A partir de hoje, e até ao próximo ano, estou de férias. Há muito esperava a liberdade e a tranquilidade que só as férias proporcionam mas, apesar de satisfeito com isso, não me sinto contente. Reflectindo sobre estes últimos três meses, percebo que muito do esforço e empenho foram inúteis e que nem todos os objectivos foram concretizados... enfim, o suficiente para me deixar melancólico.
Mas isto não passa dum devaneio! Há que aproveitar a época, isso sim. Agora que volto a ter tempo, poderei expor a minha opinião obre alguns livros ou notícias que, nos últimos tempos, me têm chamado a atenção.
Pois bem, de entre as notícias tenho de começar por duas que se destacam pelos grandes números. Abriu hoje ao público aquela que é tida como a maior livraria do país, com uma tecnologia de acesso aos livros única no mundo. Refiro-me, pois claro, à Byblos.
Contando com a presença da Ministra da Cultura, a livraria foi inaugurada ontem à noite, em Lisboa, e tem sido tema de várias notícias na imprensa e em blogs. Esta megalivraria, como já foi apelidada, disponibiliza tudo o que as editoras tiverem editado no mercado português, começando no primeiro dia com uma oferta da ordem dos 80 mil títulos, pretendendo disponibilizar o dobro nos próximos tempos. Para além das novidades e dos best-sellers, a livraria pretende demarcar-se das concorrentes dando também destaque aos títulos de fundo editorial.
Nos cerca de 3300 metros quadrados repartidos pelos dois pisos, a Byblos conta também com CD’s, DVD’s e jogos de computador, uma cafetaria, um auditório, uma sala de exposições e uma área de venda de revistas e jornais. Para além disto, haverá mais de 50 ecrãs digitais nos quais os clientes podem localizar qualquer um dos milhares de livros da livraria e 12 postos de atendimento espalhados por esta.
Américo Areal, antigo editor chefe das Edições Asa, é o responsável por este novo conceito de livraria. Fruto dum investimento de cerca de 4 milhões de euros, a Byblos deverá facturar cerca de 10 milhões de euros por ano e, não satisfeitos com a criação, os responsáveis falam já na abertura duma nova Byblos, ainda maior, desta vez no Porto.
“Sempre imaginei que o paraíso fosse uma espécie de livraria” é o que se lê numa das paredes e realmente acredito que para os apreciadores da literatura e das leituras este espaço seja algo incrível, talvez um pouco perigoso para quem tiver dinheiro ou o cartão de crédito à mão, mas incrível.
Também ontem, mas não em Portugal e sim na Inglaterra, foi leiloado um dos sete exemplares do tão cobiçado Tales of Beedle the Bard, um livro escrito e ilustrado à mão por J. K. Rowling, autora da saga Harry Potter. A leiloeira esperava arrecadar cerca de 70 mil euros pelo exemplar mas este acabou por ser vendido por 2,7 milhões de euros, comprado por uma empresa de negociantes de arte daquele país (que, afinal, e pelo que vi agora mesmo, é a Amazon.com). O valor angariado reverte para a fundação criada pela autora, a Children`s Voice, que ajuda crianças carenciadas de toda a Europa. E ainda dizem que a arte e cultura não têm preço... têm, o problema é ser tão alto.
Tenho escrito várias vezes, aqui no blog, que o mercado editorial português é pouco desenvolvido e que o lucro é pouco. Depois de ver exemplos como a Byblos acho que preciso repensar esta ideia.
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