Janeiro 12 2009
Depois de António Lobo Antunes afirmar que os livros em Portugal são “indecentemente caros”, surgiram várias e diversas opiniões. De um lado estão os leitores, que se queixam do preço das obras; de um outro estão as editoras, que se queixam de não os poderem baixar. Contudo, não se trata de uma disputa. Livros mais baratos, acessíveis a um maior número de pessoas, trariam vantagens a ambas as partes.
Recentemente, têm surgido algumas oportunidades que merecem destaque. De uma ou doutra forma, são campanhas que nos permitem poupar algum dinheiro continuando a ler boa literatura. Dou quatro exemplos, por agora.
A promoção 2=3 da Saída de Emergência já dura há algum tempo. Na compra de dois livros no site da editora, tem-se a oportunidade de escolher um terceiro de uma lista pré-definida, inteiramente grátis. Já a aproveitei algumas vezes, e sempre com óptimos resultados.
Em Setembro a LeYa lançou a colecção BIS. Dela fazem parte grandes autores nacionais ou estrangeiros, editados em livro de bolso, custando apenas 5,95€. Em breve serão publicados 15 novas obras, ei-las:
As Intermitências da Morte, José Saramago
Histórias Extraordinárias, Edgar Allan Poe
O Vale da Paixão, Lídia Jorge
História Universal da Infâmia, Jorge Luís Borges
A Confissão de Lúcio, Mário de Sá-Carneiro
Amadeo, Mário Cláudio
A Montanha da Água Lilás, Pepetela
Os da minha rua, Ondjaki
O Testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, Germano Almeida
Contos e Diário, Florbela Espanca
Capitães da Areia, Jorge Amado
As Aventuras de João Sem Medo, José Gomes Ferreira
Alice no País das Maravilhas, Lewis Carroll
Aldeia Nova, Manuel da Fonseca
, António Nobre
Eu já escolhi as que não posso perder…
Os saldos já chegaram aos livros, pelos menos no site da Bertrand. Até dia 2 de Fevereiro, é possível encontrar uma selecção de livros, dos mais variados temas, a partir dos 3€. Na verdade, os preços variam sobretudo entre os 5€ e os 10€, mas ainda assim é possível encontrar alguns títulos interessantes a um preço acessível.
E por último, mas não menos atractiva, é a Biblioteca Sábado. A partir do dia 22 deste mês, 7 novos títulos, a apenas 1€, na compra da revista. Se a qualidade se tiver mantido, esta é, claramente, uma excelente oportunidade. Eis a lista dos livros, intitulada Livros que fizeram história.
Mar Morto, Jorge Amado
Samarcanda, Amin Maalouf
Os Filhos da Meia-Noite, Salman Rushdie
As Cidades Invisíveis, Italo Calvino
Lolita, Vladimir Nabokov
Vasto Mar de Sargaços, Jean Rhys
O Quarto Protocolo, Frederik Forsyth
Estes são apenas alguns exemplos que nos permitem poupar e, quem sabe, investir em mais livros. A partir de agora irei divulgar algumas destas campanhas. Como é lógico, qualquer dica é bem-vinda.
Boas mas baratas Leituras!
Publicado por Fábio J. às 22:18

