Antonio Skármeta: O Carteiro de Pablo Neruda.
A pequena novela passa-se na Ilha Negra, no Chile, onde o poeta chileno vive e escreve. Os outros moradores do pequeno território são, na sua maioria, pescadores. Mas o jovem Mario quer outra forma de subsistência para si, e acaba por tornar-se no carteiro da Ilha, na qual apenas Neruda recebe correspondência. E assim, começa uma relação singular entre estes dois homens, a qual se desenvolve quando Mario pede conselhos ao poeta para conquistar a jovem por quem se apaixonou.
A história é bastante curta e lê-se num só trago. Skármeta apresenta uma escrita cativante e cuidada, por vez quase poética devido aos estilismos utilizados, embora seja simples. Essa escrita, e a própria evolução da narrativa, adequa-se aos momentos apresentados, sejam eles simples evolução do enredo, episódios de introspecção ou acontecimentos históricos.
Gostava de ter podido aprofundar alguns tópicos da obra, tais como a amizade entre Mario e Neruda, cujos diálogos fazem esta obra valer a pena, e o contexto histórico de toda a narrativa, o qual esclarece muito pouco acerca do regime político chileno da época e acerca do envolvimento do próprio Neruda na política do país. Penso que será correcto afirmar que, neste ponto, a obra se debruça quase exclusivamente na influência que o poeta e a simbologia do poeta têm no carteiro.
Mario torna-se num misto de fã e adorador de Pablo Neruda, manifestando uma espécie de admiração e respeito de homem humilde perante um eremita intelectual. Foi interessante assistir à (breve) evolução desta relação despreocupada e ao modo como a poesia, e em especial a metáfora, a influenciaram.
Em suma, é uma leitura rápida e agradável. Há pouca contextualização a aprofundamento dos acontecimentos, por isso é difícil ser arrebatado pela obra. Mesmo assim, o autor soube como cativar, e cada página é lida com prazer, já na ânsia da próxima.
Para ler numa tarde livre de fim-de-semana.
O Carteiro de Pablo Neruda de Antonio Skármeta
José Colaço Barreiros, Editorial Teoriema (ediçao Biblioteca Sábado, 2008)
Links: Página oficial de Skámeta
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 23:29

Setembro 02 2009
As minhas últimas noites de Agosto foram de terror. Estremeci, sustive a respiração, espreitei a sombra entre as cortinas. Tudo graças ao livro A Luz, de Stephen King. Este romance de terror foi originalmente publicado em 1977 e consolidou a posição do autor como escritor do género. Como apreciador de literatura fantástica, não pude deixar de ler.
Jack Torrance, a sua esposa Wendy e o filho de ambos, Danny, dão vida a esta obra. Nas primeiras páginas, o autor dá-nos a conhecer a história e os problemas desta família americana, e fá-lo como só um bom romancista sabe fazer. Desde logo me senti embrenhado na complexidade das personagens e cativado pelo estilo peculiar da narração.
Jack vive atormentado pelo seu passado, e o seu temperamento ameaça a estabilidade familiar. Desempregado e sem expectativas, aceita trabalhar como zelador de Inverno do Overlook, um grande hotel nas montanhas do Colorado, isolado pela neve entre Novembro e Março. Parece-lhe a derradeira oportunidade para reconquistar a família e retomar o seu trabalho de escritor. Porém, o hotel tem um passado sombrio. Um passado que, lentamente, se torna presente e ameaça absorver as vidas daquela família.
Trata-se de um romance denso, com personagens cuidadosamente construídas e um enredo coerente. O narrador é muito descritivo, permitindo a quase visualização dos espaços e a comunhão com as personagens, nomeadamente, com os seus medos. É verdade que, inicialmente, a descrição demarca a diferença com a habitual literatura fantástica e torna a leitura mais lenta, por ser tão completa e exaustiva. Talvez devido ao próprio tema da obra, ou seja, e dizendo muito sumariamente, a vida para além da morte, é dada muita atenção à introspecção e mente humana. É provável que assim tenha de ser, pois só com uma descrição pormenorizada e uma compreensão alargada da história e carácter das personagens é possível sentir o terror.
Os elementos surreais estão bem inseridos na evolução da obra. No entanto, nem sempre se mostraram da forma mais credível. Apesar disso, a ter em conta o meu caso, diria que a trama foi muito bem tecida pois, verdade seja dita, senti medo. Sirvo-me, também, da diferença semântica entre horror e terror para tentar explicar como esta obra me tocou, já que o dramatismo dos acontecimentos chocava mais do que assustava, tal era a brutalidade dos episódios.
Não se trata de terror do início ao fim, e a fantasia é contida, estando ajustada àquilo que são as crenças ou ideias reais acerca de espíritos. Diria que o romance está bem temperado. No entanto, o clímax é arrebatador e, porque não, assustador.
Assim sendo, é uma obra para todo e qualquer leitor. Eu gostei imenso pois, afinal, não fiquei indiferente à história. Fica a recomendação e a vontade de reler o autor.
 
A Luz de Stephen King
Regina Estêvão, Doubleday (edição Biblioteca Sábado, 2009)
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:35

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