Agosto 25 2008
Acabei-o há já alguns dias, no entanto, o enredo do Memorial do Convento ainda me está bem presente. O título da obra e o reconhecimento do autor constituíram duas premissas que em nada me ajudaram a antever o que me esperava nesta leitura. Para memorial fala-lhe o formalismo. Vindo de um Prémio Nobel imaginava um estilo mais cerimonioso. Meras ilusões de leitor desprevenido: José Saramago surpreende e fascina.
A versão inglesa desta obra tem por título Baltasar and Blimunda, de certa forma um título mais justo pois são Baltasar, um ex-soldado maneta, e Blimunda, a sua mulher, dotada do poder de ver o interior das coisas, que dão vida a esta história. Não se esqueça o padre Bartolomeu Lourenço de Gusmão, cientista e pensador, nem o rei D. João V e os seus homens em Mafra. Não se esqueça o convento e o sonho de voar. Não se esqueça...
A história passa-se no século XVIII, e em Portugal espera-se o herdeiro da coroa. Demora-se este, promete então o rei fazer levantar um convento em Mafra, tarefa morosa e complicada. O padre Bartolomeu maravilhou a corte ao fazer balões subirem no céu, mas ambiciona mais: o próprio homem subirá. Baltasar regressou da guerra e conhece Blimunda quando esta, durante o auto-de-fé que condena a sua mãe, lhe pergunta Que nome é o seu. Ficam lidados para a vida.
Nesta obra acompanhamos o esforço do padre, do maneta e da visionária, unidos na tentativa de fazer voar a passarola, um rudimentar veículo voador que dentro de esferas de âmbar encerra as vontades de todos aqueles que as deixaram escapar. Legitimando o título, seguimos também as peripécias na construção do convento e alguma da exuberância da corte portuguesa.
Achei a narrativa épica, e o estilo de Saramago simplesmente excepcional. Muitos leram a obra, e alguns se incomodaram com o estilo do autor, entenda-se a pontuação invulgar. Contudo, depois de algumas páginas, se incómodo havia depressa se desvaneceu, dando lugar a uma leitura bastante mais completa e real. Murmurei enquanto li, e assim mais intensamente senti a ironia, o humor, a consciência e todos os outros atributos desta obra.
Muito sinceramente, achei o livro uma criação completa. Não é perfeita pois, a meu ver, certos trechos há que pouco ou nada acrescentam à história. Ainda assim, adorei ler esta obra fantástica, em vários sentidos, e pretendo continuar a ler este autor português.
Memorial do Convento de José Saramago
Links: Fundação José Saramago
Muito recomendado!
Publicado por Fábio J. às 23:22

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