Hoje debrucei-me sobre uma área que não está propriamente sob o meu domínio (será melhor dizer fora de controlo?): a pintura. Incrivelmente, não sabia o que fazer no início da tarde e lembrei-me que há muito queria voltar a pegar num pincel. E assim foi.
Depois de me instalar, com as tintas, pincéis e folhas, eis que me lembro: “Vou pintar o quê?”. Procurei então, nos recantos da minha mente, uma imagem a que quisesse dar corpo... e encontrei uma recente: as torres da Gente Bela a “nascerem” da sua floresta densa (Lágrimas do Sol e da Lua). Depois de duas horas desisti, cansado e insatisfeito, deixando metade do céu por pintar, numa paisagem que parecia ter sofrido a passagem dum ciclone. Enfim...
Quem foi, na verdade, mestre na arte de dar vida às palavras e o fez, durante a sua vida, duma forma singular e eterna, foi Sophia de Mello Breyner Andresen, filóloga, poeta, dramaturga, ensaísta, mestre do conto... Considerada “um dos maiores poetas portugueses contemporâneos”, Sophia morreu há precisamente 3 anos, com os seus 84. Uma data que não podia passar em branco, aqui no blog, sendo esta uma escritora que todos nós acompanhamos, pelo menos, na escola.
E seguindo agora o verdadeiro tema do post, proponho-me a debater o debate, a falar sobre o que se fala, ou melhor, do que pouco se fala. Nestes últimos tempos muito se tem dito sobre a iliteracia em Portugal, estando sempre por trás o apelo para uma maior leitura. Mas haverá assim tão pouca gente a ler, em Portugal? A resposta não é fácil... Nunca, em toda a nossa história, se leu tanto. Nunca, neste pais, se gerou tanto dinheiro com a literatura. E nunca, nos meios de comunicação social, se falou tanto e tão abertamente de literatura como hoje em dia. Onde reside, então, o problema?
Por incrível que pareça, existe um certo temor, por parte de muita gente, de falar sobre um livro ou literatura em geral. Isto acontece por razões naturais e óbvias: se eu não estou a par dum tema, seja ele qual for, não me vou sentir à vontade numa conversa sobre ele. Contudo, mais do que inocente desconhecimento existe também uma ignorância cega que julga e maltrata a literatura, e penso ser esta ignorância o mal a combater, de forma a tornar possível a total liberdade da literatura, passando esta a ser encarada como qualquer outro entretenimento ou arte, encarada como realmente é.
E será ela aborrecida? Bem, cada livro é um livro, e tal como obras arrebatadoras e repletas de acção também existem obras enfadonhas. Mas penso que o interesse no “falar de literatura” se deve mais ao contexto, já que quanto mais dentro do assunto estiver o individuo, mais fluentemente poderá partilhar opiniões e assim tornar uma conversa literária interessante.
Se isto acontecer, haverá, então, uma certa trivialidade em conversas deste género, já que não existirá qualquer tipo de “tabu” entre os intervenientes e estes tratarão a literatura como uma parte normal da sua vida.
Da trivialidade pode surgir um interesse neste tipo de conversas. E quão bem sabe partilhar opiniões, debater as dúvidas e as apostas sobre determinada personagem, certo acontecimento... pode tornar-te viciante, até! A ânsia de descobrir mais e mais torna este mundo fantástico e amado por tanto.
Não estou a querer desenvolver nenhuma teoria da conspiração, em que muitos estão contra a literatura, longe disso! Defendo apenas que a literatura deve perder os adjectivos “complicada” e “maçuda”, tendo para isso de haver uma maior consciencialização sobre o que realmente esta é.
Bem, este post foi um pouco para o discursivo, peço desculpa... Uma das funções deste blog é tentar tornar a literatura algo simples e interessante. Espero que, de alguma forma, ajude.
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| Falar de livros/literatura é-me: |
| 4.7% | aborrecido | |
| 8.23% | trivial | |
| 78.82% | interessante | |
| 8.23% | raro |
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| Total: 85 respostas |
Boas semana e Boas conversas!!!
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