Maio 09 2008
A poucas semanas do Verão, começa-se agora a projectar muitas das actividades e eventos culturais que ocorrem ao ar livre e que já caracterizam a estação. As feiras do livro são um bom exemplo desses eventos, levando as pessoas até à rua para passearem entre os livros expostos e autores convidados mas, principalmente, para comprar aquelas obras que guardamos para ler nas férias ou são lançadas nesta época tão representativa.
A verdade é que, tal como para todos os outros bens que usamos diariamente, cada livro tem um valor, não só o cultural (geralmente indubitável), mas também económico. As feiras do livro representam, logo neste campo, uma oportunidade para aqueles que pretendem adquirir novos títulos em promoções, descontos, ofertas... Mas, constituíram as feiras do livro verdadeiras oportunidades de compra, no actual mercado editorial português e internacional, dominado tanto pela crescente popularização do livro como pelo marketing?
A maioria dos visitantes deste blog considera que sim. É um facto que muitas editoras, juntamente com as câmaras municipais a que se associam, conseguem proporcionar aos visitantes destas feiras alguns preços de venda bastante interessantes ou, em alguns casos, impressionantes. No entanto, regra geral, não consigo descortinar uma real vantagem económica nas feiras do livro.
Criticados por muitos, adorados por outros, os descontos das livrarias virtuais constituem nos dias de hoje uma real e constante oportunidade para quem tem por habito comprar novos títulos. Adaptando-se a esta realidade, também as livrariam convencionais há muito adoptaram o já tradicional (e quase obrigatório) desconto de 10% sobre o preço de editor.
Relembrando as comuns campanhas que as livrarias virtuais fazem ao longo do ano (seja no Natal, no Dia Mundial do Livro, no Dia do Pai ou da Mãe, da Mulher, etc, etc) e a cada vez maior utilização da Internet, bem como o aumento das cadeias de livrarias por todo o país fica claro que, para quem quer comprar livros a preços mais baixos, as opções são muitas.
Não pretendo, com isto, desvalorizar as feiras do livro enquanto evento cultural, local de encontro entre os escritores e os leitores, os editores e o publico, os livros e os seus admiradores. Quanto a isso são, certamente, muito importantes. Mas a realidade é que, no que toca aos preços, as feiras dos livros tem cada vez menos de novo para oferecer.
Curiosamente, tive hoje a oportunidade de vir a participar numa feira do livro da minha zona, como vendedor. Ainda não decidi, mas certamente seria interessante passar horas entre livros e, mais interessante ainda, estar em contacto directo com os visitantes, nos bastidores, tentando perceber se, afinal, as feiras do livro ainda são sinónimo de verdadeiras oportunidades de compra.
    

Feira do livro é sinónimo de boas oportunidades de compra?
 

73.68% Sim
7.01% Não
14.03% Talvez noutros tempos
5.26% Não sei

 

Total: 114 respostas

 

Boas Leituras e boas compras!

 

Publicado por Fábio J. às 23:57
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Março 14 2008

 Na última semana, a Warner Bros. Pictures anunciou ao mundo que o último livro de J. K. Rowling, Harry Potter e os Talismãs da Morte, dará origem, não a um, mas a dois filmes. Há que fazer render o peixe, e desta forma a produtora de Hollywood certamente lucrará muito mais do que com apenas uma adaptação cinematográfica. No fundo, tudo isto não passa de negócios...

Mas não é necessário usar o exemplo do cinema para referir grandes negócios: temo-los no sector livreiro, muitos e de grande destaque, mesmo no nosso pequeno canto à beira mar.
O final de 2007 foi marcado por excepcionais negócios nesta área: a venda e compra de editoras chamou a atenção mesmo daqueles que não gostam de ler, e estudos sobre o mercado editorial português vieram desmistificar a ideia de um mercado frágil, mergulhado numa constante crise.
A realçar está, sem dúvida, a compra quase compulsiva de oito editoras lusofonas (contudo muito bem planeada) por parte do grupo Paes do Amaral, dando origem ao actual grupo Leya. Mas outras houveram, tanto por parte do Explorer Investments (Oficina do Livro...) ou da Bertelsmann (Bertrand...), enfim, por parte daqueles que acharam que, afinal, valia a pena investir na literatura portuguesa (pelo menos enquanto produto)
Estes foram negócios que apelaram à atenção de muitos, pelo seu volume monetário e destaque na imprensa. Mas para alguns leitores, este tipo de actividade editorial é muito mais do que simples entretenimento, é objecto de interesse...

_____________________________________

Interessa-se pelos negócios do sector livreiro?

 

73.91% Sim
15.21% Não
10.86% Só os destacados na imprensa

 

Total: 46 respostas
 
 

Bom fim-de-semana e Boas Leituras!

