Março 21 2010
Toda a poesia é luminosa, até a mais obscura. O leitor é que tem às vezes, em lugar de sol, nevoeiro dentro de si. - Eugénio de Andrade
Hoje, 21 de Março, começa a Primavera, a estação do reflorescimento, de um novo início, do amor, dos poetas… Talvez por isso se assinale o Dia Mundial da Poesia, segundo a UNESCO.
Não vou fingir ser um assíduo leitor de poemas. Tenho os meus dias. Mas gosto, e pergunto-me se a poesia não é, justamente, um lugar seguro nos momentos perigosos; ou uma oportunidade para sentir pelas palavras dos poetas o que de outra forma se retém nas sombras do quotidiano.
Costuma-se dizer que somos um país de poetas, que na nossa língua existem poemas sem igual e, no entanto, os factos deixam transparecer uma realidade menos poética, se me é permitido o paradoxo.
Quantos volumes de poesia lemos no passado ano? Quantos poemas? A resposta não interessa, porque amanha tudo continuará igual. Ainda assim, vale a pena dedicar um pouco do nosso tempo à poesia, ouvindo-a, por exemplo, ou optando por ler um clássico, ou uma das novas vozes poéticas nacionais. O que não faltam são possibilidades.
A antologia Poemas Portugueses, recentemente publicado pela Porto Editora, reflecte a pluralidade das criações poéticas no nosso país. Contudo, de nada servem os títulos se não fizermos deles mais do que palavras. Por essa razão, fica aqui registada a vontade de, no próximo ano, escrever sobre os mais poemas que li, ao invés dos que poderia ter lido. A poesia merece-o.
Na lírica, cada verso é um fôlego dado na travessia dum oceano, oceano esse que contamina todo o ser e o transforma, levando-o para um lugar onde nem corpo nem mente são concretos e para onde as ondas das palavras chocam com a praia mais surreal, mais incrível ou mais terrível.
Dor e prazer, amor e ódio, luz e trevas. Cada estrofe é a montanha que segura o céu e nos tapa o horizonte, só para depois o vir mostrar, com espantosa perfeição.
Até Breve!
Publicado por Fábio J. às 19:34
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Abril 25 2008
Há 34 anos Portugal mudou.
O seu povo ganhou a liberdade e, graças a ela, aquilo que só a livre escolha e o livre pensamento possibilitam: a evolução social e económica e o enriquecimento cultural.
Sem as mesmas censuras, intimidações ou receios de uma política castradora, embora ainda não livres do autoritarismo, podemos agora conhecer e desfrutar daquilo que qualquer livro nos tem para oferecer.
E porque, afinal, a mente tema em esquecer o passado, deixo aqui a referência a alguns livros que puderam ajudam a relembrar como foi a mais romântica queda de uma ditadura, aquela que ficou conhecida como Revolução dos Cravos e que libertou pensamentos e palavras.
A Campo das Letras editou recentemente 25 Olhares de Abril, uma obra que conta com a visão de 25 autores portugueses que viveram esta data. Independentemente da visão que cada um tem, todos os autores deste livro se sentem unidos por um sentimento comum – o de que deixam o seu testemunho genuíno e autêntico sobre um acontecimento que mudou a vida de todos os portugueses.
Já dentro da especulação temos 25 de Abril - Mitos de uma Revolução de Maria Inácia Rezola. Esta obra propõe-se a apontar uma outra visão das motivações do grupo de jovens capitães que leva a cabo um golpe de Estado que, em menos de 24 horas, derruba uma ditadura que dominava Portugal há mais quatro décadas. Tratou-se de uma revolução em prol da liberdade? Houve ou não uma tentativa de golpe de Estado? Quais os seus autores?
Por sua vez, a Saída de Emergência sugere A Revolução dos Cravos de Sangue, de Gerard de Villiers, uma obra que pretende dar a conhecer o lado secreto do 25 de Abril de 74. Neste livro, estamos em Portugal, no rescaldo do 25 de Abril, e Lisboa é um tabuleiro de xadrez onde CIA e KGB jogam uma partida mortal. Uns tentam impedir que Portugal caia no comunismo, outros por em prática uma plano diabólico. É o próprio equilíbrio da Guerra-fria que está em jogo.
Por fim, Salazar – A Cadeira do Poder, de Manuel Poirier Braz, uma obra biográfica sobre Salazar, um dos homens mais marcantes e polémicos da recente História de Portugal, na qual podemos encontrar uma análise da sua vida e da forma como determinou o destino de um país durante quase meio século.
Só falta escolher e conhecer. Porque o mais importante é não esquecer o passado para melhor viver no futuro.

