A Organização para a Ciência, Educação e Cultura das Nações Unidas, ou seja, a UNESCO, desvaloriza a votação das novas sete maravilhas do mundo. A minha opinião não tem grande impacto, mas a verdade é que também não vejo com bons olhos esta eleição. Da maneira que foi feita, daqui a um ano podemos fazer o mesmo, já que à cerimónia mão faltou o brilho... mas faltou a seriedade e o carácter oficial. Pelo menos foi uma forma de marcar a multiplicidade do 7 e de promover (o turismo em) Portugal.
O que também está cheio de maravilhas é a série de livros As Crónicas de Nárnia, de C. S. Lewis. Pelo menos acho que é assim que se classifica o que encontrei em O Príncipe Caspian, o quarto volume da série. Os conceitos podem ser algo do fantástico, enquadrados num mundo maravilhoso, mas a obra... essa bem longe disso.
Lido em duas noites, este livro foi uma grande surpresa... negativa! Depois de duas páginas fechei o livro, quase horrorizado com a infantilidade da história, os conceitos do estranho mundo, as falas e reacções das personagens, enfim, com tudo! Mas não desisti, pois um clássico do fantástico tem de ter algum valor! E deve ter, desde que o avaliemos tendo em atenção que é um livro para crianças e escrito unicamente para elas.
Ultrapassada a adaptação, lá fui lendo a história, tentando apreciar cada ténue, muito ténue momento. Sendo uma obra para crianças não existem excepcionais enredos, frases eloquentes, nem mensagens profundas, no entanto, os atributos da obra devem-se precisamente à simplicidade da escrita, aliada à grande originalidade e imaginação.
Esta obra centra-se na luta entre os tradicionais “bons” e “maus”, sendo os primeiros constituídos pelos seres falantes da Nárnia Antiga, liderados pelo Príncipe Caspian, e os outros pelo malvado exército do rei traidor. Para acabar duma vez por todas com uma batalha sem resultados, Caspian toca a tromba da antiga rainha Susan que supostamente trará ajuda... e ela vem, sendo justamente os antigos reis de Nárnia (os heróis do segundo volume) e Aslan, a metáfora (que nem o chega a ser, de tão directa e real) de Deus.
No final, Deus... desculpem, Aslan salva os justos e condena os pecadores, trazendo a felicidade aos de bom coração e levando os que não se submetem à sua vontade para fora de Nárnia (mais precisamente para o nosso mundo).
Cada um tem os seus gostos e esta obra não se enquadra nos meus, mesmo tendo em atenção a faixa etária a que se dedica. Exactamente por ter em atenção a faixa etária surpreendi-me com alguns momentos, como mortes grátis e traições familiares, e examinando algumas partes brilhantes da obra, cheguei-me a perguntar como é que isto é um clássico. Bem, pelo menos originalidade deve ter, sabendo que a obra foi escrita há mais de 50 anos...
Estou tentado a não ler mais nenhuma obra da série, mas aquela pequeníssima parte de mim que deslumbrou algum interesse nela ainda quer “tirar as teimas” e ler pelo menos mais um. Mais uma vez digo que isto é apenas e só a minha opinião, e a verdade é que estes heróis, Caspian e os seus animais falantes não me convenceram.

O Príncipe Caspian de C. S. Lewis


Boa semana e Boas Leituras!!!