Junho 22 2010

Definir cultura pode não ser uma tarefa fácil, e certamente todos o fazemos com palavras diferentes, de acordo com as perspectivas e habilidades de cada um. Mas há certas ópticas, no mínimo, discutíveis.

Ontem, os deputados Vicente Jorge Silva (PS) e Paulo Mota Pinto (PSD) participaram no Frente-a-Frente, do Jornal das 9, na SIC Notícias. Parte da discussão decorreu em torno da morte de José Saramago e da ausência do Presidente da República nas cerimónias fúnebres.

A certa altura, discutia-se a valorização da cultura pelo PR, e Mário Crespo interpelou o deputado social-democrata sobre o seu hipotético modo de agir, perante um “momento irrepetível [na cultura portuguesa] – é pouco provável que tenhamos um prémio Nobel da Literatura novamente”. A resposta deixou-me boquiaberto: “Há compromissos (…) Para já, [esse tipo de afirmações] partem de um conceito muito limitado de cultura: até parece que a economia e as finanças não são cultura também!”

Embora, no sentido mais abrangente possível, toda a acção humana possa ser vista como expressão “da cultura humana”, querer juntar a economia e as finanças, doentias como são em Portugal, às expressões culturais que lutam para se manterem à tona neste país à beira mar plantado é, no mínimo, acto censurável e idiota.

Já nos chegam os cabeçalhos de jornais e a constatação diária. Fazer uma afirmação daquelas, no momento em que perdemos uma das maiores figuras da cultura nacional, é lamentável e reflecte bem o longo caminho que a sociedade e a política portuguesa ainda têm de percorrer.

Publicado por Fábio J. às 22:19

Maio 30 2007
Sou realista. Este blog está a perder interesse de dia para dia, muito por causa da desactualização. Para além disso, o pouco tempo que tenho para fazer algo aqui nem sempre é assim tão rentável. Preciso mudar a rotina e o ar do blog, e, portanto, haverão alterações em breve. As férias, que finalmente estão a chegar, também proporcionarão tempo e disposição para voltar a dar vida aos posts. Até lá, peço desculpa pela monotonia.
Mas as notícias continuam! Faz sexta-feira um ano que o Plano Nacional de Leitura, o LER+, se tornou uma realidade na sociedade portuguesa. Sou sincero: durante este ano não me recordo de uma única vez que este “plano” tenha chegado até mim, muito menos influenciado as minhas leituras. Mas os ministérios da Educação, da Cultura e dos Assuntos Parlamentares não podiam louvar mais esta actividade anual.
Hoje não tive aulas, devido à grave, e foi ao ver as notícias, ao início da tarde, que recebi esta informação. Segundo consta, um milhão de crianças, do ensino pré-escolar ao 2º ciclo, participou nas iniciativas do PNL ao longo de um ano de actividade, tendo havido, segundo os responsáveis, “uma participação muito expressiva da sociedade civil e dos agentes ligados ao sector”; se eles o dizem...
É, sem dúvida, muito louvável que haja este incentivo à leitura, tentando assim diminuir os níveis de iliteracia em Portugal. O projecto foi direccionado, principalmente e como já foi dito, aos alunos que frequentam desde o ensino pré-escolar ao 2º ciclo, com sugestões literárias e actividades de leitura e escrita. Talvez tenha tido a sua importância com os membros mais novos da nossa sociedade, já com os outros é outra história.
Apesar de apoiar, não acredito assim tanto na força de persuasão ou influência desta iniciativa, e muito menos em alguma mudança de mentalidades e hábitos revolucionária, como os responsáveis parecem querer passar. Não nos adianta comparar os níveis de literacia de hoje com os de há 30 anos atrás, afinal a taxa de analfabetismo era, até há alguns anos, verdadeiramente vergonhosa em Portugal (não que agora seja reconfortante).
Deixando de críticas, o importante é que o governo português manifestou a sua preocupação com a iliteracia e as derivadas consequências, pondo mãos à obra e tentando, pelo menos, mudar mentalidades e hábitos. Por algum lado temos de começar e acho que vamos num bom caminho, embora íngreme.
Resta-me desejar que este seja um ano mais proveitoso e que realmente os hábitos de leituras em Portugal cresçam, fazendo acender a paixão pelos livros. Neste blog, faz-se por isso.
Até Breve e Boas Leituras!!!
Publicado por Fábio J. às 21:50

Janeiro 08 2007

Estamos à uma semana em 2007 e já me sinto bastante ambientado. Não sei porquê, sinto que já esperava por este ano há muito tempo. Talvez seja por causa do “7”, dizem ser o número da magia e por acaso (ou não!) são muitas as histórias de fantasia que associam este número a coisas fortemente mágicas, especiais. Quem sabe que surpresas nos aguardam neste ano?