Publicado por Fábio J. às 23:11
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Abril 23 2008
Assinala-se hoje o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor. Esta pode parecer uma designação formal e com pouco significado mas, na realidade, encerra em si a valorização de um importante objecto das sociedades actuais: o livro.
Comemorado, desde 1996 e por decisão da UNESCO, a 23 de Abril, dia de São Jorge, esta data foi escolhida para honrar a velha tradição catalã segundo a qual, neste dia, os cavaleiros oferecem às suas damas uma rosa vermelha de São Jorge e recebem em troca um livro.
Para além disso, é prestada homenagem à obra de dois grandes escritores, Shakespeare e Cervantes, falecidos em 1616, exactamente a 23 de Abril.
A UNESCO continua, desta forma, a enaltecer a importância do livro, considerando-o “um instrumento único de cultura, educação, comunicação e divertimento”. O director-geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura, Koichiro Matsuura, afirmou ainda, na mensagem alusiva ao Dia Mundial do Livro e do Direito de Autor, que “o livro contribui para construir e manter o tecido educativo, cultural e económico das nossas sociedades, onde desempenha múltiplos e fundamentais papeis”.
Este ano, a UNESCO concedeu o título de Capital Mundial do Livro a Amsterdão, mas um pouco por todo o mundo desenvolveram-se várias iniciativas para assinalar este dia, quer em livrarias, quer em bibliotecas ou escolas. Destaque ainda para os descontos ou oferta de portes em várias livrarias virtuais portuguesas.
Para um leitor apaixonado, esta é uma data simbólica. Uma data que concretiza e defende a sua dependência face ao livro, porque afinal, quanto melhor se conhece a magia e poder que conserva, maior é a necessidade de o possuir e sentir. Por isso lemos e sentimos, por isso lemos e descobrimos mundos para além do mundo.
Como uma chave mestra que abre as portas dos corredores da fantasia, da descoberta, do pensamento e da reflexão, o livro é uma peça primeira no caminho da vida, capaz de libertar a mente e relaxar o corpo, capaz de libertar o leitor de um mundo real e apático, frívolo e finito, e de o levar a um nível superior e único.
Insubmisso, temerário, fiel. Assim é um livro. Assim é um leitor. Assim é aquele que ousa mergulhar no oceano das palavras e aprender com elas.
Viva o livro!

 
Publicado por Fábio J. às 22:43
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Abril 02 2008
Assinala-se hoje o dia Internacional do Livro Infantil.
Este dia, 2 de Abril, foi escolhido por ser o dia de nascimento dum dos maiores mentores da literatura infantil. Um dos maiores e melhores: o escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de, por exemplo, O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, entre centenas de outros emblemáticos contos.
Com mensagens simples e claras, os livros destinados às crianças são, muitas vezes apreciados também pelos mais velhos. É a magia das palavras e das personagens que nos leva a sonhar, relembrando-nos de que tudo é possível e do que é realmente importante na vida.
Porque desde cedo se criam hábitos e desenvolvem atitudes, é essencial incentivar os mais pequenos a ler. Afinal, eles serão os adultos de amanhã.

Boas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 23:04
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Março 21 2008
Começa hoje a estação dos poetas. Dos poetas e de todos os que sentem, vivem e experimentam, pois só quem sente vive e só quem vive experimenta a poesia.
Principia a Primavera, conceito irmão do renascimento e do amor, e talvez por isso a UNESCO tenha instituído, em 1999, este mesmo dia como o Dia Mundial da Poesia.
O ritmo das palavras convida à reflexão e leva à nostalgia, e por isso mesmo, neste dia, há que pegar num poema e bebê-lo, como quem experimenta a seiva de uma nova árvore.
Bebe-a...
Terra velha coberta de renovo...
Donde vem tanta seiva?
Cada ruga é uma leiva
Agasalhada.
O pânico despido
Foi vestido
Pela própria nudez inconformada.
 
 
Ventre da natureza, sem cansaço!
Que madraço
Poeta
O atraiçoa?
Génio amaldiçoado
Seja aquele que, feliz e repousado,
Fecha o leque das asas e não voa!
 Chão Verde, MIguel Torga
Boa Poesia...
Publicado por Fábio J. às 21:59
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Um blog sobre livros e afins. A descongelar lentamente...
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