Publicado por Fábio J. às 22:35
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Janeiro 28 2008
Tal como aqui tinha anunciado, foram apresentados na passada sexta-feira os resultados preliminares dum estudo encomendado pelo Ministério da Cultura que tinha como objectivo avaliar e concluir qual o volume de negócios no sector do livro em Portugal.
Conclusões: poucas, já que, embora com números um tanto ou quanto reveladores, continua a não haver uma verdadeira caracterização da área, com dados fiéis ao real, entre os quais continua a haver espaço para a especulação. Os responsáveis remetem para a segunda fase do estudo que, aparentemente, será mais reveladora.
De qualquer forma, o estudo afirma que o volume de negócios terá atingido 530 milhões de euros em 2006 e que, por ano são editados em Portugal, em média, 10000 títulos, correspondendo a maior parte (34,6) à literatura, linguística e língua. De acordo com o responsável pela equipa, José Soares Neves, globalmente, os investigadores detectaram, ainda como aspectos negativos no sector, a falta de conhecimento e formação profissional nas pessoas que trabalham na rede livreira.
A investigação revela ainda “que existe uma fragilidade financeira de editores de pequena e média dimensão, elevadas margens cobradas pelas distribuidoras aos editores, e que a existência de duas associações no sector dificulta a concertação de interesses do meio. Como aspectos positivos do mercado, destacaram a diversidade da oferta editorial, a entrada do capital financeiro no sector da edição, empresas cada vez mais profissionalizadas na gestão, reforço das acções de promoção e marketing, projecção internacional dos autores portugueses, a adequação às novas tecnologias e a importância da venda. (...) Ainda como situações que colocam em perigo o mercado assinalaram os baixos índices de hábitos de leitura da população portuguesa comparativamente a outros países, e a fotocópia de livros, em particular de livros técnicos.”
Resumidamente, há quem diga que afinal este mercado está longe de qualquer fragilidade e que é hora de trata-lo como qualquer outro sector de negócios. Por seu turno, o estudo vem revelar que a rede livreira tradicional é débil e que existe falta de formação profissional na área, ou seja, que há ainda muito a melhorar.
Resta esperar pela segunda fase do estudo e fazer uma reflexão sobre a forma como realmente devemos encarar este sector.
Publicado por Fábio J. às 23:22

Janeiro 02 2008
Neste primeiro post do ano, achei por bem referir “as listas” sobre livros, que nesta altura são habituais. Na primeira, divulgada pela revista Os Meus Livros, constam os cinco livros, de ficção e não-ficção, mais vendidos em Portugal, em 2007, na Bertrand, Bulhosa, Fnac e Webboom. A destacar está o trio de ficção de sucesso: Rio de Flores, Harry Potter e os Talismãs da Morte e o Sétimo Selo, os três (supostamente) mais vendidos no ano passado. Quanto à não-ficção vale a pena mencionar O Segredo, de Rhonda Byrne, o mais vendido segundos estes top 5.
Outra lista recentemente divulgada e já muito comentada é a dos 10 livros mais comprados e menos lidos. Justificando-se com a falta de tempo, o cansaço ou pela grande oferta de outros entretenimentos, mas também com o volume ou (des)interesse de alguns livros, a verdade é que os ingleses questionados para esta pesquisa confessaram que nem sempre acabam de ler os livros que compram. Mais impressionante é saber que a maioria dos inquiridos compra os livros para decoração e não para os ler, e que 35% nunca compraria um livro com mais de 350 páginas. Eis a lista:
E já que estou numa de pesquisas e notícias refiro ainda esta, que anuncia a tese dum facto que há muito verifiquei em mim mesmo. Apesar de parecerem “entretenimentos” contraditórios, a verdade é que Internet e Literatura existem em total harmonia. Quantos livros não conheci, comprei, comentei e aconselhei na Internet? A própria existência deste e de inúmeros outros blogs dedicados total ou parcialmente ao mundo literário é já prova suficiente desta perfeita coexistência.
Boas Leituras neste novo ano!
Publicado por Fábio J. às 18:28

Um blog sobre livros e afins. A descongelar lentamente...
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