Mas magia à parte, hoje escrevo sobre algo que me fez pensar, enquanto ouvia uma música duma artista norte-americana. Ao ouvir a música (por sinal bastante interessante e conhecida) pus-me a pensar: terá esta artista o mesmo impacto no seu país como tem aqui? Isto porque, se aqui é um ídolo inalcançável, lá pode ser apenas mais um cantor, mais alguém que vende CD’s e dá espectáculos, alguém como muitos cantores nacionais a que não damos valor.

O mesmo acontece com livros, filmes, exposições, tradições, serviços e até o próprio alimento. Indiscutivelmente consumo mais matéria e cultura estrangeira do que nacional, mas o facto não se deve apenas às minhas escolhas, deve-se também à oferta de que dispomos, felizmente bastante diversificada e virada para a globalização comercial. E se felizmente temos grande diversidade, a nível de origem, no nosso mercado, como por exemplo livros de toda a parte, o mesmo não pudemos dizer sobre os produtos nacionais que tornamos globais.

Lembro-me de ter lido, numa revista, pouco antes da Feira do Livro de Frankfurt, a maior do mundo, uma editora a relatar que esperavam “encontrar grandes títulos internacionais nesta feira”. Faço lembrar que, nesta feira, um dos objectivos é comprar e vender direitos de autores a editoras estrangeiras. As editoras portuguesas apenas vão lá para comprar, vender só muito excepcionalmente. Isto faz com tenhamos poucos títulos nacionais editados no estrangeiro. Em 2004 tivemos pouco mais de 116 novos títulos de portugueses editados em outros países, mas são muitos mais os estrangeiros que anualmente são lançados em Portugal.

O que quero dizer, como tudo isto, é apenas que, se queremos espalhar e divulgar a nossa cultura, não devemos apenas deixar que procurem por ela. Devemos também incentivar a sua procura, começando pela valorização que lhe damos.

Eu, por exemplo, já me fiz prometer que lerei mais obras portuguesas, e não vai ser nenhum sacrifício, pois temos obras excelentes que por acaso mereciam ser lançadas no resto no mundo, mas quanto a isso o máximo que posso fazer é lê-las e esperar que outros o façam também para que os talentos escondidos em Portugal possam ser apreciados e verdadeiramente congratulados pelos seus feitos.

Pensem nisto e digam o que acharam

Até breve e Boas Leituras (se possível nacionais)!!!

Publicado por Fábio J. às 19:33

Julho 06 2006

Para surpresa da minha leitora mais assídua e de mim próprio vou ter de falar novamente de futebol: Acabou...

Se alguém viu o meu post de ontem ou o meu comentário no blog mundial2006 " viu que estava pessimista esperando um "1:0 ganha a França", mas cheio de esperança.

Hoje penso que dei azar, pois nunca costumo dar palpites ou sequer falar de futebol e ontem por falar, deu azar...

Obviamente esta coincidência não conforta a minha desilusão face ao jogo que, deixem-me dizer (afinal o blog é meu) foi bem merecido, pois para uma equipa que sofre um golo a meio da 2ª parte, jogar daquela forma era um suicídio ... mas pronto!

Esperava mais dos jogadores e do seleccionador, mas também acho que todos eles formam uma grande equipa, e pertencer aos 4 melhores do mundo não é só sorte.

Foi pena...

Aconselho a leitura de "Mais um Sábado à Noite de Desespero e Solidão" de Cathy Guisewite , um livro de humor, uma escolha que faz esquecer a quarta-feira e ante vem a noite de Sábado.

(P.S.:Ainda hoje sou capaz de voltar a publicar pois tenho muito a dizer sobre O Código da Vinci )

Publicado por Fábio J. às 14:32

Julho 05 2006

Hoje decidi falar de uma coisa que não esta (pelo menos directamente) ligada aos livros: Futebol.

Não ligo muito a futebol, e trocaria rapidamente um jogo entre o Benfica e o Porto por um filme do Spilberg, por um documentário da 2 ou por um bom livro de ficção, mas os jogos da Selecção são diferentes. Os jogos da Selecção são imperdiveis e não os vejo com esforço mas sim com muito prazer e coração. Faltam cerca de 5 horas e meia e já estou ansioso pelo começo do jogo. Ao contrário da maioria das pessoas penso sempre pessimista em relação aos jogos, e até acho que sou uma pessoa muito optimista em tudo na vida, mas o futebol... Se me perguntassem quanto acharia que ficaria o jogo de hoje diria: "Bem, 1:0, perde Portugal, mas foi bom chegar até aqui..."

Espero que Portugal ganhe mesmo com todo este pessimismo e só espero ver um jogo interessante e empolgante.

E porque este é um blog sobre livros deixo aqui uma sugestão para os amantes de futebol português: Amo-te Portugal de Rémulo Jónatas.

Boa sorte Portugal...

 

Publicado por Fábio J. às 14:23

Um blog sobre livros e afins. A descongelar lentamente...
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