Dezembro 29 2009
Demorei semanas a ler meio livro, e um dia a ler o que restava. O dia-a-dia é mesmo assim, uma constante disputa com o Tempo. Poder-se-á pensar que tal dispersão no tempo melindrou a leitura. Parece-me, no entanto, que a boa estruturação da obra limitou as perdas. Refiro-me, claro, a A Melodia dos Adeus, o mais recente romance de Nicholas Sparks.
A protagonista desta história é Ronnie, uma jovem nova-iorquina de dezassete anos revoltada com o mundo, e em especial com os pais. Desde que estes se separaram, a adolescente vive transtornada com a autoridade da mãe e recusa-se a falar com o pai. Porém, naquele Verão, ela e o seu irmão mais novo são levados a passar o Verão com o pai, numa pequena cidade costeira na Carolina do Norte.
Ronnie rejeita a aproximação paterna, e afasta-se de casa. Arranja problemas, mas graças a eles começa a ver no pai a figura que faltava na sua vida desgovernada. Encontra também o amor, sentimento que a transforma, ora graças ao crescimento emocional que lhe proporciona, ora devido aos abalos que lhe causa.
Esta é, claramente, uma história de amor. Mais, é uma história romântica. O autor é conhecido pelas suas cativantes tramas amorosas, portanto outra coisa não seria de esperar. Contudo, a verdade é que é difícil não sentir a empatia pelo casal. Este é como queremos que seja, tal e qual como deveria ser e, talvez por isso, tão apaixonante.
Há, porém, outra espécie de amor que caracteriza esta obra, um amor, a meu ver, mais autêntico, mais forte e mais necessário: o amor entre a família. A relação entre Ronnie e o seu pai apresenta uma evolução encantadora. Embora, sobretudo a partir do meio da história, esta relação seja marcada por clichés, a verdade é que estes são muitíssimo bem estruturados pelo autor. Se o leitor se entregar incondicionalmente à narrativa (como sempre deveria ser mas como, pelo que vejo, acontece cada vez menos), viverá uma experiencia avassaladora. As personagens são donas de personalidades credíveis e especiais, e a acção desenrola-se em torno de acontecimentos humanamente poderosos. É fácil cair aos pés das personagens e partilhar os seus sentimentos. Confesso que chorei, como já não chorava há anos, como nunca chorei a ler um livro.
Emoções pessoais à parte, A Melodia do Adeus é um livro bem escrito, com personagens muito humanas e um enredo linear mas muito sedutor. Tem um estilo específico, como é explícito; no entanto, diria que pode tocar todos os que estejam dispostos a se entregar ao fluir dos acontecimentos.
Se é literatura leve? Não, a mim não me pareceu nada leve, mas mais uma vez depende do que cada um espera do que lê. Eu fiquei convencido, e gostava de experimentar outra obra do autor.
Resta-me dizer que o livro foi já adaptado para cinema. A estreia está prevista para Abril do próximo ano.
A Melodia dos Adeus de Nicholas Sparks
Alice Rocha, Editorial Presença, 2009
Até Breve!
Publicado por Fábio J. às 23:58

A história é bastante previsível, e tem muitos clichés... No entanto, concordo que foge ao habitual, em comparação com outros autores pelo menos, na medida em que os aspectos negativos são compensados pelo "poder" da escrita.
Nesse aspecto é, como bem diz, um história bem construída.

Boas Leituras e um excelente 2010, repleto de desejos cumpridos!
Fábio J. a 30 de Dezembro de 2009 às 23:53

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