Maio 03 2008
Existem livros pelos quais nos apaixonamos logo nas primeiras páginas e outros que nos cativam com o desenvolver da acção, mas, desta vez, devo considerar também os que são incapazes de nos convencer. A Sangue Frio, de Truman Capote, revelou-se uma leitura frustrante, incapaz de corresponder ao meu conceito de obra-prima do século XX, designação esta que acompanha sinopses e críticas à obra.
Passado na segunda metade do século passado, no Kansas, EUA, este romance de não-ficção narra o homicídio de Herbert Clutter, da sua esposa Bonnie e dos filhos Nancy e Kenyon, uma típica família americana dos anos 50, bem como a trajectória dos assassinos, Perry Smith e Dick Hikcock.
Em momento algum a história consegue desenvolver um mínimo de suspense ou mistério. Contudo, este não me parecesse ter sido o objectivo do autor: escrito de uma forma bastante rígida e simples, o romance é claramente uma obra de cariz jornalístico, desligado de quaisquer pormenores estilísticos exagerados ou de subterfúgios sem interesse. No fundo, talvez isto constitua o ponto forte da obra.
Depois de uma breve apresentação da família e do contexto sócio-cultural em que se inseriam, assim como do seu assassínio, o autor centra-se nos procedimentos policiais constituintes da investigação criminal, bem como na reacção da pacata comunidade, então abalada pelo medo e pela desconfiança.
Numa segunda fase, a narrativa foca-se nos assassinos. A intenção talvez fosse levar o leitor a compreender a personalidade daqueles dois estranhos homens, traçando o seu perfil humano e frágil, mas considero que mesmo com alguma eloquência o autor manteve uma monotonia constante e cansativa.
A parte final é, então, completamente descontextualizada, notando-se, ao contrário do que acima referi, a apresentação de factos que nada têm a ver com a história.
A obra foi publicada em quatro partes na revista The New Yorker, em 1965, e talvez isso justifique algumas das opções feitas pelo autor. No fundo, esta não deixa de ser uma história interessante a nível jornalístico, mas com o passar das páginas percebemos o quão banal se torna.
Em resumo, o autor consegue prender a atenção do autor com alguns pormenores, apelando à sua curiosidade inata, e fazer um retrato interessante da condição humana, realçando a fragilidade física e psicológica de todos os homens. Por outro lado, a narrativa tem pouco brilho. Está bastante bem escrita, mas longe de proporcionar à obra a vivacidade necessária a um romance, seja ou não real.
 
 

A Sangue Frio de Truman Capote
Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 23:46

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