A propósito da questão que este mês coloquei aqui no blog, achei por bem dar uma vista de olhos pelos tops de vendas de algumas livrarias virtuais portuguesas. Visitei o site da Bertrand, Bulhosa, Fnac e Webboom. Em cada uma delas é possível encontrar uma lista com os dez livros mais vendidos da semana. Os resultados variam de acordo com o vendedor, mas o que quero salientar é a nacionalidade dos autores: na Bertrand e na Bulhosa quatro dos dez livros da lista são assinados por autores portugueses, sendo que em cada uma das outras duas listas apenas constam três autores nacionais.
Estes dados não me chocam, na verdade até os acho normais. Não é novidade para ninguém que o mercado editorial português é bastante dependente de obras estrangeiras e que entre estas estão algumas daquelas que serão best-seller no nosso país, arrebatando fãs e merecendo a atenção da crítica. Mas serão estes dados o reflexo duma preferência natural e espontânea, por pura casualidade, ou existirá na sociedade lusa uma tendência racional para preferir autores estrangeiros?
Se considerarmos os visitantes deste blog uma amostra fidedigna da nossa sociedade, então não há margem para dúvidas: os leitores portugueses preferem ler autores oriundos de outros países.
Não me é possível saber, e por isso divulgar, as razões das respostas dadas, mas independentemente delas os dados parecem-me realmente merecedores de atenção. Perto de um quarto dos votantes afirmam interessarem-se mais por autores estrangeiros duma forma muito convicta. Para estes que indicam a preferência como uma obrigatoriedade, talvez apenas exista criatividade, qualidade e dinâmica nas obras estrangeiras. Ou isso, ou não existe qualquer tipo de confiança do que se faz em Portugal, havendo até, quiçá, um preconceito.
Há, no entanto, aqueles que diria terem esta preferência por casualidade, ou então porque, no nosso mercado tão virado para o que vem de fora, o destaque dado aos autores estrangeiros ensombra os autores nacionais e as suas obras. Seja como for, não deixa de ser pouco animador verificar que o interesse de muitos leitores não passa pelas obras dos seus compatriotas.
Para além disto, daqueles que deram uma resposta negativa à questão, não é possível saber quais os que, apesar dos interesses em abstracto, realmente dão mais importância aos autores nacionais e lêem as suas obras.
Em suma, diria que me parece necessário mudar mentalidades. Sou acérrimo defensor de que opiniões não se discutem mas creio que não devemos ser extremistas e nos confinarmos a ideias demasiado sólidas. Sem dúvida que, à partida, para ser editada em Portugal uma obra tem de ter sucesso no seu país e/ou internacionalmente, mas lá porque as portuguesas não passam por essa selecção não há razão para afirmar que nelas não existe qualidade e interesse. Há livros nacionais maus, sem dúvida que sim, mas não os haverão também entre aqueles que nos chegam de outros países?
Fico à espera de opiniões.
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Interesso-me mais por escritores estrangeiros.
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| 26.31% |
Obrigatoriamente. |
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| 39.47% |
No fundo, sim. |
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| 34.21% |
Não. |
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