Junho 25 2008
Dediquei estes últimos dias ao descanso completo e à alienação social. Precisava. Aumentei, por isso e para isso, o tempo de leitura... e que bem que soube.
Acabei hoje de ler O Fiel Jardineiro, romance absorvente e majestoso, portador duma carga emotiva e humana simples, bela e, apetece-me escrever, assustadora. Ilógico? Talvez. Talvez porque neste livro diferentes realidades caminhem lado a lado, ombro a ombro, nenhuma mais real do que a outra: egoísmo e fidelidade.
Neste livro John le Carré, autor britânico que há muito queria experimentar, apresenta ao leitor Justin Quayle, um funcionário da Alta Comissão Britânica no Quénia. A acção começa com o misterioso assassínio de Tessa, sua esposa, e o desaparecimento de Bluhm, amigo desta. Insatisfeito com as investigações oficiais, corruptas e tendenciosas, Justin decide esclarecer ele próprio em que circunstâncias a sua esposa foi morta e quem teria razões para se querer ver livre dela e do seu amigo, activistas de organizações humanitárias.
Cedo Justin se apercebe que entrar no universo profissional de Tessa, até então desconhecido, seria travar as mesmas batalhas que esta travou e correr os mesmos riscos que esta correu. Movido pela fidelidade e querendo descobrir quem realmente era Tessa Justin não se deixa intimidar. Durante as suas pesquisas vai descobrindo os fios de uma trama internacional de corrupção, na qual a poderosa industria farmacêutica tece um perigoso novelo de interesses e estratégias.
Embora a narrativa seja sempre aprazível e cativante, inicialmente a história desenrola-se duma forma um tanto ou quanto lenta. No entanto, mesmo nestes momentos, é difícil parar de ler, já que o surrealismo dá brilho há obra, dá-lhe dinamismo. Mais à frente, é a emoção de uma boa conspiração e de uma luta desesperada pela descoberta e justiça que fortalece a narrativa e nos tira o ar dos pulmões.
Acima de tudo é uma obra muito, muito bem escrita, muito credível e perturbadora. A relação Justin-Tessa é-me pessoalmente marcante; admirável diria. As personagens e organizações são assustadoramente reais. O fim é... o fim é soberbo.
Da leitura fica o meu medo face ao Homem e à sua falta de valores. E a vontade; a vontade de conhecer, agir e gritar.
Muito recomendável.
O Fiel Jardineiro de John le Carré
Até Breve!

 

Publicado por Fábio J. às 23:09

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